"Eu vi o tempo brincando ao redor do caminho daquele menino"...

sábado, 1 de agosto de 2009

Tecnologia

Casa hi-tech,
Câmera multifuncional,
Impressora à laser,
Internet banda larga.
E eu, o que faço com essas coisas?

Comida light,
Carro flex,
Geladeira frost free,
Garrafa térmica.
O que seria dessas coisas sem mim?

Vídeo-game,
Cyber café,
Televisão à cabo,
Avião supersônico.
Por que eu preciso disso?

Calça jeans,
Gravador de CD,
Home theater,
Microprocessador.
E eu, o que faço com tudo isso?

(Janderson Felipe)

Nessa lista já podem ser acrescentados uma impressora 3D e um jato F5 de 5ª geração...

sábado, 25 de julho de 2009

Escutando o silêncio...

E esse silêncio que estoura os meus ouvidos? É o silêncio noturno que me assombra toda noite. Zumbi, zumbizado, zumbizando. Todos os sons, todas as vozes, todas as palavras invadem minha mente. É só o som do silêncio que me ataca em todo sono. Silêncio da insônia, insônia do barulho, barulho do silêncio. Quanto mais silêncio, mais eu ouço. Lá longe, aqui perto, lá fora, aqui dentro. O som do silêncio está em todo lugar, ele me persegue toda noite, a noite toda. Psiu! Silêncio para escutá-lo...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Esta noite eu tive um sonho...

Esta noite eu tive um sonho. No sonho não havia fronteiras de tempo e nem de espaço, você podia viajar por onde quisesse e conhecer quem você quisesse. Você poderia ir até o mais remoto dos tempos, conhecer as pessoas que fizeram a história da humanidade, os acontecimentos ditos mais importantes e você também poderia viajar pra frente, conhecer o que ainda virá, o que será disso aqui tudo. O mais legal era que você podia estar em vários lugares ao mesmo tempo, estar com várias pessoas ao mesmo tempo, e depois, você lembraria de tudo aquilo que você presenciou, que você viveu.
Você lembraria de ter caçado com os primitivos, de ter visto a beleza de Eva, de ter visto os dinos, de ter conversado com Sócrates, de ter dado um passei pelo Nilo, de ter dado um beijo em Cleópatra, de ter dado a sua opinião na Ágora, de ter ido à Antiga Roma, de ter visitado as mais belas paisagens de Norte a Sul e de Leste a Oeste, de ter ido à Índia e à China, de ter cumprimentado Jesus Cristo, de ter tirado um papo com Rousseau, de ter descoberto o Brasil antes dos europeus, de ter presenciado os discursos no Parlamento, de ter trabalhado com os escravos, de ter falado pro Freud: “Você foi um dos grandes” , de ter abusado dos militares, de ter tocado com Raul, de ter proseado com Gessinger, de ter dito a verdade em Brasília, de ter conhecido meu filho amanhã, de ter lido o teu próprio livro, de ter descoberto que você já é avô, de ter ido à Marte antes da NASA, de ter ajudado a evitar a 3ª Guerra Mundial, de ter procurado velhos companheiros, de ter amado a mesma mulher de 50 anos atrás, de ter visto você mesmo quando tinha apenas 5 anos.
Mas disso tudo, nada é importante. O mais importante do sonho era que você poderia estar mais próximo das pessoas que você realmente ama. Você poderia estar ao mesmo tempo com várias pessoas, mesmo elas estando sozinhas e elas não podiam te ver. Você era capaz de guiar os passos delas, mostrar o caminho certo a seguir, o caminho do bem. Você só levaria as pessoas para o bem, pois não havia vez para se ter ódio, se ter raiva, querer o mal dos outros. No sonho você era um espécie de anjo que ajudava a todos e principalmente aqueles que você ama. Do que eles precisassem, você era capaz de ajudá-los. Mesmo sem eles saberem, você os conduzia firmemente para a melhor opção. Neste sonho você se sentiria bem em saber que estava ajudando quem você gosta e se satisfazia mais ainda em saber que elas também gostavam muito de você.
Pena que era tudo um sonho, mas um sonho que era tão real. Talvez esse sonho vire realidade, quem sabe no outro lado da vida? Mesmo os mais céticos gostariam de saber que isso se tornaria realidade depois disso tudo aqui. Todos capazes de se ajudarem, de fazerem o bem por aqueles que amam. Será, será? Será que esse sonho já era realidade? Será que realmente vivi tudo isso? Será que ainda vamos todos viver esse sonho? “Um sonho quando é bom não devia ter fim e quando vira pesadelo fica tão ruim”...

terça-feira, 21 de julho de 2009

Casa da ilusão

Não tenho nada pra dizer,
Por isso repito o que já foi dito antes.
Depósito do erro.
Não tenho mais o que fazer,
Por isso me apego ao passado.
Oficina do engano.
Não tenho com quem dialogar,
Por isso me conformo comigo mesmo.
Escritório da loucura.
Não tenho nenhum objetivo,
Por isso sigo sempre com meus sonhos.
Casa da ilusão.

(Janderson Oliveira)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Valeu professor...

"É tão estranho, os bons morrem jovens...". Infelizmente mais uma vez isso acontece, perdemos a simpatia e o carisma de um grande professor.
A resposta pra pergunta feita é ela, é ela que passa a existir quando deixamos de ser. Algo que é tão comum, tão normal, mas que quando acontece perto da gente dá medo. A gente fica indefeso, triste, desorientado. A gente se pergunta como pode? Assim de uma hora pra outra, como pode acontecer isso?
Há três semanas nós estávamos em sala de aula falando sobre as nossas experiências como professores e ele estava lá conosco ouvindo cada história. Há duas semanas ele estava nas primeiras bancas de monografia, orgulhoso pelo crescimento do nosso curso, empolgado por vê a gente pesquisando em todos os ramos da Educação Física, essa área do qual ele sempre gostou. Eu sei que desde cedo ele sempre gostou de praticar atividade física, sei que já foi atleta e há muito tempo estava presente na universidade, mesmo jovem foi um dos nossos primeiros professores do curso.
E agora? Ainda tão jovem se vai assim sem dar aviso, de repente, pra nos deixar essa lacuna. É difícil até de acreditar, como pode, como pode? Ele que nos últimos quatro anos esteve presente assim tão perto. Nos meus primeiros dias de universitário deu uma palestra sobre qualidade de vida, totalmente diferente daquilo que eu esperava, me ensinou ali na sala de aula os conteúdos de fisiologia do exercício, estava há pouco conosco vivenciado nossos projetos de estágio e de repente se vai.
Tenho inveja dos católicos, pois acreditam que ainda é possível vê-lo em outra dimensão. Tenho inveja dos espíritas, pois acreditam que ele voltará em outra ocasião. Mas, infelizmente, não tenho essa crença, infelizmente para mim é só o final disso aqui que é a vida. É tão cruel, tão pouco, temos apenas essa vida e nada mais, temos apenas essa oportunidade para fazermos tudo que queremos aqui e agora. Temos que aproveitar apenas essa oportunidade que ela se vai assim de repente como o nosso professor.
Já perdi a oportunidade de viver com uma pessoa especial para mim, nem tive essa oportunidade, pra falar a verdade. Agora perdemos uma pessoa que trazia a calma em todos os momentos, nunca demonstrava raiva ou ódio por algo ou por alguém, tinha sempre uma palavra amistosa pra falar, um estímulo pra nos dar continuidade na nossa carreira. Só resta agora lamentar essa partida tão repentina e agradecer a esse grande professor e essa grande pessoa. E é impossível não lembrar as suas palavras: "Pô cara, fica tranquilo que vai dar tudo certo...". Professor Thelmo, calmaria e paz sempre, deixe quieto que continuarei lutando pra dar tudo certo sim, valeu professor...

Falano cum Patativa

Num falo do sertão,
Pra num disôbedecê seu Patativa.
Então a minha solução
É encontrá ôtra alternativa.
Falo mermo da cidade,
Que aqui é o meu chão.
Dêxo queto sua terra
E as coisa bela do sertão.

As coisa aqui são mermo deferente
Daquelas cantada no sertão.
Mas também tem muita semeiança,
Referente à isploração.
Tanto no sertão quanto na cidade
A vida é bem compricada.
É rico isplorano pobre
E num acaba essa impreitada.

Seu Patativa a cidade cresceu
E os pobrema dela também.
Da comida que come o rico
Pro pobre nunca tem.
Quanto a inducação que o sinhô falô,
Aqui num tem pra todo mundo.
Enquanto fí de rico vai pro colejo,
Fí de pobre é dito vagabundo.

É gente dando em gente
Pra tê um lugázim pra morá.
Enquanto o rico tem cobertura,
Pobre num tem nem onde se assentá.
A fome, a dô e a misera
Tem é em todo lugá.
Nós tem é que mudá essa história,
Antes do mundo se acabá.

Mas mudano de assunto,
Vô agradicendo o sinhô.
Por tê feito tanto verso bunito
E cantano as coisa do interiô.
Nós é fío do Nordeste,
Nós num nega nosso naturá.
Nessas prosa bem medonha,
Cada um tem muito que falá.

Eu falo aqui da cidade
Pois dela cunheço bem.
O sinhô fala do sertão
E de tudo que nele tem.
No final nós junta tudo
Pruma rima bem gostosa.
E disfruta da puisia,
Essa arte tão vistosa.

O sinhô cantô de lá
E eu cantei de cá.
Mas já tá chegano a hora,
Dessa rima se acabá.
Brigado pelas suas palavra
Que revolucionarum a puisia.
E é lendo as suas história
Que eu vô fazeno as minha.

(Janderson Felipe)

Homenagem ao grande Patativa que há sete anos voou dessa pra melhor...

sábado, 4 de julho de 2009

Emílio

Deixa o Emílio voar,
Certamente ele vai mais alto que Ícaro.
Solta o Emílio,
Ele descobrirá por si só os segredos do mundo.
Deixa o Emílio viver,
Fugir das amarras do caminho.
Liberta o Emílio,
Que ele saberá o momento exato de crescer.
Não prenda o Emílio,
Deixe que ele os surpreenda.
Não amarre o Emílio,
Deixe que ele os encare.
A natureza é a escola de Emílio,
Ele não precisa dos ensinamentos dos homens.
A natureza é a casa de Emílio,
Ele não necessita das regras dos homens.
Emílio hesita,
Mas desenvolve.
Emílio erra,
Mas aprende.
Quando Emílio crescer,
É ele que os ensina.
Quando Emílio crescer,
É ele que os anima.
Então deixa o Emílio viver,
Então deixa o Emílio voar.
Emílio por si só,
Saberá se cuidar.

(Janderson Oliveira)

De que lado?...

O cientista estuda, estuda e estuda, pra no final descobrir que aquilo que descobriu não é totalmente certo. O artista cria, cria e cria, pra no final descobrir que aquilo que produziu não passou de uma mentira. O religioso crê, crê e crê, pra no final descobrir que aquilo que acreditou não passou de ilusão. O povo discute, discute e discute, pra no final descobrir que aquilo que falaram não passou de um monte de histórias que não servirão pra nada.
Pobre do cientista, a sua pesquisa nunca estará 100% correta. Pobre do artista, a sua arte foi só invenção da sua cabeça. Pobre do religioso, a sua fé nunca conseguirá provar a existência do divino. Pobre povo, a sua discussão nunca terminará tendo ele como vitorioso.
E eu, pra que lado eu vou? De que lado eu sambo, eu sambo de que lado? Do lado do cientista? Do lado do artista? Do lado do religioso? Do lado do povo?...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Meu céu da minha cidade

Gosto do céu,
Do céu azul e bem limpinho,
Sem nenhuma nuvem,
Gosto da imensidão do azul.
Gosto mais ainda do céu,
Do céu azul com nuvens brancas,
Branquinhas igual algodão,
Gosto das figuras que elas formam.
Gosto infinitamente mais do céu,
Do céu escuro e cheio de estrelas,
Com a lua cheia lá ao fundo,
Gosto de vê-la da janela do meu quarto.
Esse é o meu céu,
O céu do meu mundo.
Esse é o meu mundo,
O mundo do meu sonho.
Esse é o meu sonho,
O sonho que é real.
Essa é a minha realidade,
A realidade da minha cidade.

(Janderson Felipe)

Olhando pro céu de Fortaleza...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Revelando minha essência...

E tenho muitas faces e muitas fases que quase ninguém conhece, quer dizer, apenas uma pessoa conhece minha verdadeira essência e ela é essencial pra mim. Não é transtorno bipolar, eu sei lidar com essas mudanças de caráter, não é meu querer, é minha vida que exige uma fase pra cada lugar, uma face pra cada pessoa. Mas na minha essência eu sou ista, sou ego, sou zista, sou narci, sou nista, sou hedo. Não sei se escondo bem, mas esse sou eu. É só perceberem nas coisas que eu escrevo, tudo em primeira pessoa do singular, sou eu, eu e eu, nada mais. Meu melhor amigo não é ninguém mais do que o espelho, ou seja, eu e mim mesmo. O prazer não é o que dói, é o mais puro êxtase. Da próxima vez em que eu estiver com você, decida, decida quem você quer que eu seja, meu temperamento só dependerá de você. Sei lidar com isso e isso me ajuda...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Meu mundo do meu jeito...

"Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito...". Eu só quero ser o contrário de tudo aquilo que eu vejo...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Tempos de menino...

Se um dia a gente não mais se ver, não chore lágrimas de tristeza, apenas sonhe sonhos de felicidade. Felicidade dos momentos bons que a gente passou na infância, tempos de menino, correndo prum lado e pro outro, jogando bila, soltando raia, jogando bola.
O tempo passou e nos distanciou, crescemos e não nos correspondemos, você foi indo e eu só observando, quando me dei conta você já estava longe, distante. Nossas brincadeiras de menino não eram mais as mesmas, nossos momentos de alegria se foram no tempo, só ficaram no pensamento.
Já não sei mais por quais caminhos você anda, quais becos, quais ruas, quem são seus amigos, seus comparsas, do que você gosta, do que você vive, onde você vive. O tempo foi cruel com a gente desde sempre, ainda meninos não tínhamos alguém especial nas nossas vidas, eu consegui vencer muitas batalhas, infelizmente você se deixou levar por essa vida doida.
Não te julgo, não te condeno, você faz o que quiser, quem sou eu pra impedir algo, pra me intrometer na vida de alguém que já nem conheço mais. Queria ter coragem de te procurar de novo e tentar te explicar os motivos pelo qual deve voltar, mas como sempre eu não consigo, os pensamentos não se tornam realidade. Acredito que sou fraco, diferente de você que sempre teve um caráter bem forte.
Fico aqui esperando que você volte, que nós possamos nos falar novamente, trocar as velhas idéias e quem sabe brincar dos mesmos jogos que brincávamos anteriormente. Uma coisa que eu tenho é muita esperança, espero que nós consigamos nos reunir novamente, quem sabe a gente possa voltar aqueles tempos de menino...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Minha sina

Já passaram muitas chuvas e muitos sóis,
Mas em nenhum momento estivemos sós.
Nem na maior das tempestades a gente se separou
E foram nos momentos quentes que a gente se revelou.
Um sempre ligado ao outro, em cada instante.
Não teve sequer um segundo que ficássemos distantes.
A cada dia que vivo com você,
Só aumenta ainda mais a vontade de viver.
Viver com alegrias, com decepções, com lembranças, com sonhos
E assim nosso amor vai ficando mais alegre, forte, maduro, medonho.
Ainda não te descobri totalmente,
Lembro daquela noite e continuo contente.
Você me deu a paz, a alegria, a união,
Meio sem querer, conquistou meu coração.
Desculpa se não te dei tudo aquilo que queria.
Desculpa se te dei só palavras, mas elas são minha quantia.
Muito já foi vivido e muito mais ainda virá.
Essa sintonia só acaba quando a idade não mais aguentar.
Mesmo velhinha ainda será minha menina,
A minha morena Helena pequenina.
E não resta dúvida de qual será minha sina,
Continuar sempre escrevendo pra minha linda menina.

(Janderson Oliveira)

Pra minha menina...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Mais do mesmo de novo...

De todas essas teorias científicas que andam falando por aí, creio que me encaixo mais no relativismo. Serei eu um relativista? Depende. Vê? Pra mim tudo depende de outra coisa, tudo tem que ter um E SE...
Na literatura, creio que sou um barroco, as antíteses, os paradoxos, as contradições, os opostos me atraem e se atraem por si só. Tem coisa melhor do que confundir as idéias dos outros? Divino e profano sempre andam juntos, o profano sempre tendo mais valor no que é dito. Queira Deus que eu esteja errado? Ops, mas não sou dessas coisas divinas. Então ambos andam juntos mesmo, e ainda mais, de mãos dadas. Não tem melhor ou pior. Também na literatura me agrada a oralidade, mais uma contradição. Deixa eu explicar, eu gosto de escrever do jeito que a gente fala, não me importando tanto com as regras de escrita, então eu gosto da oralidade na escrita, é só lembrar do grande Patativa, seus poemas escritos do jeito que ele falava.
Referente às músicas, creio que sou eclético. Tudo me agrada, não me falta nada. Quer dizer, a música brasileira me agrada, o internacional a mí no me gusta. Pra mim, toda a musicalidade brasileira me completa, não precisa eu ir pra fora se eu já tenho tudo aqui no meu país. Além do mais, não tenho ouvido pra decifrar os outros idiomas, não tenho vontade de buscar as letras das músicas estrangeiras e muito menos tenho paciência pra decifrá-las pro português. De que vale uma música se eu não sei seu significado, seu conteúdo. Então me agarro às nossas raízes.
Sou tão assim, cheio de dúvidas, mas isso não me importa, por isso que sigo Raul e vou sendo metamorfose ambulante. Mas é claro, o que eu acredito hoje, amanhã já é diferente e eu posso deixar de acreditar. Os pensamentos são tantos e tão diferentes, tão loucos.
Não sei o que acontece, mas quando entro no ônibus tudo se abre na minha cabeça, quando sento no assento, todo um mundo, mundo não que é pequeno demais, todo um universo invade meu ser. Tenho quadrilhões de pensamentos durante a viagem, é uma verdadeira viagem, no ônibus e na cabeça. Quantas dessas minhas loucuras escritas aqui surgiram no ônibus, os pensamentos vinham e de repente as idéias se juntavam, era só chegar em casa e transcrever pro PC. Agradabilíssimas essas duas viagens.
Queria escrever pouco, mas agora já foi, um monte de palavras apareceram na tela branca e um emaranhado de informações surgiu do nada, quer dizer, do tudo que é essa complexa mente sã que vos fala. O texto já foi e eu já fui...

terça-feira, 2 de junho de 2009

Histórico da Escola Normal do Ceará...

A aspiração para criar escolas de formação de professores no Brasil começou ainda no Império, porém havia dificuldades na criação das Escolas Normais em todo o país. Em 1879, a Reforma de Leôncio de Carvalho, que tinha valor somente no Rio de Janeiro, foi um marco para a criação desse tipo de escola.
No Ceará, a primeira tentativa de criação de uma Escola Normal deu-se em 1837, no mandato do presidente da província, José Martiniano de Alencar. A Lei 91, de 05 de outubro de 1837, criava temporariamente a Escola Normal do Ceará, porém a escola não foi instalada por falta de recursos e continuidade administrativa. Após esse fracasso na tentativa da criação da Escola Normal, o estado ficou ainda um longo período sem sua escola de formação de professores.
Somente com a Lei 1790 de 1878, ressurge o interesse na criação da Escola Normal, que viria a se concretizar apenas no fim do Império, no ano de 1884.
A regulamentação da recém-criada Escola Normal do Ceará foi orientada por legislações concebidas em anos anteriores a sua efetivação. Essa regulamentação estava presente na Lei nº 1790, de 28 de dezembro de 1878 e no Regulamento da Instrução Pública de 1881. "Somente no ano seguinte (1885), é expedido o primeiro Regulamento da instituição”.
Escola Normal do Ceará foi o primeiro nome da nova instituição de ensino e seu prédio ficava localizado na Praça Marquês de Herval (posteriormente chamada de Praça José de Alencar). A Escola Normal teve algumas mudanças de localização durante esses anos. No período de 1919 a 1923, a escola foi instalada no pavimento térreo da Fênix Caixeiral. Após reivindicações, o presidente do estado, Justiniano de Serpa, mandou construir o novo prédio da escola na Praça Figueira de Melo (onde hoje funciona o Colégio Justiniano de Serpa). A escola funcionou nesse local até 1958, ano em que se mudou para o Bairro de Fátima, já com o nome de Instituto de Educação do Ceará. Além das mudanças de locais, a Escola Normal também mudou várias vezes de nome.
Ao longo de sua trajetória a Escola Normal recebe várias denominações: Escola Normal Pedro II (Lei nº 2260, de 28 de agosto de 1925), seu segundo nome; Escola Normal Justiniano de Serpa (Decreto-Lei nº 122, de 2 de março de 1938); Instituto de Educação (Decreto-Lei nº 2007, de 7 de fevereiro de 1947) e, no final dos anos 50 recebe sua atual denominação, Instituto de Educação do Ceará (Lei nº 8559).
Pode-se ser percebido que no momento histórico estudado neste texto (1930-1945), a Escola Normal do Ceará teve duas denominações: Escola Normal Pedro II e Escola Normal Justiniano de Serpa. Para deixar claro ao leitor, utilizaremos apenas a nomenclatura Escola Normal do Ceará para se referir à esta instituição de ensino.
Juntamente com a Escola Normal do Ceará, foi criada a sua Escola de Aplicação, também chamada Escola Anexa, que ficou em funcionamento até o ano de 1918. A Escola de Aplicação era o local da prática pedagógica dos alunos da Escola Normal. Essa escola ressurgiu em 1922 com a denominação de Escola Modelo.
Até a década de 1920, período que divide a história da educação no Ceará, a Escola Normal não tinha muito prestígio. A sua verdadeira importância deu-se somente após a Reforma de 1922, marcada pelo ideário da Escola Nova.
Para se entender melhor o período em estudo, é preciso conhecer um pouco do período anterior, ou seja, a década de 1920, e toda sua efervescência com iniciativas para as reformas sustentadas pelo pensamento escolanovista.
Em todo o país começam a surgir diversas reformas educacionais com caráter voltado à Escola Nova, buscando romper com a pedagogia tradicionalista que era presente na educação brasileira. Vale lembrar que essas idéias escolanovistas já haviam sido divulgadas no Brasil por Rui Barbosa, ainda no Império, mas sem muita força como na década de 1920.
No Ceará, as idéias modernas de educação também já eram pregadas desde o final do século XIX. Após viagem aos Estados Unidos, o advogado e professor de latim, Amaro Cavalcante, apresentou um Relatório ao presidente da província e à população cearense. Tal Relatório foi escrito em 1881 e dava informações acerca da instrução primária americana.
No Relatório, Amaro Cavalcante trata da educação de um modo geral; do método escolar; das escolas normais e da inspeção da educação pública. “O debate em torno das idéias por Amaro Cavalcante e demais fundadores da Escola Normal e suas conseqüências práticas preparam o terreno para que o escolanovismo florescesse a partir do impulso dado pela reforma de 1922”.
A Reforma de 1922, mais conhecida como Reforma Lourenço Filho, realizada no governo de Justiniano de Serpa, marca o início de uma nova fase da educação no estado. Ela ocasiona mudanças no ensino primário e normal do estado, além da criação da Diretoria Geral da Instrução.
Não se sabe até que ponto ocorreu essa mudança do tradicionalismo para a prática de um ensino dito moderno, esse é um assunto ainda em discussão nos estudos e se tentará com esse estudo buscar informações acerca dessas mudanças no âmbito da Educação Física.

Texto extraído do meu projeto de monografia intitulado: "A prática de Educação Física na Escola Normal do Ceará (1930-1945): entre o tradicionalismo e a Escola Nova", e fala um pouco da história da Escola Normal do Ceará no período citado. Retirei as referências desse texto, porém estão todas no meu projeto.
Como já foi dito, trata-se apenas de um projeto, ainda tem muita coisa a ser estudada, pesquisada e escrita. Estou muito empolgado com a elaboração desse trabalho, como sempre a história me fascina e dessa vez não é diferente, toda uma nova história surgindo para mim, quero só desvendá-la mais e mais...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

"O corpo fala"...

"O corpo fala", há pouco tempo fui descobrir que essa expressão realmente é válida, literalmente o corpo fala, quer dizer, literalmente não, corporalmente. Essa expressão é muito falada no meio dos profissionais de Educação Física e Psicologia, mas eu sempre ficava com um pé atrás em relação a essa história do corpo falar. Cheguei até a ler um livro que tem como título essa mesma expressão, pensava que iria ser uma leitura interessantíssima, mas não me agradou muito.
Faz cerca de 2 meses e meio que comecei um curso de Libras (Língua Brasileira de Sinais) e comecei a perceber a partir disso o quanto o nosso corpo se comunica sim. Por si só o aprendizado de Libras já é uma coisa fascinante, toda uma língua escondida nos nossos movimentos, no nosso corpo. Mas o mais impressionante é que agora fico percebendo as pessoas conversando (em português mesmo, não em Libras) e o quanto elas utilizam o corpo juntamente com a fala. Sempre fico olhando um círculo de amigos, uma dupla, o professor durante a aula e eles estão sempre demonstrado aquilo que estão falando através de gestos, é como se eles desenhassem o que falam, o ar é seu quadro e os dedos, as mãos e, às vezes todo o corpo, são os seus pincéis. É, realmente para falar, nós também utilizamos o corpo e o corpo por si só também fala, demonstra nossa personalidade, nosso estado de ânimo, nossas tensões.
Voltando à Libras, essa é uma língua interessantíssima, cheia de simbolismo, de representações das coisas, tudo está relacionado com o concreto, com o que as coisas realmente são, entendem? As configurações (gestos feitos com a mãos) ou sinais das Libras estão sempre ligadas ao real, sempre lembram a palavra que queremos dizer. Achava que seria difícil aprender essa nova língua, mas nas aulas eu estou sempre querendo saber mais e mais, realmente é algo fascinante. Tudo que queremos falar está expresso ali, no nosso corpo...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Música boa...

Para mim, música boa é aquela que tem conteúdo, não me interessa muito a forma. É a letra da música que expressa o verdadeiro sentido dela, o ritmo em que ela é tocada é o de menos. Não importa se é funk ou forró, samba ou rock, o que interessa é o significado que sua letra quer passar, por isso que a letra deve ser boa. Não interessa se a "Súplica cearense" é cantada na sanfona de Luiz Gonzaga ou no sample d'O Rappa, o que interessa é a humildade da fala do sertanejo cearense se desculpando por ter errado na oração. Não interessa se a "Aquarela do Brasil" é cantada na voz de Ary Barroso ou na de Gal Costa, o que interessa é o Brasil ser mostrado de forma magnífica na letra. Só não vale é a letra ser esdrúxula, repetitiva, de fácil memorização, mas péssima audibilidade, como são muitas das músicas feitas hoje em dia. Enfim, para mim, não interessa se a música boa tenha forma, o que me interessa é o seu conteúdo, o que interessa é o que o compositor tem pra dizer...

Súplica cearense


Oh! Deus, perdoe esse pobre coitado 
Que de joelhos rezou um bocado 
Pedindo pra chuva cair, cair sem parar 

Oh! Deus será que o senhor se zangou 
E é só por isso que o sol se arretirou 
Fazendo cair toda chuva que há 

Oh! Senhor, pedi pro sol se esconder um pouquinho 
Pedi pra chover, mas chover de mansinho 
Pra ver se nascia uma planta, uma planta no chão 

Oh! Meu Deus, se eu não rezei direito 
A culpa é do sujeito 
Desse pobre que nem sabe fazer a oração 

Meu Deus, perdoe encher meus olhos d'água 
E ter-lhe pedido cheio de mágoa 
Pro sol inclemente, se arretirar, retirar 

Desculpe, pedir a toda hora 
Pra chegar o inverno e agora 
O inferno queima o meu humilde Ceará 

Oh! Senhor, pedi pro sol se esconder um pouquinho 
Pedi pra chover, mas chover de mansinho 
Pra ver se nascia uma planta no chão, planta no chão

(Gordurinha / Nelinho)

E num é que o forró se encaixou direitinho no reggae. Ótima essa versão que O Rappa fez da música "Súplica cearense" que já tinha sido imortalizada nas vozes de Luiz Gonzaga e Fagner. Que pena que mais uma vez a água acaba com a esperança do nosso humilde povo do Siará. O povo luta e luta contra a seca, mas de repente vem a chuva e leva tudo embora. E a culpa disso tudo é de quem? De Deus ou do próprio homem? "Ganância demais. Política demais. Descaso demais. Tristeza demais. Pobreza demais. Miséria demais. Interesse tem demais"...

Analogisando psicanaliticamente o futebol...

"E quando analisamos psicanaliticamente o futebol, por exemplo, nós encontramos uma explicação multimilenar para a força que o futebol traz dentro de si. Outrora, milênios e milênios, quando os inimigos se defrontavam em guerras sem quartel, os vencidos eram degolados e suas cabeças rolavam ao chão e os vencedores as chutavam, fazendo com que rolassem como se fosse uma bola. Isso traduzia a força mística de uma das religiões mais antigas que é o bramanismo, segundo a qual, os homens teriam sido criados em quatro castas: os sacerdotes proveriam da cabeça de Brama; os guerreiros, do peito de Brama; os comerciantes e artesãos proveriam do abdômen de Brama e, finalmente, os parias proviriam dos pés de Brama. E nestes combates, com a parte mais vil de seu corpo (os pés), os vencedores chutavam a parte mais nobre de seus inimigos (a cabeça), demonstrando exatamente o desprezo que por eles manifestavam, fazendo rolar com chutes sucessivos a cabeça dos vencidos..."

Palestra ministrada pelo professor Inezil Penna Marinho no VI Encontro Nacional de Professores de Educação Física, realizado na cidade de Tramandaí, Rio Grande do Sul, em abril de 1980.
Extraído do livro "Inezil Penna Marinho: coletânea de textos" (2005), organizado por Silvana Vilodre Goellner.

Mas que analogia mais impressionante...

terça-feira, 19 de maio de 2009

Paradoxos...

Eu sou preciso nos meus movimentos, mas qualquer um faz qualquer coisa melhor que eu. Eu só preciso dos meus movimentos, por isso ninguém faz nada para mim. Eu suo com os meus movimentos, mas nada soa bem aos ouvidos. De tudo que eu quero, nada jamais será feito. De nada do que eu deveria querer, tudo já está realizado. Não gosto de falar, por isso escrevo. Não gosto de fazer, por isso penso. Se nada faz sentido, eu lhe dou todos. Se todos são iguais, não sou assim. Se é pra frente que se anda, então eu volto atrás. Para um lado e para o outro, sem direção. Pra se fazer o que é certo, disposição. Pra discordar de tudo isso, contradição...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A hora mais apropriada

Na escuridão da noite
Ou no clarão da madrugada?
Qual é a hora mais apropriada
Para brincar de ser adulto?

Se a noite é uma criança,
Brincando a gente faz uma.
Na madrugada não pára,
Nesse jogo ninguém separa.

São dois nessa partida,
Somente um contra o outro.
Na posição preferida,
Se faz tudo e mais um pouco.

É hora do músculo enrijecer,
Num êxtase puro de prazer.
O falo pronto para fazer,
O que o outro órgão querer.

No meu falo você cala,
No teu colo eu descanso.
Depois volta o exercício
E dessa vez eu sou mais manso.

As palavras são os estímulos,
Por isso não me calo.
Peço tudo o que quiser,
Fantasias então eu falo.

Agora mudou a posição,
Mas continua a atração.
No pé do ouvido ela vai pedindo
E para fazer eu vou sorrindo.

A noite chegando ao fim,
A madrugada aparecendo.
Se deixarem tudo assim,
Até amanhecer se vai gemendo.

Gozou, gozei, gozamos,
Mais suados nós ficamos.
Ela diz: "Eu quero mais."
Eu respondo: "Está bem, a gente faz."

No final tudo feliz,
Foi feito tudo que se quis.
Dia, noite ou madrugada,
Qualquer hora é a mais apropriada.

(Janderson Felipe)

Passando a madrugada em claro fazendo coisas.
A poesia meu povo...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Pro Poeta Safado

O sujeito é uma figura,
No sentido figurado.
Porque no sentido real,
Ele é um poeta safado.

Safado para expor qualquer negócio,
Do sexo ao amor, do trabalho ao ócio.
Tudo junto, nada separado.
Para ele qualquer assunto é adequado.

Literária é sua mente,
Totalmente marginal.
Livre de qualquer regra ou lei
Que desajusta o intelectual.

Literalmente poeta,
Creia, cria e recria.
Porque com uma mente dessa meu caro,
Qualquer assunto ou conversa vicia.

(Janderson Felipe)

Prum poeta amigo meu, Safado no nome, gênio nas palavras...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Cante lá que eu canto cá

Poeta, cantô de rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.

Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisá
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá.

Você teve inducação,
Aprendeu munta ciença,
Mas das coisa do sertão
Não tem boa esperiença.
Nunca fez uma paioça,
Nunca trabaiou na roça,
Não pode conhecê bem,
Pois nesta penosa vida,
Só quem provou da comida
Sabe o gosto que ela tem.

Pra gente cantá o sertão,
Precisa nele morá,
Tê armoço de fejão
E a janta de mucunzá,
Vivê pobre, sem dinhêro,
Socado dentro do mato,
De apragata currelepe,
Pisando inriba do estrepe,
Brocando a unha-de-gato.

Você é muito ditoso,
Sabe lê, sabe escrevê,
Pois vá cantando o seu gozo,
Que eu canto meu padecê.
Inquanto a felicidade
Você canta na cidade,
Cá no sertão eu infrento
A fome, a dô e a misera.
Pra sê poeta divera,
Precisa tê sofrimento.

Sua rima, inda que seja
Bordada de prata e de ôro,
Para a gente sertaneja
É perdido este tesôro.
Com o seu verso bem feito,
Não canta o sertão dereito,
Porque você não conhece
Nossa vida aperreada.
E a dô só é bem cantada,
Cantada por quem padece.

Só canta o sertão dereito,
Com tudo quanto ele tem,
Quem sempre correu estreito,
Sem proteção de ninguém,
Coberto de precisão
Suportando a privação
Com paciença de Jó,
Puxando o cabo da inxada,
Na quebrada e na chapada,
Moiadinho de suó.

Amigo, não tenha quêxa,
Veja que eu tenho razão
Em lhe dizê que não mêxa
Nas coisa do meu sertão.
Pois, se não sabe o colega
De quá manêra se pega
Num ferro pra trabaiá,
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mêxo aí,
Cante lá que eu canto cá.

Repare que a minha vida
É deferente da sua.
A sua rima pulida
Nasceu no salão da rua.
Já eu sou bem deferente,
Meu verso é como a simente
Que nasce inriba do chão;
Não tenho estudo nem arte,
A minha rima faz parte
Das obra da criação.

Mas porém, eu não invejo
O grande tesôro seu,
Os livro do seu colejo,
Onde você aprendeu.
Pra gente aqui sê poeta
E fazê rima compreta,
Não precisa professô;
Basta vê no mês de maio,
Um poema em cada gaio
E um verso em cada fulô.

Seu verso é uma mistura,
É um tá sarapaté,
Que quem tem pôca leitura
Lê, mais não sabe o que é.
Tem tanta coisa incantada,
Tanta deusa, tanta fada,
Tanto mistéro e condão
E ôtros negoço impossive.
Eu canto as coisa visive
Do meu querido sertão.

Canto as fulô e os abróio
Com todas coisa daqui:
Pra toda parte que eu óio
Vejo um verso se bulí.
Se as vêz andando no vale
Atrás de curá meus male
Quero repará pra serra
Assim que eu óio pra cima,
Vejo um diluve de rima
Caindo inriba da terra.

Mas tudo é rima rastêra
De fruita de jatobá,
De fôia de gamelêra
E fulô de trapiá,
De canto de passarinho
E da poêra do caminho,
Quando a ventania vem,
Pois você já tá ciente:
Nossa vida é deferente
E nosso verso também.

Repare que deferença
Iziste na vida nossa:
Inquanto eu tô na sentença,
Trabaiando em minha roça,
Você lá no seu descanso,
Fuma o seu cigarro mando,
Bem perfumado e sadio;
Já eu, aqui tive a sorte
De fumá cigarro forte
Feito de paia de mio.

Você, vaidoso e facêro,
Toda vez que qué fumá,
Tira do bôrso um isquêro
Do mais bonito metá.
Eu que não posso com isso,
Puxo por meu artifiço
Arranjado por aqui,
Feito de chifre de gado,
Cheio de argodão queimado,
Boa pedra e bom fuzí.

Sua vida é divirtida
E a minha é grande pená.
Só numa parte de vida
Nóis dois samo bem iguá:
É no dereito sagrado,
Por Jesus abençoado
Pra consolá nosso pranto,
Conheço e não me confundo
Da coisa mió do mundo
Nóis goza do mesmo tanto.

Eu não posso lhe invejá
Nem você invejá eu,
O que Deus lhe deu por lá,
Aqui Deus também me deu.
Pois minha boa muié,
Me estima com munta fé,
Me abraça, beja e qué bem
E ninguém pode negá
Que das coisa naturá
Tem ela o que a sua tem.

Aqui findo esta verdade
Toda cheia de razão:
Fique na sua cidade
Que eu fico no meu sertão.
Já lhe mostrei um ispeio,
Já lhe dei grande conseio
Que você deve tomá.
Por favô, não mexa aqui,
Que eu também não mêxo aí,
Cante lá que eu canto cá.

(Patativa do Assaré)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Visões diárias...

No dia-a-dia, no corre-corre, no vai-e-vem, ainda é possível ver por aí imagens belíssimas. São paisagens singelas, bucólicas, parnasianas da nossa natureza. Mesmo com todo o cinza dos prédios e o negro dos asfaltos, ainda podemos ver lindas imagens que realçam a beleza e a simplicidade da natureza. O azul, o branco, o verde, o marrom refletem o mais belo que pode existir por aí. São cenas que deveriam ficar guardadas para sempre, em molduras nas paredes das casas, são obras eternas. O céu, a nuvem, a árvore, o pássaro, a flor, não tem nada igual. Para mim ficam emolduradas sim, na janela do ônibus, do quarto, do carro, eu vejo tudo enquadrado. São visões diárias que quase ninguém percebe, já eu, deslumbro...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Que engodo...

E neste exato instante, o que é já deixou de ser e o que já tinha deixado de ser volta a ser o que era antes. E agora, como eu saio desse engodo?...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O bagulho é segredo...

Foi tudo na semana passada, eu liguei pra encomendar o bagulho. Marcamos um encontro em um local público, pra não causar estresse. Chegando lá, mais uma ligação para confirmar quem era o figura. O figura tratava-se de um sujeito de estatura mediana, cor da pele bem morena, cabelo curto e bigode inconfundível. Quando dei de cara com o cara, já sabia que ele era dos meus. O papo estendeu-se por alguns minutos, tudo para disfarçar o real sentido daquele encontro, conversa baixa pra não incomodar e nem levantar suspeita de ninguém. Ele me mostrou a parada, tinha muitas, todas eram da boa. Experimentei alguns e decidi levar duas, uma grande e uma pequena. Conversamos mais um bocado e nos despedimos com aquele ar de até breve. Quando tava saindo percebi que outro sujeito nos olhava, era aquele mesmo sujeito que estava sentado lendo seu livro (talvez um ator que decorasse sua fala da peça) na hora que cheguei. Será que ele percebeu algo? Não dei muita moral, saí logo fora, se tivesse que acontecer algo eu resolveria depois. Cheguei em casa animado pra experimentar o bagulho, o bagulho era louco mesmo, gostei mesmo de ter comprado. Gostei tanto que até resolvi marcar outro encontro com o cara para desfrutar de mais. Ontem mesmo eu liguei novamente pra ele, outra vez marquei um encontro em local público. Dessa vez cheguei uns 10 minutinhos atrasado, o cara já tava lá me esperando, mais uma vez ele trouxe das boas. Nosso papo foi mais rápido, pois estava apressado, disse à ele que iria pro trabalho, mas na verdade queria era correr pra casa pra experimentar o bagulho de novo. Mas antes de sair, percebi que novamente tinha alguém observando toda a nossa conversa, agora tratava-se de uma mulher que estava de pé, assim perto da gente. No primeiro instante ela não levantou suspeita, mas quando estava saindo percebi o seu olhar de desprezo para mim. Enfim, mais uma vez não liguei pra quem nos olhou, havia comprado só um mesmo, mas esse era dos grandes. Cheguei em casa e me realizei com o bagulho, viagem total. Estava eu lá trancado em meu quarto, desfrutando da nóia, de repente batem à minha porta. Escondo rapidamente o bagulho e pergunto: "Quem é?", com uma voz bem séria. Respondem com uma voz alta e mais séria do que a minha: "Abra essa porta, é a polícia". Eram eles, me pegaram em flagrante, deram algumas bofetadas para me intimidar e me levaram pra cá, pra viatura. Nesse momento estou algemado, na parte de trás e à caminho da delegacia, provavelmente serei encarcerado. Quanto ao bagulho doido, ah, infelizmente vocês vão ficar sem saber, acabaram de abrir a porta pra mim descer e vão me levar lá pra dentro. Fica pra próxima...

sábado, 4 de abril de 2009

Tava querendo sair por aí...

Tava querendo sair por aí, encontrar novos lugares, fazer coisas diferentes, encontrar novas pessoas, descobrir velhas histórias da gente. Queria ver o mar e saber como ele era antigamente, queria ouvir a Bossa Nova que há muito é usada. Queria ouvir a banda que tocou nos anos sessenta e saber por qual razão ela ainda hoje se sustenta. Tava querendo sair por aí, ver gente das antigas que há muito não converso, brincar com aquele jogo que há muito foi sucesso. Queria ler aquele livro todo, que todos dizem ser a verdade e descobrir o porquê que ele mexe com a humanidade. Queria ver o céu e saber porque ele é azul, queria ver a lua e descobrir seu lado escuro, queria ser menino para andar naqueles muros. Tava querendo sair por aí, sem saber ao certo o que fazer, caminhar ao longo de uma estrada, sem saber o ponto certo da chegada. Queria fugir disso aqui, não aguento mais tanta pressão, queria encontrar novos rumos, procurar uma solução. Tava querendo sair por aí, mas não tenho coragem, acho que vou ficar aqui mesmo, no chão da minha cidade. Tava querendo sair por aí, descobrir todo um novo mundo, mas prefiro voltar e ficar na minha casa. Tava querendo sair por aí, tentar descobrir quem é que me ama, mas resolvi ficar aqui mesmo, na segurança da minha cama...

A esperança não me esperou

A esperança não me esperou,
A linda flor não desabrochou.
Aqueles sonhos foram embora
E já não sei o que fazer agora.

O que fazer com tanto amor,
Se já não tenho minha flor.
Lágrimas descem dos espinhos
E será que ficarei sozinho?

O sangue escorre na mão,
O amor foi ao chão,
A vida não tem mais razão.

O sonho acabou,
A tristeza chegou
E a minha esperança não me esperou.

(Janderson Felipe)

Sem esperar a esperança, escrevi esse poema. Espero que gostem...

Como dois e dois



Quando você
Me ouvir cantar
Venha não creia, eu não corro perigo
Digo, não digo, não ligo, deixo no ar
Eu sigo apenas porque eu gosto de cantar
Tudo vai mal, tudo
Tudo é igual quando eu canto e sou mudo
Mas eu não minto, não minto
Estou longe e perto
Sinto alegrias, tristezas e brinco
Meu amor
Tudo em volta está deserto, tudo certo
Tudo certo como dois e dois são cinco
Quando você
Me ouvir chorar
Tente, não cante, não conte comigo
Falo, não calo, não falo, deixo sangrar
Algumas lágrimas bastam pra consolar
Tudo vai mal, tudo
Tudo mudou, não me iludo e contudo
É a mesma porta sem trinco, o mesmo teto
E a mesma lua a furar nosso zinco
Meu amor
Tudo em volta está deserto, tudo certo
Tudo certo como dois e dois são cinco

(Caetano Veloso)

Pra comprovar que a parceria dos caras é antiga. Nesse vídeo eles cantam no programa de Roberto Carlos a música "Como dois e dois", que Caetano escreveu e Roberto gravou no seu CD de 1971...

Roberto Carlos ou Caetano Veloso?...

Não importa quem escreveu a canção, o que importa é que pros dois sempre dois e dois vão ser cinco. E juntando ambos, sempre teremos mais que dois, é só lembrar das muitas faces, formas de cantar e os cabelos que eles criaram durante a carreira. Não interessa quem compôs ou deixou de compor uma música, o que interessa é que eles escreveram diversas músicas e muitas de excelentes letras, belíssimas letras, simples, porém lindas. Também não dá pra compará-los, dizer quem foi o melhor, não existe melhor quando se fala de dois dos maiores cantores da música popular brasileira que, inclusive, a muito tempo são parceiros. Um já escreveu música pro outro, o outro já escreveu música pro um e assim foi a carreira deles, de muitos encontros, o último pra cantar a Bossa Nova, que já não tá mais tão nova assim, passando dos 50. Roberto e Caetano, são muito mais que dois e dois...

segunda-feira, 30 de março de 2009

"A cidade não pára, a cidade só cresce"...

Bela Fortaleza bela. Continuo aqui, agora pra falar do crescimento descontrolado dessa cidade que se transformou numa grande metrópole brasileira. Eu adoro essa cidade, a minha cidade, tão linda, mas que a cada dia vai enfrentando mais problemas de crescimento e de poluição.
Na minha visão, Fortaleza, nos últimos 5 anos, literalmente inchou. Isso mesmo, inchou. É só reparar na quantidade de carros que estão circulando nas nossas ruas. Cara, tá virando coisa de outro mundo, outro mundo não, outras cidades. Num tá assim um tráfego terrível como São Paulo, mas se não cuidarmos talvez chegue lá.
O número de engarrafamentos aumentou, todo santo dia das 6h da manhã até por volta das 8h30min, e de 18h às 20h, o trânsito tá um caos. Só pra vocês terem uma idéia, antes pra mim chegar na aula do CEFET, que fica no bairro do Benfica que é vizinho ao meu, o ônibus demorava cerca de 5 minutos. Mas agora pra chegar na faculdade, que fica no mesmo bairro, a jornada chega a cerca de 15 minutos. E nos dias de chuva, basta dá aquela chuvinha característica de 1º semestre nas manhãs de Fortaleza que fica tudo alagado. Quem precisa se deslocar de automóvel para a aula, o trabalho, a reunião, pode ter certeza que vai se atrasar pelo menos uma meia horinha.
"A cidade não pára, a cidade só cresce", e nesse ritmo de crescimento a poluição também vai aumentando. É muito a quantidade de lixo que tem nas nossas ruas cara, é só reparar agora ao seu redor quando estiver numa parada de ônibus, veja só a quantidade de lixo no chão. Muitas vezes acho que é a própria falta de educação das pessoas daqui e num é à toa que a EMLURB (Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização) afirmou que todo dia tira 17 toneladas de lixo dos nosso bueiros, assim é de lascar né galera? Cara, o que custa comer, nem que seja um bombomzinho e jogar o papel no lixo? Há muito eu aprendi a não jogar mais lixo nas ruas, quando num tem lixeira, guardo o papel no bolso e só jogo fora quando vejo uma, mas vejo cada barbaridade por aí, sei não viu.
Fortaleza, terra da LUZ, linda cidade, cresceu, e se não tomarmos cuidado a situação só tende a piorar. Faço a minha parte, ainda que modestamente, mas se cada um dos habitantes desta cidade se conscientizarem de fazer um pouquinho por ela, teremos para sempre uma cidade conservada e sempre bela. Caso contrário a LUZ da cidade pode apagar por falta de preservação dos seus bens...

Versando sobre educação...

Lendo sobre a história da educação no Ceará para a escrita de minha monografia e viajando nos pensamentos e ideais da época do Império, cheguei a conclusão que a educação de hoje apresenta muitas similaridades com a daquele tempo.
A educação no Império era uma porcaria e ainda hoje ela vive numa agonia. Na Constituição de 1824 foi previsto que todo o ensino primário (Ensino de Primeiras Letras) será gratuito para todos. Beleza, um passo a frente na nossa educação, mas com a abertura de diversas escolas, todo e qualquer cidadão podia ensinar a ler e escrever.
Havia o ensino primário para as crianças, mas, pelo menos no Ceará, até o ano de 1884 não existia nenhum estabelecimento de ensino que formasse professores para lecionar na educação básica. A primeira escola criada para este fim foi a Escola Normal do Ceará (escola escolhida para eu estudar e falar da história das suas aulas de Educação Física), grande celeiro de formação, principalmente, de professoras. Mas aí é que tá, mesmo com esse avanço na nossa educação, ainda permaneciam os problemas, e muitos problemas.
Nos livros que estou lendo, escritos pela professora Ercília Braga (professora do curso de Pedagogia e pós-graduação da UFC, e talvez, quem sabe, minha orientadora na monografia) intitulados "Tinta, papel e palmatória: A escola no Ceará do século XIX" e "Formação Integral do Educando no Tempo da Escola Normal" que versam sobre o tema, existem muitos documentos (cartas, jornais, regulamentos) que comprovam as dificuldades da educação cearense daquela época.
Vale ressaltar que os principais favorecidos com a abertura da Escola Normal foram os filhos e, principalmente, as filhas da elite e das famílias mais influentes do estado, ou seja, esta educação não era pro povão. Coisa não muito diferente acontece ainda hoje, onde os principais acessos à educação superior vêm dessa elite.
Um grande problema que persiste até hoje é a pouca remuneração dada aos nossos professores, heróis que tratam de formar nosso povo, continuam tendo o seu trabalho desvalorizado atualmente.
Tanto naquela época como hoje continuam a faltar os materiais didáticos adequados e os próprios móveis das escolas, isso continua muito presente nesse Brasilzão afora, principalmente nas cidades interioranas mais afastadas, é só ver quase que diariamente nos jornais o descaso que ocorre em muitas escolas.
Outra coisa que vale ser lembrada é da "importação" de métodos de ensino, naquele tempo os nossos intelectuais iam estudar fora e traziam prontinhos as novas técnicas de ensino para serem aplicadas nas nossas escolas, sem ao menos verificarem se elas seriam adequadas ou não para a realidade daqui. Até hoje a metodologia que guia o ensino das escolas brasileiras, que são os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), também foram "importados" da Espanha. Os PCNs chegam a ser contraditórios, já que procura padronizar o ensino nacional, mas ao mesmo tempo dando brecha para as escolas agirem de acordo com suas necessidades, comé que pode isso? O próprio co-autor do capítulo sobre Temas Transversais dos PCNs, Yves de La Taille, afirma que os PCNs: "é uma proposta sofisticada que não se transformou em realidade."
Isso tudo é só pra chegar na relação ainda muito existente entre nossa educação do passado e a atual e pra gente perceber que a nossa educação continua atrasada em termos de valorização do nosso ensino. Muitas atitudes, digamos, revolucionárias e aceitáveis nas escolas estão aí para modificar esse quadro, mas muitas delas passam por chacotas por serem consideradas muito utópicas. Mas qual grande mudança não começou com uma utopia?...

quinta-feira, 26 de março de 2009

Além da dualidade

Mente sã
Em corpo são,
Escrito em sânscrito.
O que já foi escrito
Volta à tona,
As teorias na lona.
Positivo não é quântico,
Barroco não é romântico.
Todo não é parte,
Ciência não é arte.
Além da dualidade,
Tudo e nada viram complexidade.
Além da dualidade,
Amor e ódio viram cara metade.
Várias variáveis,
Idéias questionáveis.
Sabemos o que somos,
Mas não o que podemos ser.
Sai desse labirinto,
Adentra outro recinto.
Sai desse cativeiro,
Seja integral, íntegro, inteiro.

(Janderson Oliveira)

Poesia fresquinha, acabando de sair do forno da minha cabeça. Nos últimos dias lendo muito sobre tipos de conhecimento e suas diversas teorias, saiu isso aí. Não interessa em que você acredita, apenas acredite, ou não acredite em nada...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Que papo é esse?



Eu vou cantar
Sussurrar no teu ouvido
Uma loa de maracatu
Que é pra tu se admirar
Oi mulher
Que papo é esse?
O que é que há?
Oi mulher
Canta comigo balança
Se entrar na dança não pode parar
Senta a mão
A tinta vai descascar
Sai do chão
Poeira vai levantar
Senta a mão
A tinta vai descascar
Romã, romã, mandou mandar
Eu vou mandar você bater na lata
Pra tirar o som
Pra tirar o som você vai bater na lata
É massa bater na lata
A lata que se amassa
A massa que se agita
A gente grita:
- Ela é bonita
Com seu "vuco-vuco" ligeiro e medonho
Lá vai Zefinha e Antônio
Debaixo daquele capucho
Voltou Zefinha com um bucho
Pra mais um
Tonho chegar
Na lata de Pajeú
Fez seu primeiro tambor
A loa que ele soprou
Eu vou agora sussurar
Oi mulher
Que papo é esse?
O que é que há?
Oi mulher
Canta comigo balança
Se entrar na dança não pode parar

(Orlângelo Leal)

É do Siará, é nosso. Grande banda daqui do nosso estado que tira um som muito bom e contagiante. Poesia, teatro, dança e música, tudo junto e bem humorado, isso é Dona Zefinha. O vídeo é da música "Que papo é esse?", música da Dona Zefinha com participação especial da Banda de Lata de Todas as Cores...

segunda-feira, 23 de março de 2009

EGO-centrismo...

Eu estou aqui para ser visto e ouvido. Não me interessa ficar do lado de fora, eu tenho que estar no centro. As luzes são aqui oh, em mim, o escuro não me agrada, pois ele me cega. "Às vezes acho que o centro do universo tá no meu umbigo." Olhe que isso não é pretensão, só quero que olhem para mim. Não apenas 15 minutos de fama, mas o tempo todo, este é o meu tempo. Me desculpem se o meu ego está inflado, mas ele está necessitado. No centro, no meio de tudo só eu. "Acho que alguém aqui pirou, eu ando desconfiado que esse cara sou eu."
Inda bem que num sou assim oh, acho que era tudo engano, insano...

segunda-feira, 16 de março de 2009

A educação física e as mídias...

Um novo fator que está relacionado com a cultura corporal do movimento contemporânea são as mídias. Estas estão passando, cada vez mais, para as novas gerações, conteúdos que contemplam o esporte espetáculo, o que torna as crianças e adolescentes mais telespectadores do que propriamente participantes dos esportes em geral.
Cabe à educação física escolar uma nova competência pedagógica, que é a de contribuir para a formação crítica, inteligente e sensível dos seus alunos frente às produções realizadas pela mídia no âmbito da cultura corporal do movimento. Ou seja, cabe a nós professores de educação física garantirmos o acesso das crianças e jovens às mídias, porém passando uma visão crítica da realidade sobre aquilo que eles estão consumindo dos meios de comunicação.
Não cabe falar em educação nas mídias e com as mídias quando se trata a educação física escolar em apenas duas óticas: compensatória/terapêutica ou esportivização. No primeiro caso a educação física teria como objetivo a saúde e o estilo de vida ativo dos praticantes e no segundo caso a educação física é vista como base para formação de atletas.
Desta maneira a educação física escolar então tende a extinguir-se, pois esta não conseguiria concorrer com clubes e academias que tratam de melhorar a qualidade de vida das pessoas e, portanto, não caberia falar de uma educação física compensatória/terapêutica na escola. Quando se fala na esportivização, é óbvio que a educação física escolar apontaria para um retrocesso, já que esta já havia superado a unanimidade do esporte de rendimento nas suas aulas.
A incorporação da televisão e de vídeos ao ensino da educação física pode até trazer muitas vantagens para o aprendizado dos alunos, bastaria o professor utilizar a perspectiva da vivência/conhecimento/reflexão. No entanto, haveria a dificuldade em localizar e obter vídeos adequados, pois as matérias midiáticas que contemplem uma reflexão sobre a educação física são poucos presentes na TV aberta.
Esta proposta de utilizar a TV e vídeos nas aulas de educação física seria algo inovador e bem interessante, pois ao mesmo tempo em que estaríamos dando "um tempo" na prática, teríamos a capacidade de trabalhar os diversos outros temas que abrangem o conteúdo da educação física. Creio que também seria menos cansativo para os alunos do que assitirem somente à aulas expositivas, dessa maneira, visualizando o conteúdo através de imagens de TV, acho que seja mais atraente para eles. O único problema para essa metodologia nas aulas de educação física é realmente a falta de material que contemple os conteúdos a serem trabalhados.
Texto adaptado de resumo escrito para a disciplina de Educação Física no Ensino Fundamental e Médio do Curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade Federal do Ceará...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Diferente, não é igual?...

"Todos iguais e tão desiguais, mas uns mais iguais que os outros...", "O que faz as pessoas parecerem tão iguais? O que fazem as pessoas para serem tão iguais?...". Nesse mundo de modismo e padronização de tudo, cada vez mais a moda é ficar todo mundo igual. Igual no estilo de se vestir, no jeito de falar, no estilo de cabelo. Se tem que imitar a novela da Globo, todo mundo vai e imita, se tem que virar "emo", todo mundo vai lá e vira, se tem que dançar o CREU, todo mundo vai e dança.
Pô, cada um faz da sua vida o que quiser, mas num precisa ser marionete que só vai sendo comandado por um poder maior. Esse poder, talvez o quarto poder, pode ser a mídia, manda e desmanda onde e em quem quiser. Pô galera, vamos ser mais críticos na hora de escolher nossos modos de se apresentar, pra que seguir a mesma linha de todos? O pior, é que quando a pessoa quer fazer algo diferente do "normal", do igual, ela acaba sendo tachada de anormal, de diferente, é isso que lasca.
Mais uma vez volto as palavras de Bob Marley: "Enquanto vocês riem de mim por eu ser diferente, eu rio de vocês por serem todos iguais." Nesse mundo de desigualdades sociais e igualdades supérfluas, eu só quero mesmo uma igualdade. A igualdade de direito para todos, inclusive para aqueles ditos "diferentes"...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Era tudo mentira...

De todas as palavras mencionadas, faladas, expressas, escritas por esta pessoa que vos fala, esqueça, pois era tudo mentira. Todas as palavras ditas sobre o amor, sobre a felicidade, sobre a alegria, todas não passavam de meras bobagens a serem ditas para impressionar. De todas as críticas postas, os versos de justiça, as frases contra o sistema, tudo não passava de mentira, era tudo dito para querer esconder o meu verdadeiro caráter.
Os sonhos de mudança social, a guerra contra o preconceito, a tentativa de igualdade, a busca por uma educação melhor, o respeito entre as religiões, a esperança em ver o homem como um ser melhor, a crítica contra a mídia, a descrença no dinheiro, a expectativa de encontrar a verdade, o ideal do amor, o combate à destruição da natureza, as palavras contra os políticos, a sede de esperança, esqueça tudo isso, era tudo mentira.
Todas essas idéias propostas, faladas, comentadas não passavam de farsa para esconder a minha realidade, a minha verdadeira visão de mundo. Esqueça os beijos e abraços, os desejos de paz e amor, as palavras doces para acalentar, tudo que eu queria era dizer o oposto disso tudo e só agora tenho coragem para revelar isso. Esse carinha que diz gostar de carinho, só quer ver o mal para os outros. Essa pessoa que se faz de amigo, não passa de ser o seu primeiro inimigo.
Esqueça tudo que foi falado ou escrito por mim até hoje, pois era tudo mentira...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Desligue a TV



De vez em quanto olhe um pouco pro céu
De vez em quando pise com o pé no chão
De vez em quando dê um grande sorriso
De vez em quando encare a cara do mundo
De vez em quando abrace e beije o que der
De vez em quando tome um banho de mar

Desligue a tv que o que você vê
Pra viver não é preciso

De vez em quandosinta o seu coração
De vez em quando se apaixone demais
De vez em quando chore um pouco também
De vez em quando fique um pouco sozinho
De vez em quando caia na multidão
De vez em quando faça o que bem quiser

É como diz o ditado:
- Não fazer nada fica mal acostumado

De vez em quando pense no seu futuro
De vez em quando olhe pro seu passado
De vez em quando saiba quem você é
De vez em quando use bermuda e chinelo
De vez em quando faça uma viagem
De vez em quando faça versos de amor

Desligue a tv que o que você vê
Pra viver não é preciso

De vez em quando sinta o cheiro da chuva
De vez em quando tome um vinho num bar
De vez em quando um bom livro pra ler
De vez em quando é bom sair do casulo
De vez em quando o balanço da terra
De vez em quando o balanço do mar

É como diz o ditado:
- Não fazer nada fica mal acostumado
Desligue a tv que o que você vê
Pra viver não é preciso

(Beto Brito)

Um dia desses aí eu entrei no Orkut e tinha um recado lá pra mim desse cara, Beto Brito. Ele pediu pra mim dá uma olhada no trabalho dele que está no site www.betobrito.com, eu entrei no site e simplesmente me apaixonei pelas músicas do cara. Uma mistura de forró com rock, guitarra com rabeca, tudo acabando no seu "Imbolê", mas uma mistura ótima da música brasileira. Poisé, entrem no site e descubram a música de Beto Brito, esse vídeo aqui é da música "Desligue a TV" (o que você vê pra viver não é preciso), desfrutem bem...

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Cheguei aos 21...

Ontem cheguei aos 21 e o terceiro passo foi dado em minha jovem vida. Daqui pra frente creio que vai ser tudo mais difícil, mais preocupações, mais responsabilidades, a adultez definitivamente chegou e já sou um homem feito.
Há 21 anos eu estava nascendo, nem no dia 19 e nem no dia 21, mas no dia 20 de fevereiro, um número fechado. Dizem que sou do signo de Peixes, se bem que não acredito muito nessas coisas, mas as características desse signo encaixam na minha personalidade. Todo pisciano é sonhador, sensível, chorão e não sou muito diferente disso não.
Nasci no período do carnaval, mas não sou nada carnavalesco, nada folião. Não gosto da algazarra, da folia, prefiro o silêncio da calmaria. "Dançamos no silêncio, choramos no carnaval" e isso quase que é verdade para mim.
Ontem eu ganhei muitos presentes, muitas coisas materiais, mas sem sombra de dúvidas os principais presentes foram as palavras. Palavras sinceras vindas de uma pessoa sincera e que é a que eu mais amo na minha vida, a pessoa mais importante para mim. Essa pessoa não gosta muito de expor seus sentimentos, mas quando faz isso, só falta me matar de alegria e de emoção. Só ela sabe quem eu realmente sou de verdade, só ela entende esse pobre sonhador, só ela entende meus códigos, só com ela sei me livrar das minhas angústias. Com ela eu tenho afeto, afago, afinidade, amor. Obrigado por tudo, você que me ama de verdade.
Para o próximo aniversário só queria uma coisa, queria que as pessoas fossem mais parecidas comigo, não iguais é claro, mas pelo menos parecidas. Queria que as pessoas fossem menos egoístas, mais generosas. Menos más, mais afáveis. Menos preconceituosas, mais verdadeiras. Só por um dia queria que as pessoas amassem a todas e soubessem respeitar as diferenças, aí sim elas veriam que esse é o caminho certo para o futuro dessa humanidade tão desorientada. Sei que isso é impossível nos dias de hoje, mas ainda tenho esperança nesse bicho chamado "ser humano".
Retribuo a todos as palavras que desejaram para mim neste meu aniversário, muitas felicidades, saúde, amor e muito, mais muito mais para todos nós...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O que você vai ser quando você morrer?...

E aí, quem estará vivo para responder esta pergunta? O que você vai ser quando você morrer? Andei pensando e existem várias opções para este fato de nossas vidas, ou, de nossas mortes. Você pode simplesmente querer ser enterrado numa vala comum (“sem discurso liberal”), você que tem uma graninha a mais pode optar por um túmulo bonito para ficar lá pra sempre ou até tirarem seus restos mortais de lá. Também tem a opção de ser cremado, aí você pode ser jogado num lago, no mar ou pode ficar guardado numa caixinha para sempre com sua família. Lendo umas coisas por aí, descobri algo surpreendente sobre a morte, ou sobre o após morte, você sabia que agora você pode pagar (ainda em vida é claro) para suas cinzas serem jogadas no espaço? É meu amigo, isso já existe sim.
Vixe, relendo esse parágrafo aí em cima pensei, até na morte existem diferenças econômicas, os menos favorecidos são enterrados em qualquer cova por aí, agora os ricos, já que com certeza deve ser caríssimo enviar seus restos mortais para lá, já podem ficar para sempre viajando sem rumo pelo universo afora, ou pelo menos as suas cinzas.
Ainda tem outra opção, a mumificação. Aqueles que como vários povos de antigamente acreditam que podem voltar a viver, é só se conservar naquele monte de pano. E os que acreditam em espíritos, almas ou coisas parecidas? Seus corpos irão ficar e automaticamente sua alma vai vagar por aí até encontrar outro abrigo? Ou aqueles que como Jesus, acham que vão ressuscitar, o catolicismo realmente prega isso?
Para não entrar em questões religiosas, prefiro ficar apenas na minha vã filosofia que talvez para muitos não sirva pra nada, mas pra mim serve muito. E aí, já escolheu o que você quer ser quando morrer? Prefiro apenas continuar vivendo esta vida que como já disse muitas vezes, tenho apenas essa pra ser vivida. A morte? Ah a morte, enquanto muitos pensam no após a morte, tô nem aí pra isso, é só esperar ela chegar e olhe que um dia ela chega, pode vir devagar, mas pode chegar daqui a pouco, é só o fim dessa coisa maravilhosa que é a vida, nada mais...

Eu também vou reclamar



Mas é que se agora
Pra fazer sucesso,
Pra vender disco
De protesto
Todo mundo tem
Que reclamar.

Eu vou tirar
Meu pé da estrada
E vou entrar também
Nessa jogada
E vamos ver agora
Quem é que vai güentar.

Porque eu fui o primeiro
E já passou tanto janeiro,
Mas se todos gostam
Eu vou voltar.

Tô trancado aqui no quarto
De pijama
Porque tem visita estranha na sala
Aí eu pego e passo
A vista no jornal.

Um piloto rouba um "mig",
Gelo em Marte, diz a Viking,
Mas no entanto não há galinha em meu quintal.
Compro móveis estofados,
Me aposento com saúde
Pela assistência social.

Dois problemas se misturam
A verdade do Universo
A prestação que vai vencer.
Entro com a garrafa
De bebida enrustida
Porque minha mulher
Não pode ver.

Ligo o rádio
E ouço um chato
Que me grita nos ouvidos
"Pare o mundo
Que eu quero descer".

Olho os livros
Na minha estante
Que nada dizem de importante,
Servem só prá quem
Não sabe ler.

E a empregada
Me bate à porta,
Me explicando
Que tá toda torta
E já que não sabe
O que vai dá prá mim comer.

Falam em nuvens passageiras
Mandam ver qualquer besteira
E eu não tenho nada
Pra escolher.

Apesar dessa voz chata
E renitente
Eu não tô aqui
Pra me queixar
E nem sou apenas o cantor.

Que eu já passei
Por Elvis Presley,
Imitei Mr. Bob Dylan and you know
Eu já cansei de ver
O sol se pôr.

Agora eu sou apenas
Um latino-americano
Que não tem cheiro
Nem sabor.

E as perguntas continuam
Sempre as mesmas,
Quem eu sou?
Da onde venho?
E aonde vou, dá?
E todo mundo explica tudo
Como a luz acende
Como um avião pode voar.

Ao meu lado um dicionário
Cheio de palavras
Que eu sei que nunca vou usar.

Mas agora eu também resolvi
Dar uma queixadinha
Porque eu sou um rapaz latino-americano
Que também sabe
Se lamentar.

E sendo nuvem passageira
Não me leva nem à beira
Disso tudo
Que eu quero chegar.
-E fim de papo!

(Raul Seixas / Paulo Coelho)

Para mim, com certeza esse foi o primeiro cara rock n' roll que eu escutei na vida. Quando eu ainda era menino vivia cantarolando por aí "Quem não tem colírio usa óculos escuro", sabia nem de quem era a música. Aí num aniversário meu, acho que de 1996, no auge dos meus oito anos ("Oh que saudades que tenho da aurora da minha vida...) ganhei um CD da minha tia, era uma coletânea com os grandes sucessos de Raul. Pronto, a partir daí num parei mais de ouvir e tocar Raul, já ouvi de tudo dele, tanto os sucessos quanto o "lado B", Raulzito e os Panteras (comportado feito os Beatles, depois virou maluco beleza), cantou músicas do Elvis e até em espanhol descobri que o cara gravou. E é bom que o cara num ficou só no rock (ele que foi um dos pioneiros do gênero no Brasil), passou pelo baião, brega, forró e até toques de macumba também. Realmente esse cara foi um dos grandes da nossa música. Essa música aí chama-se "Eu também vou reclamar" do "lado B" do Raul, dê uma olhada no clipe, alright...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Só algumas coisas sobre mim...

A minha vida é vivida a passos lentos, lentos mais que sempre chegam lá. Os passos sempre chegam ao caminho certo, mesmo dando voltas demais para chegar. A minha vida realmente é diferente, o mais difícil é muito fácil e o mais fácil é muito, mais muito difícil mesmo. O que era pra ser mais fácil, como ter um pai, é uma coisa bem difícil pra mim, ora bolas, todo mundo tem um pai, é tão normal. Mas eu não, aos 5 eu já não tinha mais pai e nunca ninguém ocupou esse espaço, não sei se isso foi bom ou ruim. O que era pra ser tão difícil, como passar numa instituição pública de ensino, foi tão fácil pra mim, passei logo foi em duas. Sem esforço algum passei no Ensino Médio (CEFET-CE) e no Ensino Superior (UFC) e sem estudar quase nada, só fiz as provas com o pouquinho que sabia e quando saiu o resultado estava lá a surpresa: APROVADO. Eu sou tão assim, digamos, sortudo, quando eu menos espero as coisas boas acontecem na minha vida, do nada, mas sempre está ocorrendo coisas ruins também, não quero falar sobre isso, mas dia-a-dia as coisas ruins acontecem na minha vida e é logo com as pessoas que estão perto de mim, mas isso não quero falar. Apesar de tudo eu posso dizer que sou uma pessoa muito feliz e que adora e ama a vida, afinal de contas temos apenas uma pra ser vivida. E ela deve ser bem vivida, especialmente com aquelas pessoas que nós amamos e olhe que eu amo muita gente, mais muita gente mesmo, é que muitas vezes não sei demonstrar esse amor, talvez sinta vergonha de demonstrar, mas espero que chegue um dia que eu possa sair falando pra todos que eu gosto: eu te amo. Enquanto isso sigo minha vida de pensador/sonhador, adorando o meu jeito de ser, sem precisar usar nada (nada que eu digo são drogas, álcool, ou coisa parecida) pra me sentir mais feliz e disposto a continuar vivendo, querendo sempre ajudar um amigo que precisa e esperando pra ver as surpresas que continuarão a aparecer no meu caminho...

Eles lá e eu cá

Enquanto eles roubam lá em cima,
Eu apenas observo aqui embaixo.
Enquanto eles pedem milhões emprestados,
Eu estou no sinal pedindo trocados.
Enquanto todo dia eles mentem na televisão,
Eu só queria que eles investissem em educação.
Enquanto eles escondem a sujeira embaixo dos tapetes,
Eu vivo na sujeira e já me faltam alguns dentes.
Enquanto eles brigam chamando o outro de ladrão,
Eu brigo com meus irmãos por um prato de feijão.
Enquanto eles não são cassados pela ordem judicial,
Eu sou caçado e visto sempre como um animal.
Enquanto eles estão cercados de luxo,
Eu tenho que procurar minha comida no lixo.
Enquanto eles pedem tempo para se defender,
Eu fico aqui por baixo esperando o que vai acontecer.
Enquanto cada um deles continua feliz,
Eu só quero ter um jeito de mudar o meu país.
Enquanto eles não estão presos no canil,
Eu ainda quero ser o futuro do Brasil.

(Janderson Oliveira)

Já faz tempo que escrevi essa poesia, que na verdade não é nem poesia, é uma crítica mesmo. Foi logo quando descobri o prazer de escrever e inspirado no escândalo do mensalão e na letra da música "Vossa Excelência" dos Titãs escrevi isso aí, o grande contraste que existe entre aqueles que governam o nosso país e aqueles que passam os dias "Nas esquinas e nos sinais". E como esse contraste se espalha não só pelo Brasil, mas pelo mundo todo, deve ser por isso que ela foi classificada para o projeto Latinidade Poética...

Arma do bem

Descobri uma nova arma,
Mas essa não machuca ninguém.
Pelo contrário, ela só traz o bem.
Com ela eu posso atirar para todo lado
E quem for atingido passa a ser meu aliado.
Essa arma de que falo é o amor,
Que na verdade é muito mais que um sentimento,
Ele passa a ser um comportamento.
Ou melhor, uma forma de se viver,
Sempre disposto a respeitar e acolher.
Essa arma tem muito a nos oferecer,
Pois não importa a sua idade
Ela sempre trará paz, alegria e felicidade.
Atire em quem você quiser e não se decepcionará.
Quem for atingido será feliz e começa a te amar.
O amor não é sofrer,
O sofrer não é amor.
Quem ama não sofre,
Quem sofre não ama.
Então quando você me encontrar,
Não hesite, você pode atirar
E mais um grande amor você irá ganhar.

(Janderson Felipe)

Escrevi essa poesia no começo de 2008, num período em que falei muito de amor nas minhas poesias (quer dizer, eu sempre estou falando de amor). Vendo na TV sempre reportagens sobre a violência nas nossas cidades, tiros, armas e mortes, pensei: se existe tanta arma matando por aí, então por que não uma arma do bem? Juntei os pensamentos e saiu isso aí. Agora com o convite para a Antologia Amor e Paixão vi que essa era a poesia que tinha mais a ver com o tema e felizmente fui classificado para fazer parte do livro...

Oh felicidade...

Uruuuuuuuuu, muito feliz por ter duas poesias escolhidas para fazerem parte de livros. Nesse mês de janeiro recebi dois convites para participar de projetos coletivos de criação de livros. O primeiro deles foi a “Antologia de Prosa e Poesia ‘Amor e Paixão’”, idealizada pelo site celeirodeescritores.org que produz diversos livros desta maneira. O outro foi o projeto “Latinidade Poética – O melhor de poesia latino-americana” idealizado pelo escritor e jornalista uruguaio Marcelo Puglia. Mandei uma poesia para cada projeto, sem muita confiança de ser classificado, mas felizmente fui classificado para ambos os projetos e agora estou muito feliz por ter duas poesias publicadas, será o primeiro passo para o meu livro autoral? (Falta só a grana). Enfim, para a Antologia Amor e Paixão enviei a poesia “Arma do bem” e para o projeto Latinidade Poética enviei a poesia “Eles lá e eu cá” concorrendo no tema Crítica Social, estou postando as duas poesias e falando um pouquinho sobre elas aqui no blog. Agora com as poesias classificadas é só esperar para vê-las nos livros, tô muito feliz mesmo oh galera...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Coitada da Inês

A pobre da Inês adorava um xodó
Mas por causa disso, acabou indo parar no xilindró.
Inês se apaixonou por um menino, mas o rapaz era de menor.
Por causa da idade dele, pegou uma briga com a sua avô.
Lhe deram um conselho bem bacana,
"Inês vai pra casa da Mãe Joana".
Dona Joana era mãe-de-santo da comunidade,
Resolvia qualquer problema, de peão à autoridade.
Mãe Joana logo resolveu o caso de Inês.
"Mulher tu precisa conhecer o meu freguês,
O nome dele é Francisco,
Mas todo mundo chama mesmo é de Chico."
E ela mandou Inês ir pra casa do Chico,
Mas o safado gostava mesmo era de fuxico.
Vivia falando mal de Inês pela vizinhança.
"A cabra desajeitado e cheio de desconfiança".
O caso com Chico não deu certo
E Inês continuou seu rumo incerto.
Vivia pedindo pra Santo Antônio e Santo Expedito,
"Pelo amor de Deus, será o Benedito?,
Eu não arrumo ninguém pra ficar comigo.
Quanto mais eu peço um homem mais aparece é inimigo."
As preces de Inês foram alcançadas
E com um homem de verdade ela foi presenteada.
Mas a saúde de Inês já estava decadente,
Logo agora que ela encontrou um homem descente.
Agora é tarde e Inês morreu.
Coitada da Inês, teve menos sorte do que eu.
Quando conseguiu um amado a pobrezinha faleceu.
Mas antes ela do que eu.

(Janderson Felipe)

Ouvindo a expressão "Agora é tarde e Inês é morta" aqui por casa, desde de cedo ficava me perguntando, mas por que a Inês que tem que morrer? Isso ficava me pertubando o juízo e achava que atrás dessa expressão tinha uma poesia. Hoje ouvi novamente essa expressão aqui em casa e resolvi, de hoje não passa, isso tem que virar poesia. Já fui criando na cachola uma maneira de fazer e pensei, "e que tal juntar com outras expressões corriqueiras", a partir daí surgiu a "Vai pra casa da mãe Joana", "Vai pra casa do Chico", "Mas será o Benedito?" (muitíssimo utilizada aqui em casa) e "Antes ela do que eu". Viu, eu mal sabia que no linguajar bem siarense daqui de casa havia uma poesia escondida...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Quando eu crescer...

Quando eu crescer eu quero ser atleta, goleiro de futsal e nadador. Quando eu crescer eu quero ser cantor, violonista, baterista, músico. Quando eu crescer eu quero ser professor de Educação Física, escritor, poeta. Quando eu crescer eu quero ser filósofo, historiador, teólogo, missionário. Quando eu crescer eu quero ser fotógrafo, viajante, geólogo. Quando eu crescer eu quero ser astronauta, paraquedista, piloto. Quando eu crescer eu quero ser web designer, hacker, programador. Quando eu crescer eu quero ser mergulhador, aventureiro, explorador. Quando eu crescer eu quero ser jornalista, ator, comediante.
Eu quero ser atleta porque é um sonho de infância, eu sempre dizia que queria ser o atleta do ano 2000. Eu quero ser goleiro de futsal porque eu acho a posição que o cara tem que se garantir mais na hora do jogo e é muito massa fazer defesas bonitas. Eu quero ser nadador porque esteticamente o nado borboleta é muito bonito mesmo e também é muito massa fazer a virada olímpica. Eu quero ser cantor porque acho legal o estilo “voz e violão”. Eu quero ser violonista porque o som do violão é lindo demais e é o instrumento mais acessível que existe. Eu quero ser baterista porque é muito irado o cara fazer um solo de bateria. Eu quero ser músico porque a música é uma paixão para mim e quanto mais eu estudo, mais ela me fascina e também queria tocar vários instrumentos. Eu quero ser filósofo porque é muito interessante entender o pensamento e as coisas desse mundão afora. Eu quero ser historiador porque outra coisa que me fascina demais é a história, entender o presente revirando o passado, mas não deixando que esse passado prejudique o presente, entende? Eu quero ser teólogo para entender o fascínio que as pessoas têm em acreditar em coisas divinas e ditas superiores a este mundo. Eu quero ser missionário para ser mais fácil escutar as pessoas e conseguir realizar o desejo de ser teólogo e eu não necessariamente pregaria alguma coisa, escutaria mais o que os outros têm a falar sobre Deus. Eu quero ser fotógrafo porque adoro a arte e para mim a fotografia é uma arte que está em todo lugar, é só você se tocar e clicar a sua câmera. Eu quero ser viajante para conhecer muitos lugares bonitos desse mundão e tirar muitas fotos. Eu quero ser geólogo porque adoro descobrir coisas e queria saber mais sobre o passado do nosso planeta e como ele realmente surgiu. Eu quero ser astronauta para conhecer coisas que nós apenas idealizamos na nossa cuca, coisas que vão muito além do nosso pensamento. Eu quero ser paraquedista porque, na minha opinião, é a melhor maneira de se ter adrenalina ao extremo e deve ser algo fascinante. Eu quero ser piloto só para aprender a mexer naqueles botõeszinhos do avião. Eu quero ser web designer porque adoro vasculhar esses programinhas de edição de imagens e inventar coisas novas. Eu quero ser hacker para saber um monte de coisas da informática, essa área que está tomando conta das pessoas. Eu quero ser programador porque a minha namorada mexe com isso e acho muito interessante criar coisa no PC. Eu quero ser mergulhador porque penso assim, se aqui em cima já tem milhares de coisas bonitas que a natureza nos deu, imagine embaixo d’água. Eu quero ser aventureiro para sair por aí descobrindo novos lugares. Eu quero ser explorador para desvendar os mistérios que ainda existem para serem descobertos. Eu quero ser jornalista porque adoro contar histórias na forma escrita. Eu quero ser ator para poder atuar em teatros, deve ser o máximo ter o público ali bem pertinho. Eu quero ser comediante só para fazer o povo rir mesmo.
Mas eu já cresci, o ano 2000 já passou e não fui selecionado pelo COB para ir à Sydney. Não consegui ser goleiro de nenhum time de futsal, o máximo que participei foi dos “rachas cefetianos”. Nadador até que cheguei assim no quase (não foi 1% de um Michael Phelps), cheguei a nadar o borboleta assim com uma asa quebrada, mas fui e pelo menos hoje sei dar uma virada olímpica (do meu jeito, mas é olímpica). Quanto ao cantor, nem de chuveiro sou bom, dizem que minha voz não é das melhores. Também num sou nem um grande violonista, prefiro me nomear tocador de violão. Baterista, vixe tá é longe viu, o máximo que batuquei foi numa bateriazinha de lata que fiz aqui em casa e nada de solo irado. De músico também tenho quase nada, entendo um pouco de teoria e toco um instrumento e mal. No que diz respeito a professor de Educação Física, professor, professor mesmo, ainda num sou não, falta um aninho pra terminar e nem sei se quero isso mesmo, às vezes a música fala mais alto. Vixe, escritor, dizem que escritor é aquele que publica um livro, fiz uns orçamentos e vi que ainda tá longe então de eu ser um escritor viu, ô coisa cara é publicar um livro, pense. Poeta, “num sei se sou poeta, poeta num sei se sou”, gosto de brincar com as palavras, só num sei se elas gostam é de brincar comigo, mas poeta também tá longe ainda, num entendo nada de métrica, pra mim o que interessa é o conteúdo. Quanto ao filósofo, penso muito sobre tudo, mas penso, penso e não saio do canto. Historiador, vivo bisbilhotando sites acerca de fatos históricos, mas mal sei a história do meu país, também os livros só contam a história distorcida, entendem né? Teólogo, eita isso é difícil, quanto mais leio, escuto, vivo, penso, mais me distancio das coisas divinas. Conseqüentemente o missionário também está distante da minha realidade. Também num sei se sou fotógrafo, a poucos dias que comecei a brincar com uma câmera e ainda num saiu nada de muito emocionante não. Viajante, é, se eu disser que o mais longe que fui foi Itapipoca, então num sou nenhum grande viajante não, a não ser viajante em sonhos e pensamentos. Geólogo, eita isso também tá muito difícil, difícil até demais. E astronauta, esse é quase impossível para mim. Paraquedista, vale saltar do telhado da minha casa pro chão? Porque isso também é muito difícil. E piloto, eita, pode ser piloto de simulador, quem sabe. Na profissão de web designer, já sei mexer no Paint, será que já vale meio por cento de web designer? Hacker, sei um monte de atalhos de computador, será que isso serve também? Programador, ah só escutando o que a minha namorada vai dizendo e tentando imaginar o que significa, ô coisa difícil é esse negócio de programação viu. No que diz respeito a mergulhador, posso mergulhar ali na praia quando a maré tiver vazia e vê uns peixinhos passando? Acho que é o máximo que consigo. Aventureiro, já faz uns 10 anos que não participo de nenhum tipo de aventura das boas. Explorador, posso explorar o desarrumado do meu quarto? E quanto a jornalista, gosto de escrever, mas nada que chegue aos pés de um Pedro Bial ou coisa parecida. Ator, só se for trancado no meu quarto sem nenhum público assistindo, a timidez não deixa não. E comediante, a piada mais engraçada que conheço é a do NÃO e NEM EU, conhece? Nem eu.
Eita e agora hein? Já cresci, já sou gente grande e não sou nada desse montão de coisa que escrevi aí oh. Ah deixa pra lá, o que tiver de eu ser quando crescer vai ser, enquanto isso eu fico aqui esperando e digo a todos que eu cresci e sou apenas eu, o Jandim, simples assim (ah e jamais quero ser operador de telemarketing da OI)...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Vamos viver diferente

Vamos buscar novos rumos,
Respirar novos ares.
Vamos manter a cabeça aberta,
Descobrir sete mares.

Vamos sair da linha reta,
Procurar outros caminhos.
Vamos abraçar o planeta,
Desistir de ficar sozinho.

Vamos fazer arte,
Inventar nossos truques.
Vamos sacudir o mundo,
Tocar outros batuques.

Vamos gritar como criança,
Brincar com alegria.
Vamos sonhar novas aventuras,
Desvendar novas magias.

Vamos viver sem vergonha,
Mostrar a realidade.
Vamos acabar com mentiras,
Dizer só a verdade.

Vamos fugir dessa jaula,
Encontrar outros recintos.
Vamos libertar nosso pensar,
Liberar nossos instintos.

Vamos esquecer o passado,
Viver o agora.
Vamos cair no presente,
Abandonar o que já foi embora.

Vamos chegar ao fim,
Buscar a felicidade.
Vamos tentar o melhor,
Partir com dignidade.

(Janderson Felipe)

Escrevi essa poesia já faz um tempinho. Tentando mostrar que devemos estar sempre mudando as coisas ao nosso redor, mas percebendo que tudo só vai melhorar quando nós mesmos conseguirmos mudar nossos atos. A velha frase do Gabriel, o Pensador: "Seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo". "O mundo muda, tudo muda, todo mundo muda"...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Papel que vale algo...

E nesse momento ocorre uma mudança, a metamorfose ocorre dentro da minha cabeça. Aquele pedaço de papel que só vale alguma coisa porque a gente acredita que vale, agora realmente tem valor pra mim. É, estou falando do dinheiro, coisa que faz tanto mal por aí, mas é só você começar a ganhar que você quer sempre mais. Como é que pode né? É um vício, você ganha uma vez e não quer mais parar de ter. Você compra suas coisinhas e quer sempre mais pra poder comprar ainda mais. O consumo nos ataca por todos os lados, as mercadorias estão na prateleira dizendo: "Me compre, me compre, me compre", você compra e sempre quer mais pra mais. A obsolescência programada ajuda nisso, sempre o melhor é a última versão, o que está na moda, moda essa que não dura mais nem um semestre. Olha aquele televisor é mais moderno que este! Vamos lá e compramos e o consumo nos sufoca. E o pior, como fugir disso? Uns matam por dinheiro, outros morrem por dinheiro, e eu, agora que comecei não quero mais parar de ganhar. O que fazer oh mundo cruel? Pelo menos pra mim ele não é a última coisa do mundo, pelo menos agora, será que um dia será? Sabe quando esse dia chegará? Jamaisss...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Madrugada musical...

Madrugada show, muita música e música boa. E aqui mesmo sem sair de casa, nesse milagre dos tempos modernos que é a grande rede. Ouvi músicas antigas, músicas acabadas de sair da fôrma, assisti performances incríveis de bandas, vi relíquias de nossos artistas brasileiros. Brasil, é aqui que é feita a melhor música do mundo com certeza.
Comecei do nada resgatando o magnífico Gonzaguinha e sua música "É" que até hoje ela é atualíssima. Passei pelo incrível Lenine e todos os seus shows mundo afora, até uma em parceria com Seu Jorge em Paris, eles cantando "Jack Soul Brasileiro". Aí não deu outra né, tive que escutar o velho e bom som de Jackson do Pandeiro tentando misturar seu "Chiclete com Banana" e o samba com o rock. Depois viajei pelo país todo através do Youtube (realmente nesse bicho tem tudo que você quer vê), aqui no Nordeste escutei as velhas e as novíssimas músicas do Zeca Baleiro, no metal e no acústico. Fui pro Sul pra curtir os grandes Engenheiros do Hawaii, ainda com Maltz e Licks (por isso que o povo disse que essa era a melhor formação), as performances "ao vivo" dos caras eram incríveis velho.
Ainda no Youtube encontrei um cara chamado Renato di Giorgio, o bicho é fera. Ele publicou vários music-videos, ele mesmo grava em casa, voz e violão ou guitarra e manda bem belíssimas músicas consagradas, vale a pena conferir o trabalho desse cara galera (http://www.youtube.com/user/renaton).
E é isso, onde chegaremos com essa Internet? O passado e o futuro grudados aí, posso ver o que aconteceu a 5 minutos atrás como posso assistir coisas que aconteceram há 50 anos e eu nem sonhava em nascer. Ainda bem que a música boa era feita tanto naquele tempo e hoje a gente ainda pode encontrar música boa aqui na rede, muitos grandes artistas estão perdidos por aqui galera é só procurá-los...

domingo, 4 de janeiro de 2009

Documentário - Muito além do cidadão Kane...



Globo e você, tudo a ver. "Muito além do cidadão Kane" é um documentário produzido pelo Channel 4 para a BBC em 1993. O documentário inspirou-se no filme "Cidadão Kane" que conta a história de um magnata das telecomunicações dos Estados Unidos. Já, "Muito além do cidadão Kane", trata da verdadeira história do nosso magnata das telecomunicações e ex-dono (já que ele morreu, ah pobrezinho!) das empresas do Plimplim, Roberto Marinho.O documentário mostra desde o surgimento da Rede Globo passando pelas alianças feitas entre o "jornalista" e os líderes políticos do Brasil. Com o poder que tinha o homem do Plimplim conseguiu adiar por um ano a transmissão desse documentário na Inglaterra e como praticamente mandava no nosso país, conseguiu proibir a sua transmissão no nosso território. Mas como a Internet é terra de ninguém e todo mundo faz o que quer, apenas recentemente este vídeo está podendo ser visto por muitos brasileiros que há mais de 40 anos são enganados por essa empresa monopolista do Brasil.O documentário trata de fatos marcantes na história do país, desde o apoio de Roberto Marinho a ditadura militar, a farsa em torno da eleição para governador do Rio em 1982, até o conhecidíssimo debate para presidência da República entre Lula e Collor em 1989 (pobre Lula, apanhou e bateu tanto na Rede Globo e hoje se orgulha em aparecer na tela do Plimplim). Mas é isso, a Globo precisa dos governantes e os governantes precisam ainda mais da Globo, já os brasileiros, ah esses acabam de se lascar. Enfim, assistam o documentário e tirem suas próprias conclusões acerca disso tudo...

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Reforma Ortográfica...

Primeiro dia do ano e as esperanças se renovam por dias melhores, dias de paz, mas não sei pra que isso, é só mais um dia nas nossas vidas galera. Muitas coisas boas vão acontecer neste ano, mas também teremos que estar prontos para as dificuldades que com certeza também virão.
Bem, mas estou aqui para falar da Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa que entra em vigor hoje no Brasil e em Portugal. A Reforma é um acordo (ou desacordo?) iniciado em 1990 pela Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras com o objetivo de unificar as normas da escrita do português em todos os países que o tem como língua oficial.
Só por curiosidade, os países que têm o português como língua oficial são Portugal, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Angola, Timor Leste e as regiões Macau, Goa e Galiza, tornando-se a sexta língua mais falada no mundo. Os países lusófonos da África e o Timor Leste vão esperar Portugal tomar um rumo nessa história toda e decidir o que vão realmente fazer com sua língua.
Vocês sabiam que existem duas formas de escrever o português? Uma é a nossa à brasileira e a outra é a forma portuguesa que é utilizada nos demais países lusófonos. Ou seja, toda essa mudança na forma de se escrever é por causa de nós aqui do Brasil. Muitos portugueses tão achando isso absurdo, "como pode, agora vão abrasileirar o português gajo". É, talvez. Os "C" mudos de palavras como afecto ou directo do português de Portugal vão desaparecer, assim como os "P" de palavras como adoptar. Realmente a forma de se escrever vai se parecer mais com a nossa.
Enfim, mas o que teria sido de Portugal se não fosse o Brasil e o que seria do Brasil se não fosse Portugal? Padronizar ou dividir a língua? E as pessoas mais idosas tanto do Brasil como de Portugal que já estão acostumadíssimas com sua forma de escrever? E quantos cidadãos de fala portuguesa participaram desse acordo? Não foram apenas os intelectuais das Academias? Mais uma vez não sei as respostas, só sei que a mudança é apenas na escrita, já pensou se quisessem unificar também a forma de falar o português, todos com um sotaque de portuga. Não, isso não, prefiro o meu jeito moleque, descontraído e brasileirês de falar o nosso português...