"Eu vi o tempo brincando ao redor do caminho daquele menino"...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A normalista e o alienista...

Estou aqui de novo, dessa vez para falar do estranho caso entre uma normalista e um alienista. Esse caso deu-se aqui pelas bandas do Ceará há muito tempo, talvez no século XIX.
A normalista tratava-se de Maria do Carmo, filha do cearense Adolfo, e era mais conhecida como Carminha do Adolfo. O alienista era um médico bem estudado, formou-se na Europa e seu nome era Simão Bacamarte de Assis, ele era filho de um ilustre carioca.
Bem, a nossa história começa quando o Dr. Simão Bacamarte, cansado de cuidar de sua Casa Verde e da busca pela descoberta das patologias psicológicas, resolve tirar umas semaninhas de férias pelo Ceará. Ele resolveu vir sem sua esposa, a jovem D. Evarista, dizem que ela não era "nem bonita nem simpática".
Chegando a capital cearense, o alienista é chamado para visitar a Escola Normal, local onde ele poderia ajudar com os seus estudos sobre a razão humana. Meio à contra gosto, ele resolve dar uma passada na Escola para conhecer suas instalações e as pessoas que lá conviviam.
Ao fazer uma espécie de inspeção pelas salas, o Dr. Bacamarte conheceu muitas normalistas, mas ele encantou-se com a beleza de uma em especial. Era ela, a nossa Maria do Carmo.
O alienista apaixonou-se por ela e foi logo atrás de buscar informações da normalista. Maria do Carmo era órfã de mãe e mesmo jovem já havia perdido um filho recém-nascido. Ele obteve as informações de que ela era uma menina simples que morava na casa dos padrinhos e já estava prometida ao alferes Coutinho, um rapaz que era metido à poeta.
Mas o alienista não se intimidou e no outro dia tratou de ter uma conversa com a normalista, ele alegou que havia percebido alguns sinais de patologia mental na moça e queria examiná-la. Dr. Bacamarte teve a autorização do diretor da Escola e naquele dia à tarde eles estavam a sós numa salinha da Escola, Simão Bacamarte e Maria do Carmo.
O alienista, sábio do raciocínio das pessoas, fez a cabeça da Carminha e a convenceu de ir junto com ele para Itaguaí, pois lá ele daria tudo que ela quisesse e eles teriam uma mansão só para eles viverem juntos o resto da vida. Em nenhum momento o alienista disse que era casado e muito menos falou que a "mansão" tratava-se da Casa Verde, manicômio onde ele estudava seus pacientes.
A normalista encantou-se com aquele homem, tão culto, inteligente e gracioso para com ela. Não pensou duas vezes, nem avisou ao Coutinho, foi-se embora com o alienista. Os dois não combinavam muito, ela muito jovem, bonita e na flor da idade; ele já era quase um senhor com os seus mais de 40 anos, bem verdade que ele era um homem muito feio. Feio, mas sábio, pelo menos é o que diziam.
Voltando à Itaguaí, Dr. Simão Bacamarte tratou de colocar Carminha num quarto dos mais escondidos dentro da Casa Verde. Ele falou pra normalista que ficasse ali por uns dias no quarto para ela descansar da longa viagem, ela não precisava sair porque ele levaria tudo para ela, além disso, depois ela teria muito tempo para conhecer a cidade e quando quisesse poderiam voltar ao Ceará.
Pobre Maria do Carmo, nunca mais pôde ver a sua terra natal, o alienista a havia aprisionado naquele quarto para o resto de sua vida. Aos poucos Dr. Bacamarte foi esvaziando a Casa Verde, dizia ele que havia descoberto cientificamente a cura para a loucura e afirmou que é louco aquele que é dito normal. Além do mais, ele iria se internar na Casa Verde para estudar a si mesmo. Ninguém entendeu nada, mas como ele era um homem bastante respeitado, inclusive no exterior, todos aceitaram a proposta.
Tudo isso foi um pretexto para Simão Bacamarte ficar para sempre a sós com a sua normalista. No começo, sua mulher, D. Evarista ia o visitar na Casa Verde, não desconfiava de nada, mas tempos depois ela achou que o seu marido havia enlouquecido totalmente e resolveu não mais vê-lo. Os boatos dizem que o alienista morreu "dezessete meses" após a sua internação, mas a verdade é que ele ficou muito mais tempo lá, e o pior, abusando da coitada da normalista.
Maria do Carmo, sua vida toda foi mesmo de tristezas e agonias; Simão Bacamarte, sua vida foi mesmo de loucuras e angústias...

Um comentário:

Ana disse...

Naaaaaaaaaammm o final paia!!!!