"Eu vi o tempo brincando ao redor do caminho daquele menino"...

sábado, 14 de maio de 2011

Adeus sábado sombrio...

Diante da “palavra hotel escrita em neon” eu vejo mais uma noite que cai do quarto andar de um prédio ubicado em uma cidade que eu nem sei o nome. Corre o vento, correm os carros e posso perceber os passos de pessoas que passam pelas praças despovoadas, são inúmeras as praças desta cidade que ainda não sei o nome, praças vazias no clarão da noite de lua cheia. É só mais uma noite em um lugar distante, distante de tudo e de todos aqueles que fazem parte da minha história, essa é a minha nova história, onde nós vamos sair vencedores. E o verbo ir conjugado na última afirmação me lembra um presente com sentido de futuro e com a cara do passado, presente vivido, futuro esperado, passado recordado. A noite passa e posso sentir o aroma de flores vindas de um lugar distante e que amanhecerão mortas sob o sol desta cidade que sigo sem saber o nome, isso me lembra um antigo personagem que se pergunta: “Quem é que quer flores depois de morto? Ninguém.”, ainda mais estas flores também estando mortas. Da janela sinto o vento frio vindo de uma serra localizada nas proximidades desta cidade que ainda não descobri o nome ou será o vento vindo do rio que corre no meio da mesma cidade? Já respirei do ar daquela serra, já bebi da água daquele rio, deve ser isso que me fez sentir vontade de permanecer nesta cidade que não consigo lembrar o nome. Noite medonha que está apenas começando, noite escura onde todos dormem e eu acordo, noite sinistra que me invade de vozes e sons delirantes, noite sombria com suas sombras a me perseguirem. Enfim saio da janela e descubro no anúncio de televisão o nome da tal cidade, é aquela velha cidade com tantos templos e praças, velha cidade que nos deu um ilustre filho que canta “um preto, um pobre, uma estudante, uma mulher sozinha, blue jeans e motocicletas, pessoas cinzas normais, garotas dentro da noite, revólver: cheira cachorro, os humilhados do parque com os seus jornais” e isso tudo me interessa mais, no entanto, me faz chegar a conclusão de que sou só na solidão de Sobral sob um sábado sombrio. Adeus sábado sombrio, nestes últimos minutos que te restam eu me retiro para meu descanso notívago, eu me despeço em nome do céu, da terra, da noite e do dia que amanhã virá, adeus...

2 comentários:

Ana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Araújo Sousa disse...

Muito Genial o texto Janderson,meus parabéns companheiro!