"Eu vi o tempo brincando ao redor do caminho daquele menino"...

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sobre a Copa e muchas otras cositas más...

"Pois com Copa ou sem a Copa o Brasil é a mesma merda e o problema é que a gente não muda e além da Copa a culpa é nossa que só cobra na última hora quando percebe que o país tá na fossa. E depois que acabar a Copa qual será a sua atitude, vai votar em qualquer um novamente e torcer pra que de repente o país mude?"


Faz mais de 20 anos que esperava muito por duas coisas no meu país, a primeira era a Copa do Mundo de futebol, a outra era uma "revolta popular" contra nossos governantes e todos os males que eles geram.
Estava a pensar o porquê que gosto tanto de esportes, apesar de nunca ter sido nenhum grande atleta, e tive um "jogo da memória" que me fez relembrar os momentos mais distantes onde me emocionei com o esporte em minha vida. Com certeza o mais antigo remonta às Olimpíadas de 1992, em Barcelona, quando no jogo final de voleibol masculino o Brasil venceu a Holanda, ganhando sua primeira medalha de ouro após um ace de Marcelo Negão, são lembranças pouco nítidas, mas bem emocionantes. A lembrança seguinte é da vitória de Ayrton Senna, ainda hoje o exemplo de atleta que mais me emociona, na corrida de Interlagos em 1993 quando no final a torcida invadiu a pista e lhe consagrou. O ano de 1994 também me marcou no esporte, primeiro pela trágica curva que levou Senna à morte, mas também pelo sofrimento daqueles pênaltis da final da Copa entre Brasil e Itália que nos levou ao TETRA.
E a partir daí o gosto por esse tal de futebol só fez crescer, com certeza muito influenciado pela mídia, como a maioria das pessoas, mas também por algo inexplicável que esse esporte proporciona, talvez um sentimento primitivo que remonta às guerras? Sim, não só o futebol, mas a maior parte dos esportes são alegorias da guerra, onde torcemos por um exército que nos representa. Ainda bem que agora são guerras regulamentadas, onde esquemas táticos avançam o campo adversário com o intuito de bombardear a meta do inimigo, talvez esse seja o sentimento que nos liga tanto ao esporte, ao futebol, não podemos ir à guerra, mas torcemos para quem se arrisca a ir. Pena que as guerras de verdade ainda existam por aí, russos x ucranianos, palestinos x israelenses, torcida x torcida, seres humanos x seres humanos. E lembro de Renato Russo que pedia em vão: "não deixe a guerra começar".
Por outro lado, desde 1992 esperava uma pressão social para cima de nossos políticos, lembro alguma coisa daqueles chamados Caras Pintadas que levaram nosso "querido" Fernando Collor ao impeachment. Depois disso veio o Itamar Franco tentando melhorar a inflação até chegar FHC para nos dar esperança com o Plano Real (ainda me admiro que um dia R$ 1 valeu igual a US$1), mas que em pouco tempo desmorou tudo de novo e lascou ainda mais quando vendeu nossa segunda maior empresa estatal, a Vale do Rio Doce. Após essas coisas eu vibrei com a eleição de Lula (ah como eu vibrei), enfim a esquerda chegava ao poder, era a hora da virada no país, viva o Fome Zero, viva o Bolsa Família, mas percebi que tudo não passou de assistencialismo paternalista que segue agora com a "ex-revolucionária" Dilma que tenta diminuir o atraso com a população negra, menos abastecida, através de cotas e bolsas de estudo, mas isso tudo são só meus devaneios de mais de 20 anos.
Desde aquele tempo só fui percebendo que nossa política é horrível, realmente cheia de corruptos que acabam influenciando inconscientemente a todos nós, nos tornarmos pequenos corruptos do dia-a-dia. Somos todos hipócritas e corruptos, brasileiros oportunistas que só cobram quando bem nos convém. Desde aquele tempo esperava por manifestações populares e elas vieram de forma linda ano passado, era o povo pedindo melhoras em todas as áreas, era o povo invadindo novamente o Congresso Nacional, era o povo mostrando sua cara, mas só até os vândalos aparecerem com mais força e, na minha opinião, acabarem com a legitimidade dos protestos. Acredito que eles levaram o gigante a dormir novamente, tanto que nesse ano pouquíssimas pessoas voltaram às ruas para protestarem.

"Do lado do campo está o Sistema jogando contra o time do Povo que tem um atacante chamado Gigante que já se cansou e foi pro banco de novo"...

E depois de tudo isso eu fui participar de quê? Fui para a Copa levando meu protesto através de frases em camisas, era um protesto calado mas que acredito que tenha sido mais legítimo do que os de muitos que foram às ruas. Via sempre olhos buscando o que tinha escrito na minha camisa, algumas pessoas até me pediram para eu parar e elas lerem minhas frases.
Mas agora a Copa já acabou, nosso time decepcionou, mas acredito que valeu a pena ter participado do evento, não acho que tenha sido a "Copa das Copas" como a mídia insiste em chamar, mas foi um grande evento nem mesmo por conta da infraestrutura criada, nem mesmo por causa dos bons jogos, mas por causa sim da receptividade e hospitalidade do nosso povo que insiste em fazer festa em tudo e acabou contagiando aqueles que vieram de fora. O povo que se corrompe é o mesmo que fez o evento se tornar tão grandioso aos olhos de quem vê de fora.
Acredito que a falta de uma boa educação não é culpa da Copa, mas culpa de maus gestores que nós mesmos escolhemos. A Copa custou (R$ 25,8 bilhões) o equivalente a um mês do que é investido em educação por ano (R$ 280 bilhões), ou seja, existe o dinheiro para a educação, mas onde ele vai parar? Por quais mãos passa esse dinheiro que não chega na escola onde eu trabalho? Por quê cobriram 12 estádios de forma sensacional, mas não cobrem uma pequena quadra onde leciono sob o sol arrasador do Ceará, se a educação recebe bem mais dinheiro do que aquele investido na Copa? Não, a culpa não é da Copa, mas de políticos corruptos que seguem enfiando dinheiro em bolsas, malas, cuecas, contas multimilionárias que não sabemos onde estão abertas.
E não acredito que começaremos uma nova era ou que faremos uma mudança a partir de outubro, nas urnas, até porque não acredito que tenhamos candidatos honestos para fazerem diferente daquilo que foi feito nos últimos 20 anos. A mudança não começa neles, mas sim em cada um de nós...

quinta-feira, 1 de maio de 2014

20 anos sem Ayrton Senna...



Poucos de vocês devem ter visto alguma corrida de Ayrton Senna, para mim ele não foi só o melhor piloto de Fórmula 1 que eu já vi, mas o melhor esportista brasileiro. Posso dizer que para mim ele é o verdadeiro e único ídolo do esporte que eu tive, por causa dele essa minha paixão por esportes nasceu desde criança e me levou a ser o que eu sou hoje.
Um piloto que sempre buscava a perfeição e quase sempre conseguia, numa época em que os carros de F-1 dependiam muito mais do braço do piloto, sem tantos automatismos dos dias de hoje. Numa época difícil em minha vida, eram nas manhãs de domingo que Senna me trazia muitas emoções, manhãs que eu saía correndo da igreja para poder assistir a largada das corridas. E no final a vitória era dele, Ayrton Senna do Brasil e vinha aquela musiquinha e um fiscal lhe dava a bandeira do Brasil para ele dar uma última volta mostrando para todos de onde ele tinha vindo.
Até que há exatos 20 anos veio a batida fatal, numa reta de um circuito na Itália o meu ídolo iria embora para sempre e o meu café da manhã de domingo ficaria lá no prato sem ser comido, a comoção foi instantânea e mais uma grande perda aconteceu em pouco tempo...

sábado, 29 de março de 2014

Ganhamos as luzes, perdemos as estrelas...

Há muitos e muitos anos as dúvidas, as questões, os problemas de nossa espécie eram puramente naturais, as perguntas estavam nas coisas da natureza e cabia a nós observarmos, estudarmos e resolvermos tais problemas. 
As estrelas estão paradas no céu? Nosso planeta gira ao redor do sol? Somos feitos de quê? Qual a menor partícula que nos compõe? Estas são perguntas que foram e seguem sendo respondidas, no entanto, outros tipos de questões assumiram o "poder". Hoje em dia tiramos a natureza do centro de tudo e colocamos nós mesmos, nos preocupamos muito mais com perguntas e problemas pessoais referentes ao trabalho. Nossa maior preocupação hoje é o estresse que nos consome, que pena, perdemos o dom de olhar a natureza e divagarmos em dúvidas que depois nos levariam à certeza.
Hoje a ânsia pela produção, pelo prazo, por entregar as coisas em dia, nos fez esquecer de apreciar o céu, por exemplo. Antigamente era comum as pessoas por si só entenderem coisas básicas como identificar as constelações, os movimentos dos planetas, as estações do ano, atualmente não conseguimos nem saber onde vai estar a lua que é o astro mais próximo de nós.
Incrível a capacidade de nós seres humanos evoluirmos e transformarmos tudo ao nosso redor, mexer em tudo que nos cerca. Nossa evolução nos trouxe ganhos incríveis, mas nos fez esquecer o básico, apagou da nossa mente o essencial, o continuar nos perguntando de onde viemos. Com nossa evolução vieram as luzes das cidades e as estrelas se apagaram, em uma grande cidade, com dificuldade, ainda podemos ver apenas aquelas estrelas mais brilhantes que estão sempre lá para nos mostrar o quão fortes e enérgicas elas são e nos fazer lembrar que apesar de tão magnífico, nosso sol não passa de um anão em meio há tantos outros astros que estão perdidos por aí no céu.
Talvez as 40000 humanidades que nos antecederam foram mais felizes em descobrirem por eles mesmos diversos segredos do universo, tiveram a oportunidade de apreciar o seu meio, o seu lar nada mais era do que toda a Terra, com um imenso céu noturno cheio de estrelas que lhes serviam como cobertor. 
Com a Revolução Industrial e a nossa consequente evolução passamos a nos ater cada vez mais em livros, em ambientes fechados, sem acesso à natureza natural. Nossa natureza agora é artificial, criada por nós mesmos, com fogueiras modernas que chamamos de TV, mas que insistimos em deixá-la ligada por muito tempo sem nem dar a mínima importância pelo que está passando nela. Ficamos cada vez mais preguiçosos e esperando que os outros descubram as coisas por nós, depois apenas damos um "google it" e temos lá facilmente toda a informação que nós mesmos poderíamos ter produzido. Antigamente era comum uma única pessoa entender sobre diversos assuntos como poesia, teatro, música, física, astronomia, atualmente nos tornamos tão especializados que se buscarmos informações em áreas que não atuamos nos criticam logo perguntando: "pra quê tu quer saber disso aí?". Talvez esse seja o preço a se pagar por tudo de bom que se veio com tal Revolução, uma evolução que nem sempre leva para coisas boas.
E se transformarmos esse imenso período de tempo de tudo que existe, pegarmos os 13,8 bilhões de anos de surgimento do universo e jogar em um ano cósmico, nós como seres humanos só teríamos nascido nos últimos segundos do dia 31 de dezembro deste ano, e mesmo assim, toda a história de nossos antepassados, das pessoas que viveram na Idade da Pedra, dos exploradores da natureza, dos observadores de céus limpos, ainda será muito maior do que a história que veio após toda a Revolução que ainda estamos vivendo até hoje. 
Nascemos há pouco tempo e só estamos começando a engatinhar para conseguir entender todo cosmos e tudo que nele existe. No entanto, tantos e tantos mistérios ainda existem, talvez lá habite o cara que muitos insistem em chamar de Deus. Enquanto isso eu sigo a me perguntar, conseguiremos algum dia revelar todo mistério e apertar a mão de Deus?...

terça-feira, 11 de março de 2014

George e o Segredo do Universo...


"- Sabem - prosseguiu George -, eu tive realmente muita sorte. Encontrei uma chave secreta que abriu o universo para mim. Com essa chave secreta eu pude descobrir tudo sobre o universo que nos rodeia. E portanto eu gostaria de compartilhar com vocês um pouco desses conhecimentos. Eles dizem respeito à nossa origem: o que nos formou, o que formou o nosso planeta, o nosso Sistema Solar, a nossa galáxia, o nosso universo, e também dizem respeito ao nosso futuro. Para onde vamos? E o que precisamos fazer para sobreviver séculos no futuro? Quero falar sobre isso porque a ciência é realmente importante. Sem ela não compreendemos coisa alguma, e, assim, como poderemos agir certo e tomar boas decisões? Algumas pessoas acham que a ciência é maçante, outras acham que é perigosa, mas, se não nos interessarmos pela ciência, se não a aprendermos nem a usarmos corretamente, talvez então ela seja tudo isso. Porém se tentarmos compreendê-la, veremos que é fascinante e que diz respeito a nós e ao futuro do nosso planeta.
[...]
- Há bilhões de anos havia nuvens de gás e poeira vagueando pelo espaço cósmico. De início essas nuvens eram muito dispersas e espalhadas. Mas, com o passar do tempo e com a ajuda da gravidade, elas começaram a encolher e a se tornar cada vez mais densas...
George prosseguiu:
- E então vocês podem perguntar: e daí? O que uma nuvem de poeira tem a ver conosco? Por que nos importarmos com o que aconteceu há bilhões de anos no espaço cósmico? Por que precisamos saber isso? Nos interessa? Bem, interessam, sim, porque aquela nuvem de poeira é a razão de estarmos hoje aqui. Agora sabemos que as estrelas são formadas de gigantescas nuvens de gás no espaço cósmico. Algumas dessas estrelas terminam as suas vidas se transformando em buracos negros que lentamente, muito lentamente, deixam escapar objetos, até desaparecerem numa enorme explosão. Outras estrelas explodem antes de se tornarem buracos negros e enviam ao espaço toda a matéria que têm no interior. Sabemos que todos os elementos de que somos formados foram criados no ventre dessas estrelas que explodiram há muito tempo. As pessoas da Terra, os animais, as plantas, as pedras, o ar e os oceanos são formados de elementos forjados dentro das estrelas. Independentemente das nossas crenças, somos todos filhos das estrelas. E a Natureza demorou bilhões e bilhões de anos para nos formar a partir desses elementos. 
George fez um segundo de pausa.
- Portanto, como vêem, demorou um tempo incrivelmente longo para nos formar e formar o nosso planeta. E o nosso planeta não é como qualquer outro planeta do Sistema Solar. Há uns maiores e mais impressionantes, porém nenhum nos serve de lar. Vênus, por exemplo, é quente demais. Em Mercúrio um dia dura cinqüenta e nove dos nossos dias aqui na Terra. Imaginem só se um dia na escola durasse cinqüenta e nove! Seria horrível.
[...]
- O nosso planeta é admirável, e é nosso - resumiu. - Pertencemos a ele, e todos nós somos feitos das mesmas substâncias que o próprio planeta. Precisamos, de fato, cuidar dele. Há anos o meu pai vem dizendo isso, e eu apenas me sentia envergonhado. Só percebia que ele era muito diferente dos outros pais. Mas agora não me sinto mais assim: ele está certo em dizer que nós devemos parar de maltratar a Terra. E está certo em dizer que todos nós podemos nos esforçar um pouco mais. Agora eu me sinto orgulhoso por ele querer proteger algo tão único e belo como a Terra. Porém todos nós precisamos nos unir, ou nada disso funcionará e o nosso adorável planeta será destruído. Naturalmente, também podemos nos esforçar para descobrir outro planeta para vivermos, mas não vai ser fácil. Sabemos que não existe nenhum perto de nós. Portanto, se existe outra Terra lá no espaço, e pode existir, está muito, muito longe. É excitante tentar descobrir novos planetas e novos mundos no universo. Mas não quer dizer que a nossa casa não seja o lugar para onde queremos voltar. Precisamos ter certeza de que daqui a cem anos ainda poderemos retornar à Terra. E então vocês devem estar querendo saber como aprendi tudo isso. Bem, a outra coisa que eu queria lhes dizer é que para descobrirem o universo e ajudarem a Terra vocês não precisam encontrar uma chave secreta de verdade, como me aconteceu. Existe uma que todos podem usar, se aprenderem. Chama-se Física. Basta isso para entendermos o universo à nossa volta. Obrigado!"...
(George e o Segredo do Universo - Lucy & Stephen Hawking)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O céu do dia em que eu nasci...


Eram vinte e uma horas e quarenta e cinco minutos do dia vinte de fevereiro de mil novecentos e oitenta e oito, o céu do dia em que eu nasci estava com o formoso Sol brilhando na constelação de Aquário e com a Lua nova quase que beijando Vênus na constelação de Peixes, todos sendo observados pelo imponente Júpiter. Mais além, Mercúrio observava um fato curioso, Marte, Saturno e Urano andavam de mãos dadas pelas bandas da constelação de Sagitário, pareciam três amigos se divertindo num parque em um dia de sábado. Netuno estava também por aqueles lados procurando se juntar aos amigos e lá distante o solitário Plutão (que ainda era considerado um planeta) só observava toda essa maquinaria universal se movendo.
Enquanto isso, um bebê nascia aqui na nossa amada mãe Terra e olhava pela janela da maternidade para o lado do nascente, mas, infelizmente, todos esses astros que foram citados já estavam dormindo, pois já era noite, ele só conseguiu ver um formoso Leão que já estava alto no céu. Mas não teve problema, aquele bebê teria toda uma vida para observar e aprender sobre todos os astros que a partir de um momento de sua vida ele passou a amar e admirar cada vez mais.
E o que toda essa maquinaria universal tem a ver com o que eu sou hoje? Nada, nada, nada. Acredito que os astros não dizem nada sobre a personalidade de ninguém, mas dizem tudo sobre a criação e origem de todos nós, afinal, viemos todos lá de cima. Astrologia X Astronomia, isso tudo é uma outra história.
E o bebê cresceu e há cinco anos escrevia aqui no blog um texto chamado "Cheguei aos 21..." e falava sobre o terceiro passo dado na sua vida, me referia a adultez que chegava de vez. Incrível como o tempo de cinco anos hoje é totalmente diferente do tempo de cinco anos de quando éramos crianças, naquele tempo demorava séculos para se passar cinco anos, hoje em dia cinco anos foram apenas um piscar de olhos.
Pisquei os olhos, me olhei no espelho e percebi um rosto mais marcado com rugas, mais castigado pelo sol, com mais espaços vazios entre os cabelos, mas se pensa que vou me lamentar por isso, pelo contrário, me sinto orgulhoso pelo tempo e experiência que ele me deu. Como é bom se ter experiência, como é bom cometer erros para aprender com eles e até mesmo continuar errando com eles, toda uma vida se passa e se evolui. E evolução de forma alguma quer dizer melhora, evolução significa se transformar, aprender mais sobre si mesmo com o tempo.
Apesar do tempo ter passado, das experiências terem aparecido, ainda me sinto com a cabeça de um adolescente, com poucas pitadas de adulto. Porque como é chato ser adulto, como adultos são chatos. Seus problemas viram causas impossíveis, prefiro ficar com o eterno sonho adolescente de que a vida vai ser do jeito que eu quero, e ela vai ser mesmo. E que venham os cabelos brancos, mas continue o espírito jovem.
E há cinco anos eu também escrevia sobre "Quando eu crescer...", que falava sobre possíveis profissões que eu queria ter. A profissão atual que me sustenta é realmente a de professor de Educação Física, que me faz feliz, mas que não penso muito sobre ela, sobre como eu atuo. É aquela coisa, quando se passa a fazer algo todos os dias, a coisa passa a ficar automática, você esquece de pensar sobre ela. Com isso, me deixei levar por tantas outras coisas que muito me interessam e podem até virar uma "profissão oficial" no futuro.
Hoje, por exemplo, já me sinto mais um músico do que há cinco anos atrás, ainda não sou um violonista exemplar, mas dá pras pessoas me ouvirem sem problema e já fiz algumas apresentações e até um show que foi uma das melhores coisas que já fiz na vida. Também me deixo levar pela escrita, poesia e filosofia, tá tudo interligado, uma coisa puxa outra, tudo se encaixa, minha ânsia por escrever, por demonstrar meus pensamentos em palavras escritas continua, mesmo sendo tudo isso uma eterna vã filosofia. E mais recentemente me achei definitivamente não como astronauta, mas como astrônomo, e com isso me completo em minhas questões, descubro que Deus na verdade é o próprio cosmos e tudo que nele existe ou como dizem Os Mutantes, eu posso até mesmo "pensar que Deus sou eu".
Enfim, hoje/ontem cheguei aos 26 e já se foi metade deste terceiro passo da minha vida. Que venham mais anos para eu continuar aprendendo com os outros, comigo mesmo, com os detalhes da vida. E como dizem os astrônomos numa forma de saudação e de coisas boas "céus limpos para vocês!"...

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O Fascínio do Universo...


"Não somos nem o ápice nem o final da evolução, somos apenas uma espécie transitória. 
[...] 
Daqui a cinco bilhões de ano, o Sol inchará em forma de gigante vermelha, expelindo uma bela nebulosa planetária enquanto seu cadáver se contrai numa bola escura, milhões de vezes mais densa que o ferro. Impulsionado pela energia escura, o universo continuará expandindo-se de forma acelerada, ficando cada vez mais rarefeito, frio e escuro.
Neste universo em que os próprios astros são transitórios, a humanidade não é mais que um brevíssimo capítulo. Embora microscópica no tempo e no espaço, é ela quem conta essa grande história."
(O Fascínio do Universo, organizado por Augusto Damineli e João Steiner)

E cada vez que leio mais sobre Astronomia, cada vez mais me afasto das crenças e valores religiosos, cada vez mais tenho fé na ciência. É o momento em que diversas questões da minha vã filosofia passam a ser respondidas, questões estas não só minhas, mas de toda a humanidade, durante toda a sua história.
Quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos? Na encruzilhada que separa a filosofia da ciência e a ciência da religião, é lá que eu me encontro, me respondo tais questões. E está tudo lá no alto, no infinito, viemos das estrelas e nossa principal estrela num futuro distante nos levará.
E cada vez mais acredito no inusitado acaso que formou tudo que existe, a Grande Explosão que deu origem a tudo, cada vez mais nos vejo quão pequenos e passageiros somos todos nós de nossa espécie, cada vez mais vejo que somos apenas um acaso da evolução.
Até agora somos apenas 200 mil anos de uma breve história que valeu a pena de ser vivida, contada e, principalmente, de ter descoberto tudo isso de que conhecemos hoje, são o passado e o futuro presentes em nós mesmos. E quantas mais questões filosóficas, científicas ou religiosas serão levantadas? Que venham todas para que a gente consiga respondê-las. Mas até quando? Até mais 5 bilhões de anos talvez.
E "quando o segundo sol chegar para realinhar as órbitas dos planetas, derrubando com assombro exemplar o que os astrônomos diriam se tratar de um outro cometa", infelizmente, acredito que não terá havido tempo para outro sol, pois já terá ocorrido "o fim da aventura humana na Terra"...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Duo

Eu tô tão estranho
Que nem sei mais se seus olhos são castanhos.
Eu tô tão irado
Que já me sinto muito cansado.

Eu tô me afastando para poder ficar mais perto.
Eu tô fazendo o errado para depois fazer o certo.
Eu tô bem de baixo para poder subir.
Eu tô te explicando para te confundir.

Eu tô lá em cima para poder te ver.
Eu tô te confundindo para te esclarecer.
Eu tô imitando o seu tom.
Eu tô tentando saber o que é bom.

Por isso eu vou me perder por aí no escuro,
Visitar as luas de Júpiter e os anéis de Saturno.
Por isso eu vou viajar por aí na escuridão,
Puxar as barbas de Netuno e também as de Plutão.

E eu vou andando de mãos dadas com a sorte,
Sendo feliz com a vida e tendo pena da morte.
E eu vou fugindo para o alto das colinas,
Esperando um menino nascer ou talvez uma menina.

Mas nessa vida, ninguém sabe o que vai acontecer
Até que aquilo aconteça.
Às vezes é tarde demais
Para que a felicidade floresça.

Mas nessa vida, quem você acha que vai ficar só um instante
Acaba ficando para a vida inteira.
E quem você acha que vai ficar para sempre,
Já se foi há muito tempo sem dar bandeira.

(Janderson Oliveira)

"Eu tô te explicando pra te confundir. Eu tô te confundindo pra te esclarecer", e o seu Tom Zé sempre inspirando as minhas loucuras...

domingo, 26 de janeiro de 2014

O homem

Vi ontem um homem
Na imensidão do planeta
Derrubando árvores e matando gente.

Quando achava algo que o superasse,
Não examinava nem pensava:
Destruía com voracidade.

O homem não queria a paz,
Não queria o bem,
Não queria o amor.

O homem, meu Deus, era um bicho.


(Janderson Oliveira)

*Paráfrase do poema "O bicho" de Manuel Bandeira...

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Humano demais, divino de menos...

"Vou subir o monte, o Monte Olímpia, 
a morada dos deuses, a morada dos loucos."
(O Monte Olímpia - Zé Ramalho)

Busquei a grandeza de Eros, mas caí nas terríveis garras de Thanatos. Busquei a doçura de Perséfone, mas fui levado ao submundo por Hades. Poderia ser heróico como Hércules, mas doze trabalhos foram demais para mim. Poderia ter a braveza de Perseu, mas me admirei com os olhos da Medusa. Queria ter a força de Heitor, mas me deixei levar pela beleza de Helena. Queria ter a coragem de Aquiles, mas deixamos o calcanhar exposto. 
Descobri que Hera não era minha mãe, Zeus não era meu pai. Apolo e Atena não eram meus irmãos, Poseidon não era meu tio. Hermes não me anunciou, Pégaso não me levou a lugar nenhum. Me descobri na minha "Divina Comédia Humana onde nada é eterno", nada de perfeição, nada de divino, não sou semideus, muito menos um deus, somente um mero mortal. 
Pelo menos posso observar muitos deles hoje à noite, lá em cima no firmamento, disfarçados em constelações. Pelo menos posso lembrar que agora tenho um pedacinho deles em mim, pois um dia já fui estrela que caiu feito lágrima e hoje me tornei humano demais, divino de menos...

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Humano, demasiado humano...


Humano, demasiado humano é ser tão bom para uns, mas ao mesmo tempo ser tão ruim para outros. A mão que afaga é a mesma que apedreja. E dizer palavras que podem levar um pouco de alegria para uma pessoa, mas ver que são as mesmas que levam total tristeza para outra. Dois pesos, duas medidas. 
Humano, demasiado humano é procurar fazer o bem ao próximo, mas esquecer que isso leva o mal para outros. Uma faca de dois gumes. E dizer palavras para fortificar alguém, mas não perceber o sofrimento de outro alguém. "Ascensão e queda são dois lados da mesma moeda".
Humano, demasiado humano é tentar ser altruísta ao máximo, mas descobrir o seu imenso egoísmo exacerbado. "Ver além da máscara". E dizer palavras aconselhadoras para quem está distante, mas não lembrar de dizer palavras de amor para quem está perto. O preço que se paga.
Humano, demasiado humano é passar toda uma tarde refletindo, sem querer ver e nem falar com ninguém, esperando o sol se pôr para ter coragem de olhar para si mesmo e aceitar a verdade. É cair aos prantos até a última lágrima e passar pela experiência incrível de sentir o corpo todo adormecer e quase desabar em um enorme vazio.
Humano, demasiado humano é tentar entender sua própria cabeça, seu próprio intelecto, sua própria razão e não conseguir. É ter alguém amável/admirável para te trazer as palavras certas que você queria dizer e descobrir que é esse alguém que te conhece de verdade e está disposto a te ajudar.
Humano, demasiado humano é seguir buscando equilibrar suas ações para não deixar mais ninguém sofrer. É descobrir que não se vai longe sem ter outros humanos ao lado para te auxiliar nessa longa estrada que insistem em chamar de vida...
  

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Sobre a felicidade...

A noite mais linda do mundo (A felicidade)

Vamos fazer dessa noite
A noite mais linda do mundo!
Vamos viver nesta noite
A vida inteira num segundo.

Felicidade não existe
O que existe na vida são momentos felizes.

Vamos fazer dessa noite
A noite mais linda do mundo!
Vamos viver nesta noite
A vida inteira num segundo.

Felicidade não existe
O que existe na vida são momentos felizes.

A gente pode ser feliz,
Viver a vida sem sofrer, é não pensar no que vai ser.
Não me pergunte se amanhã o nosso amor vai existir
Não me pergunte, pois não sei!

(Odair José)

"Felicidade não existe, o que existe na vida são momentos felizes" é o que diz uma antiga canção que eu pensava ser somente mais um brega desses tantos que existem, mas que recentemente me peguei pensando na sabedoria que traz na sua letra.
Realmente esse negócio chamado de felicidade não existe, o que temos que buscar são momentos felizes em cada atitude do dia-a-dia, seja numa brincadeira com seu afilhado, numa conversa com seu namorado, numa música cantada com sua mãe, numa despedida de um amigo, numa observação do céu noturno, numa leitura de livro com sua irmã, numa queda na esquina do bairro, numa derrota do seu time favorito, num passeio para outra cidade, numa discussão com seu marido, ou seja, é transformar cada instante do dia em um momento feliz, é rir e tornar até mesmo os momentos mais difíceis em alegria, é rir e fazer quem está próximo a você rir também e aí já não terá somente uma pessoa feliz, mas várias. 
E nada traz tanta felicidade quanto ser feliz com alguém e melhor ainda é quando se pode dizer palavras sinceras para as pessoas, dizer o que você realmente sente por elas, isso deve ser o suprassumo da busca pela felicidade. Enfim, devemos buscar momentos felizes em cada momento da vida e deixar que isso se torne rotina, não é possível que assim não se encontre essa tal felicidade...

A Teoria do Amor...

Chega fim de ano e mais uma vez todos desejam a todos as mesmas velhas palavras que lembram velhos sentimentos: paz, saúde, felicidade, amor. Amor? Amor? Amor? Palavras são só palavras e tão difíceis de se entenderem, mais difíceis ainda são esses sentimentos que todos desejam a todos.
Amor? Amor? Amor? Mas o que é isso? Hoje em dia é tão fácil dizer "eu te amo" que eu não sei a que ponto a pessoa que diz sabe realmente o que isso quer dizer, e pior deve ser pra quem recebe essa frase, será que também entende tal sentimento?
Depois de muito pensar resolvi fazer uma Teoria do Amor e descobri que esse tal sentimento pode ser dividido em quatro tipos, são eles:
O Amor Tesão que deve ser aquele sentimento em que você quer ficar com uma pessoa por pura atração física, querer ter bons momentos íntimos com ela, isso é excelente, mas só momentâneo. É o "eu te amo", mas por pouco tempo.
Amor Paixão que deve ser o que acontece entre as pessoas quando elas se conhecem pela primeira vez e acham que pode rolar uma "química" entre elas. É magnífico, você não para de pensar em querer ficar com a outra pessoa, mas se não existe uma recíproca então vem a dor, o sofrimento. É o "eu te amo" loucamente e faria tudo para ficar com você, mas eu posso sofrer por causa disso.
Amor Fraterno que deve ser aquele que a gente sente pelos nossos familiares e pelos nossos amigos, este sim é grandioso. É a vontade de estar sempre disposto a ajudar os outros sem querer nada em troca, sem precisar ficar se exibindo por causa disso. É o "eu te amo" e pode contar comigo pro que for preciso.
Amor Amor que deve ser o tal amor sublime, aquele que une todos os anteriores, aquele em que duas pessoas são capazes de superar todas as adversidades e continuarem se amando. É quando o sentimento torna-se um comportamento e você passa a viver aquilo cada dia. É o "eu te amo" para sempre e vou estar contigo o tempo que for, nos momentos ruins e bons.
Amor? Amor? Amor? No entanto, estas categorias não são estanques, ou seja, você pode variar os tipos de amor com uma mesma pessoa, pode sentir tesão por ela, mas depois se transformar em fraternidade, pode se apaixonar e depois tornar aquilo em verdadeiro amor. E tudo isso é tão insensível, ter que explicar qual tipo de amor você sente por uma pessoa. Mas também tudo isso deve ter acontecido por conta de nós mesmos termos "coisificado" esse sentimento e não conseguir mais diferenciar o que realmente sentimos pelos outros. 
E acho tão feio, tão cruel, tão insensato ter que desejar tantos sentimentos em apenas um dia do ano, por que não fazemos isso sempre? Tem que esperar chegar o fim do ano para desejar bons sentimentos para o próximo ano, qual a lógica desse sistema?
Paz, saúde, felicidade, amor, no final eu desejo só sorte para as pessoas continuarem buscando seus verdadeiros desejos e sentimentos. É, na vida se deve ter muita sorte para se conseguir tudo que quiser e que com a sorte venha a coragem para sair da inércia e ir atrás dos seus sonhos, porque permanecendo parado ninguém consegue nada...

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Do caos ao cosmos...


Instintivamente estou de volta, assim como já fui antigamente, nada sereno quanto a deusa Selene que me mostra em seu sorriso amarelo que devo seguir em frente. E lá em cima no zênite, quando é quarto crescente, em meio a tantas estrelas dissonantes, me lembro do meu coração pulsante e sigo meu caminho adiante.
Integralmente volto a ser, assim como já quiseram me ver, nada brilhante quanto o deus Hélio que me revela todo mistério do ido, doído, do vindo. E lá no alto do céu radiante, me lembro de como era antes na minha pobre mente sã, devo amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
Mas percebo que o futuro já não é mesmo como era antigamente, pois o mundo não é mesmo parecido com o que vejo. As plantas, as pessoas, os animais, tudo bombardeado por explosões atômicas e oníricas, transformando cada ser vivo em uma nova espécie vinda lá do alto, do infinito, da estrela mais distante, da galáxia mais distante. E tanto aqui quanto lá estão presentes os mesmos elementos de carbono e oxigênio, de ferro e hidrogênio, que se combinam para viver ou para matar, para dar vida ou para tirar. E infelizmente, nesse jogo de quebra-cabeça atômico, os seres ditos mais inteligentes são aqueles mais deprimentes, a única espécie que levará à sua própria extinção.
Do caos ao cosmos, do cosmos ao caos, vou lembrando de todos e de tudo que já me fizeram mal. Lembro que tudo e todos são tão insignificantes a nível universal, no entanto, decisivos demais a nível mundial. Mas seguem sem carisma, sem carinho, sem conselhos, com conflitos. Por isso seguem sendo aflitos, tendo apuros, sendo atores, sem amores.
Atores numa vida real de riso ou de dor, desvendando as belezas que há no céu e os males que há na terra, seguem todos esperando por uma nova era. Era do caos que virá na explosão solar ou era da esperança perdida no cosmos do lado escuro lunar?
Esqueço tudo isso e observo as estrelas começarem a cair como lágrimas no meu rosto. Aquelas brilham, brilham, brilham, até que cansam e se apagam para sempre. Estas escorrem, escorrem, escorrem, até que cansam e se guardam para sempre. E no meio de tudo estou eu, tentando secar as lágrimas e repor as estrelas em seus devidos lugares, buscando a serenidade de Selene e o brilhantismo de Hélio. E no meio de tudo estou eu, tentando juntar os insignificantes para lhes dar carisma, carinho, conselhos, amores, sem serem aflitos, sem conflitos, sem apuros, sendo atores. Atores de sua própria novela, protagonistas de sua própria vida, buscando e entendendo seus lugares no cosmos, esquecendo um pouco do caos que os move...

terça-feira, 12 de novembro de 2013

"Muito orgulho, meu pai"...

"Quando eu crescesse eu queria ser que nem você
Agora eu já cresci e ainda quero ser
Eu tenho a cara do pai e tenho cada vez mais
Eu tenho os olhos do pai e o coração
Quando eu crescesse eu queria ser que nem você
Agora eu já cresci e ainda quero ser
Eu tenho orgulho do pai e tenho cada vez mais
É muito orgulho, meu pai e gratidão"
                                                            (Gabriel, o Pensador)


É eu cresci, mas sem o pai. Mas eu não estou aqui para me lamentar de qualquer coisa, para me lamentar de uma peça que a vida (ou seria a morte?) nos pregou, estou aqui somente para lembrar. Não lembrar que já se foi toda uma vida sem um pai, sim, já são 20 anos, já posso dizer que foi uma vida toda. 
Mas não estou aqui para lembrar que ele não tava ao meu lado quando tive que tomar a decisão de mudar de escola, ou quando recebi meu prêmio por aluno exemplar, ou quando passei numa excelente escola de ensino médio, ou quando passei no vestibular. Mas não estou aqui para lembrar que ele não tava ao meu lado quando conheci uma menina, ou para me dizer o que eu devia falar pra ela, ou quando precisei pedi-la em noivado, ou quando nos casamos. Mas não estou aqui para lembrar que ele não tava ao meu lado quando fui aprovado num concurso público, ou para me aconselhar quando tive que ir viver em outra cidade, ou para me ajudar na volta para casa. Mas não estou aqui para lembrar que ele não tava ao meu lado quando sua primeira neta nasceu, ou quando sua próxima vai nascer, ou agora aqui para enxugar minhas lágrimas. 
Devo estar enganado, ele tava sim presente em todos esses momentos, incrível como sempre me lembrei dele em cada um desses momentos e me emocionei em todos. Era o futuro chegando, as alegrias e tristezas aparecendo, mas sempre o lugar à mesa faltando. 
Mesmo com tudo que vivi, ninguém nunca pôde se colocar no lugar que seria dele, ainda bem, foi bem melhor assim. Me virei sozinho e hoje estou aqui para lembrarem que tenho a cara do pai e o coração também, e lembrar que quero seguir em frente deixando em outros rostos e em outros corações a nossa essência, permitindo que alguém me chame de pai também. 
Antes não levava muito em consideração o que as pessoas diziam sobre nossas coincidências e aparências, talvez por não entender direito o peso desse negócio, mas hoje posso dizer que tenho "muito orgulho, meu pai" de ser que nem você, mesmo tendo passado pouco tempo juntos, vou te levar pra sempre na cara e no coração...

domingo, 4 de agosto de 2013

Voyager...


“Nossas atitudes, nossa pretensa importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, em meio a toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos.”
(Pálido Ponto Azul - Carl Sagan)

Somos fracos frutos do acaso, um descaso do destino. Somos pobres viajantes paridos pelo caos, meros espectadores do universo. Somos imperfeições que deram certo, mutações da natureza. Somos sérios seres insignificantes, uma raridade em forma de vida. Somos poeira das estrelas, uma disparidade dos céus. Somos acidentes de percurso, perdidos no curso do tempo e do espaço sideral. Somos um conjunto de átomos, como tantos presentes por toda parte. Somos detalhes de uma irradiação fóssil, dilapidados só como se fôsseis. Somos náufragos da nau à deriva, passageiros de um pálido ponto azul.
Nada de divino entre nós, apenas somos a evolução de outros animais. Nada de diferente dos outros, somos todos iguais. Nada de holofotes sobre nós, apenas somos um filete de luz no escuro. Nada de astrônomos ou astronautas, na verdade, nada mais somos do que astrólogos tentando desvendar o futuro. Nada de superioridade, não estamos no centro, somos a periferia do universo, o giro que chegará ao fim.
Enquanto isso eu estou aqui, no limite do que era infinito até anos atrás, na beira do espaço profundo, saindo do Sistema Solar depois de uma longa viagem pela escuridão até chegar ao espaço interestelar.  Eu estou aqui apenas observando-os girar, girar e girar em torno de uma estrela que um dia se apagará. Até quando, meu Deus, até quando?...

terça-feira, 23 de julho de 2013

Intertextualidade²...

"— Quantas pessoas acha que morreram?
— Tipo, quantas personagens fictícias morreram neste filme fictício? Não o suficiente — ele brincou.
— Não, quer dizer, tipo, desde sempre. Tipo, quantas pessoas você acha que já morreram até hoje?
— Por acaso, eu sei a resposta para essa pergunta — ele disse. — Há sete bilhões de pessoas vivas no mundo, e mais ou menos noventa e oito bilhões de mortos.
— Ah — falei.
Eu achava que porque o crescimento populacional tinha sido muito acelerado, houvesse mais pessoas vivas do que todos os mortos juntos.
— Há cerca de quatorze pessoas mortas para cada vivo — ele disse.
[...]
— Pesquisei isso uns anos atrás — o Augustus continuou. — Eu estava me perguntando se todo mundo poderia ser lembrado. Tipo, se nós nos organizássemos, e designássemos uma determinada quantidade de cadáveres para cada vivo, será que haveria pessoas vivas o suficiente para se lembrar de todos os mortos?
— E há?
— Claro. Qualquer um pode listar quatorze mortos. Mas nós somos uns pranteadores muito desorganizados, por isso acaba que muitas pessoas se lembram de Shakespeare e ninguém nem pensa na pessoa para quem ele escreveu o soneto cinquenta e cinco.
— É — falei."

(A Culpa é das Estrelas - John Green)


Esta passagem do "A Culpa é das Estrelas" trata-se de um diálogo entre Hazel Grace e Augustus Waters (página 140), onde após eles assitirem um filme ela pergunta: "Quantas pessoas acha que morreram?". Assim que li me lembrei logo de um dos primeiros posts que publiquei aqui no blog, trata-se do "Quantos mortos têm no mundo?...", no qual também me questiono sobre a quantidade de mortos que pode existir na Terra. Pensava que era somente eu que pensava sobre essas coisas. É legal duas partes deste livro me fazerem lembrar de coisas que já escrevi sobre e que, coincidentemente, falam do mesmo tema, a morte. Por que será isso hein?...

domingo, 14 de julho de 2013

Intertextualidade...

"Vai chegar um dia [...] em que todos vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de você. Tudo o que fizemos, construímos, escrevemos, pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui [...] vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do Sol, não vamos viver para sempre. Houve um tempo antes do surgimento da consciência nos organismos vivos, e vai haver outro depois. E se a inevitabilidade do esquecimento humano preocupa você, sugiro que deixe esse assunto para lá. Deus sabe que é isso o que todo mundo faz."

(A Culpa é das Estrelas - John Green)

Carpe diem
                                                        
Nem todo dia é dia de sol.
Nem sempre o melhor vai vencer.
Nem sempre as lágrimas são de tristeza.
Nem todo ser livre tem liberdade.
Nem sempre você conhece a si mesmo.
Nem sempre as palavras dizem algo.
Nem todo coração bate feliz.

Haverá um dia que não existirá mais dia.
Nunca mais haverá o melhor.
Nunca mais uma lágrima escorrerá pelo seu rosto.
Haverá um dia que não existirá liberdade.
Nunca mais alguém vai lhe conhecer.
Nunca mais você precisará das palavras.
Haverá um dia que seu coração não vai bater.

(Janderson Oliveira) 

Nos últimos dias eu li um livro chamado "A Culpa é das Estrelas", de John Green, e enquanto estava lendo a página 19, me deparei com uma fala da personagem principal, Hazel Grace, afirmando o que coloquei na citação acima. Logo que li, me lembrei de um poema, "Carpe diem", que escrevi há alguns anos atrás (talvez em 2008) e fiquei impressionado como aquela passagem do livro explicava exatamente o meu sentimento ao escrever o poema, este sentimento de "esquecimento", onde no final, lá no final mesmo, o fim de tudo, ninguém vai ser lembrado. Por isso o nome do poema é este que significa "aproveite o dia", por isso sigo insistindo em aproveitar tudo isso aqui, cada dia de sol e de chuva também, cada vitória e cada derrota, cada lágrima de tristeza ou de felicidade, enfim, temos que aproveitar a vida, pois como já disse várias vezes aqui nesse mesmo blog, temos apenas UMA para ser vivida...

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Pós-modernidade

Conceito de moderno? Sei mais nem o que é isso.
Eu vivo é no pós-moderno rebuliço.
O moderno já está ultrapassado,
A onda agora é o pós-moderno acelerado.
Ninguém lembra mais das fábricas da Revolução,
O bom agora é o poder da comunicação.
O mundo todo cabe na palma da mão,
Com câmera, som, celular, internet e televisão.
Se dá algum problema, junta tudo e joga fora,
Já tem outro prontinho na hora.
Você não precisa mais nem visitar um amigo,
Não importa a distância, ele está sempre contigo.
Não necessita mais de um beijo, de um toque ou de um abração,
É só ver a cara dele naquele bicho de terceira geração.
O negócio agora não é mais micro, é nano.
Não é mais física clássica, é quântica.
Não é mais poesia no papel, é digital.
Não é mais beijo de língua, é virtual.
A pós-modernidade pôs a humanidade em xeque,
Não precisa mais nem preencher o cheque.
Deixa que a máquina faz isso pra você.
Na pós-modernidade até a água tem sabor,
Ela não é mais insípida, inodora e nem incolor.
Vamos acasalar com o robô ginóide
E esperar pra ver o que nasce.
Vamos dar de comer pro cachorro mecânico
E esperar que ele se engasgue.
Vamos batalhar pelo super computador,
Pode ser que só assim diminua a dor.   
Vamos construir mais neologismos internéticos
E continuar vivendo nesse ritmo frenético.
E assim caminha a humanidade,
Aproveitando a pós-modernidade.
Mas quanto vale um quantum?
Quanto vale um chip?
Quanto vale um software?
Quando o respeito não existe mais.
Quando o povo não vive mais em paz.
E o amor vale quanto?
Põe na minha conta que eu pago.


(Janderson Oliveira)

quarta-feira, 13 de março de 2013

Salve, salve o Mangue Boy Malungo...

No dia 13 de março de 1966 nascia Francisco de Assis, o Mangue Boy Malungo, mais conhecido como Chico Science, um dos responsáveis por criar o Manguebeat, junto com os tambores pesados, os riffs de guitarra e os grooves de contrabaixo da sua Nação Zumbi. Dono de voz e dancinhas insubstituíveis, Chico Science faleceu em 1997 devido a um acidente de carro causado por falha no seu cinto de segurança. No vídeo abaixo, Chico fala um pouco da sua Nação Zumbi.


O próximo vídeo é da música "Malungo", gravada no ano de 1998, logo após a morte de Chico Science, em que os membros da Nação Zumbi (que tá na ativa até hoje) juntamente com Fred 04, Jorge Benjor, Marcelo Falcão e Marcelo D2 homenageiam o grande Mangue Boy Malungo Chico Science. Esta é uma daquelas músicas para se ouvir em alto e bom som.


Coincidentemente no mesmo dia 13 de março, hoje, foi escolhido um novo Papa e que utilizará o nome de Francisco, seria uma homenagem ao grande Chico Science? Risos...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Fichas sujas


Caras canalhas Calheiros,
Genoinos gentios garapeiros,
Que sugam o suado dinheiro
Do nosso pobre povo brasileiro
Pra investir nos seus podres puteiros,
Ou seja lá onde lhes for mais conveniente.

Senhores de terno e gravata
Que têm o poder de mudar a nação,
Acabam mesmo é desviando
O dinheiro que seria pra educação,
Criando o grande mal da corrupção.
Ou seja lá do que vocês queiram chamar.

Vocês que são os verdadeiros urubus,
Comendo a parte daqueles que levam a cruz.
Nós que somos verdadeiros guerreiros,
Colocando pra funcionar o sistema brasileiro,
Mesmo sabendo que o caminho é traiçoeiro,
Ou seja lá como você achar que for.

Corrupto que engana a população,
Bandido que leva vida de barão,
Tantos nomes pra dar a minha opinião:
Salafrário, mentiroso, ladrão.
Político ficha suja,
Mais sujo ainda é o seu coração.
                             (Janderson Oliveira)

Geralmente quando estou indo pra escola pela manhã eu começo a lembrar de algumas músicas e vou cantarolando mentalmente. A música de hoje era "Pega ladrão!", de Gabriel, o Pensador, que é um pouco antiga, mas traduz muito bem o que acontece ainda hoje em nosso país, a corrupção. Lembrando dos versos: "Pega ladrão, no Governo. Pega ladrão, no Congresso. Pega ladrão, no Senado. Pega lá na Câmara dos Deputados", eu não podia deixar de lembrar dos figuras Renan Calheiros e José Genoino. Então, ainda no caminho da escola pensei no primeiro trecho do texto e a tarde completei. Dando umas pesquisadas básicas na net ainda fui surpreendido por essa brincadeira de mau gosto do irmão de Renan Calheiros, vibrando com a sua volta à presidência do Senado, ninguém merece: 

A VOLTA

Hoje saiu dos meus ombros essa cruz
Pra tirar do meu peito esse catarro
Nessa imprensa fétida escarro
Jornalistas, hipócritas, urubus
Se espremer essa corja só sai pus
O senador deu um troco alvissareiro
Tá de volta mostrando que é guerreiro
Competente, leal, tem brilho e luz
Deu a volta por cima e enfim conduz
Os destinos do Congresso brasileiro
                                       (Robson Calheiros)

Só no nosso país mesmo que os corruptos não são punidos, voltam ao poder e ainda tiram sarro de nossas caras, ê ê Brasil! Mas é assim mesmo, um dia a gente aprende, enquanto isso vamos esquecer um pouco essa conversa fiada que não leva à nada e vamos bater palmas pras nossas escolas de samba que começarão a desfilar hoje no nosso lindo Carnaval e esperar que a quarta-feira de Cinzas chegue com a contagem de nossos mortos e tragédias...

domingo, 21 de outubro de 2012

"Morremos de rir no horário eleitoral"...

"Hoje o pessoal reclama do engarrafamento, mas se tem engarrafamento é porque o pobre conseguiu comprar um carro." (Alegre senhora comentando na propaganda eleitoral do Elmano).
Ah senhorinha, se a senhora soubesse que seria mil vezes melhor se o rico que fosse andar de transporte público assim como o pobre e não acontecer o contrário. Mas pra isso o transporte público teria que ser de qualidade né? Mas quem vai tornar o transporte público de Fortaleza mais adequado para pobres e ricos?
"É Roberto Claudio na cabeça!" (Alegre senhora comemorando na propaganda eleitoral de Roberto Claudio). 
Ah senhorinha, se a senhora soubesse que o Roberto Claudio realmente é especialista em mandar na cabeça, nos peitos e nas pernas dos outros, principalmente dos professores. Ele manda bem, mas manda bem é os outros tacar o cassetete na população. 
A expectativa nos candidatos à prefeitura de Fortaleza não é das melhores, um deverá seguir o trabalho, a continuidade de uma gestão que prometeu e não cumpriu, o outro deverá seguir as atitudes autoritárias aprendidas com um governador que prefere garantir seu sucesso do que olhar para os problemas da população. 
A situação está difícil, em sinal de protesto eu seguirei meu voto do 1º turno de 50, porque ainda acredito que "nada é impossível de mudar". Sei que o voto nulo não será a solução, pois na verdade meu voto não valerá pra nada, mas será melhor do que ajudar um candidato no qual sou contrário às suas ideias e, neste caso, sou contrário a ambos candidatos...

terça-feira, 24 de julho de 2012

Foi...

Foi, me ensinou a ser adulto, me jogou para bem longe e hoje estou não sei onde. Foi, me levou por campos desertos, senti arrepio na pele e na cabeça levei protestos. Chuva na cara, corpo molhado, paz longe da cabeça, problemas para todo lado. Corri sem rumo certo, chorei de aflição, vivi com dificuldade, segui sem direção.
Já chegou a velhice, você foi embora e pra mim nada disse. O tempo passou depressa, cada um foi para o seu lado, vivemos esse tempo todo separados. Cabeças opostas, saudades distantes, lugares desiguais, vidas constantes. Esperei para ver, vivi e não vi, esperei para crer, acreditei e não vivi.
Com angústias, com medo, a vida passou em segredo. Agora tudo está parado, para mim que já sou velho, já não há mais saída nesta vida sem elo. Já fui um solitário travesso, um visionário ao contrário. Já fui um otário às avessas que nesse verso me despeço.
“E dizem que a solidão até que me cai bem”.
Foi, não aprendi a ser criador, muito menos criatura, só o que senti foi dor nessa horrível aventura. Foi, voei mas foi baixo, saí da gaiola mas sozinho não me acho. Libertou a criatura, quebrou a gaiola, aumentou minha loucura, trouxe o que mais me assola.
Passei por tantos sinais, que nunca me mostraram como viver em paz. Esqueci daqueles tempos de criança, se apagou da memória toda esperança. Tempo ruim, tempo mau, tempo esse que vai chegando ao final. Sinal errado, sinal cerrado, sinal fechado, ele nunca esteve aberto.
Verde, amarelo, vermelho. Vermelho, amarelo, verde. Pare, atenção, não siga. Não siga, atenção, pare. Atenção, não siga, pare. Não siga, atenção, não viva. Não viva, atenção, pare. Pare, não viva, morra. E no final todos dizem: “ele perdeu, ele perdeu!”. E agora mesmo eu digo: “foi, não aprendi a viver, foi, não aprendi a viver”... 

terça-feira, 6 de março de 2012

Vem...

Vem, me ensina a ser criança, me pega pela mão e me enche de esperança. Vem, me carrega por campos de centeio, sente arrepio na pele e na cabeça nenhum aperreio. Brisa no rosto, cabelo ao vento, paz dentro da cabeça, problemas em nenhum momento. Correr sem rumo certo, brincar sem apreensão, viver sem dificuldade, seguir sem direção.
Mas chegou a adultez, maiores são os problemas para resolver de cada vez. Mas o tempo passou de repente, cada um foi para o seu lado, vivendo em mundos diferentes. Cabeças iguais, lugares distantes, vidas opostas, saudades constantes. Viver para ver, esperar para crer, crer para ver, esperar para viver.
Sem angústias, sem medo, o passado passou tão cedo. Agora os sinais seguem fechados, para mim que já não sou tão jovem, mas eu darei um jeito de que eles se renovem. Serei um travesso ao avesso que atravessa cada verso, serei um otário ao contrário, um visionário solitário. 
"E dizem que a solidão até que me cai bem".
Vem, me ensina a ser criador, contemplando sua criatura, sem sentir nenhuma dor, quero ver se me atura. Vem, me ensina a voar bem alto, libera essa gaiola e liberta esse pássaro. Liberta essa criatura, quebra essa gaiola, libera essa loucura, afasta o que nos assola.
Mas eu volto há tantos sinais, que sempre mostram como viver em paz. Mas eu lembro do tempo de criança, que sempre mostram como ter esperança. Tempo bom, tempo ruim, tempo esse que não devia ter fim. Sinal certo, sinal errado, sinal aberto, sinal fechado. 
Vermelho, amarelo, verde. Verde, amarelo, vermelho. Siga, atenção, pare. Pare, atenção, siga. Siga, atenção, não pare. Não pare, atenção, viva. Viva, atenção, não pare. Não pare, viva, com atenção. E ao final irão dizer: "eles venceram, eles vencerão!". E agora mesmo eu digo: "vem, me ensina a viver, vem, me ensina a vencer"...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O que não vi da vida...

Será que já está na hora de me despedir daquilo tudo que não aconteceu? Dar adeus aquilo que nunca vi e nem vivi? Dar tchau para os momentos bons que não aconteceram? É essa a hora certa?
Tudo feito na ilusão realidade ideal que só existiu no idealismo da minha consciência, mas a real realidade nunca existiu naquilo que me cerca, na matéria ao meu redor. E segue aquele velho jogo filosófico de longas discussões sem respostas certas.
O que não vi da vida, na verdade aconteceu na minha cabeça, mas era só ilusão. “O contrário do contrário, do contrário, do contrário”, a negação da negação. Um quebra-cabeça de pensamentos bons que não são palpáveis, uma chuva de momentos felizes que não tocam o chão.
O primeiro vôo de pára-quedas, o último beijo ao portão. A primeira flor à florescer no dia, o último pôr-do-sol. A primeira letra do livro, a última cena do filme. A primeira noite de amor, o último filho a nascer. O primeiro choro de alegria, a última briga do casal. O primeiro acorde da música, o último verso do poema.  A primeira cidade visitada, a última viagem realizada. O primeiro banho de mar, a última queda na piscina. O primeiro bilhete recebido, a última carta escrita. O primeiro dizer de “pra sempre”, a última despedida dando “tchau”.
Enfim, a realidade são as idéias ou o material? O que está na minha cabeça ou o que está ao meu redor? O que não vi da vida, será que realmente aconteceu de verdade ou realmente era só ilusão? Sempre sigo com perguntas sem respostas...

sábado, 12 de novembro de 2011

"Tal pai, tal filho"...

12 de novembro, não precisa mais ter nada de trágico nesse dia, nossa relação já está amadurecida. Hoje eu estou tão certo como tudo que há de incerto dentro de mim. O futuro já chegou e o passado nunca voltará. Engraçado como pra falar do futuro usamos verbos no passado e pra falar do passado usamos verbos no futuro. Palavras, pra quê elas servem mesmo? Sentimentos, pra quê eles servem mesmo? Impossível é juntar os dois, transformar os sentimentos em palavras. Mas a gente tenta!
“Tal pai, tal filho”, esse é o ditado que todos falam, mas é impossível comprovar o ditado e as semelhanças além das físicas, as outras o tempo não deixou acontecer, sem ocasião, sem oportunidade de saber. E nossa relação acabou-se assim, logo no começo, sem saber como poderia ser ou como poderia deixar de ser, foi bom o pouco tempo que durou, poucas lembranças de um passado distante, mas ainda assim, boas lembranças. Como é bom ter uma memória de elefante, grande memória de pequenos fatos, é isso que me traz a alegria. Nos detalhes, é lá que se esconde o que chamam de felicidade.
E essa relação já chegou à maioridade, 18. Dezoito anos sem saber como seria, dezoito anos de comparações, dezoito anos de saudades. “Para a mente bem estruturada a morte é a grande aventura seguinte”. E todo esse tempo me fez pensar melhor sobre isso que chamam de morte, hoje posso falar que não tenho medo de morrer, mas tenho pena de morrer e deixar tudo isso aqui. Maior pena ainda é que só temos uma chance, só essa.
Desculpe se ninguém nunca consegue entender nada do que eu falo, talvez uma única pessoa em vida entenda, talvez ele entenderia, mas repito de novo, não tivemos a oportunidade. Sabe de uma coisa, é impossível entender, afinal, os sentimentos são impossíveis de se transformar em palavras. Saudades? Medos? Tristezas? Alegrias? Felicidades? Esperanças? Coloca tudo isso e mais um pouco junto que pode dar certo. É a vida, esperando ela chegar a qualquer momento.
A bênção, seja lá onde estiver!...

domingo, 2 de outubro de 2011

Que saudades

Ai que saudades que sinto de não sei quem.
Que falta me faz aquele rosto que não vi.
Como me faz sofrer aquela luz que não acendi.
Que saudades tenho daquele passo que não dei.
Daquela música que jamais toquei.
Que falta me faz aquele poeta que não li.
Aquele beijo que não recebi.
Como me faz sofrer aquela beleza que não encontrei.
Que saudades que sinto daquela brincadeira que não participei.
Daquele jogo que nunca joguei.
Que falta me faz aquele sorriso que não fiz.
Aquele abraço que não quis.
Como me faz sofrer aquela frase que não disse.
Ai que saudades que sinto do calor que não aqueci.
Que falta me faz o mundo que não conheci.
Como me faz sofrer aquela vida que não vivi.

(Janderson Oliveira)

A chance...

Eu sigo escrevendo para ninguém ler, cantando para ninguém ouvir, atuando para ninguém ver, amando para ninguém sentir. Como um velho Dom Quixote que luta por causas já perdidas, como um louco que grita para surdos, como um palhaço que se apresenta para cegos, como uma flor jogada para mortos. 
Muitos dirão que foi tudo em vão, me chamarão de tolo que já perdeu todo o ouro. Eu lhes digo que é da cabeça dos tolos que saem as maiores riquezas, se não pra agora, pra esse momento, pra esse mundo, pra essas pessoas, talvez para as gerações que virão. 
Dizem que a gente só começa a dar valor depois que perde, pois que eu perca agora para ganhar depois. Dizem que a gente só começa a dar amor depois que perde, pois que eu perca agora para ganhar depois. 
Só agora entendo o que Renato Russo insiste em dizer na música “Índios”, em que ele sentia saudade de tudo aquilo que ainda não viu, eu vou além e digo que eu sinto não apenas saudade daquilo que ainda não vi, mas também do que ainda não vivi. Saudade daquele vôo de asa-delta que nunca fiz; saudade de colocar mochila nas costas e sair caminhando estrada afora feito Alexander Supertramp; saudade de ter minha banda e gritar as minhas idéias para multidões que nunca vi; saudade de ter meu filho que ainda não chegou, doce como qualquer outro rosto de criança que nunca vi. 
Só agora entendo a síndrome de FOMO (Fear of Missing Out) que Humberto Gessinger cita nos seus “Poemas com notas de rodapé”, é o medo de perder, medo de perder a oportunidade, medo de perder a hora, medo de perder a vez, medo de perder a chance. 
Só agora entendo a dica que Geraldo Vandré deixa na música “Pra não dizer que não falei das flores”, temos que fazer a hora, agora, não esperar acontecer. Não podemos perder a oportunidade, a hora, a vez, a chance, só temos essa chance. Carpe diem. 
Uma única vida para ser vivida, a única chance de fazer as flores vencerem o canhão. A gente só tem essa vida mesmo e cada um faz o que bem quiser com ela. Mas da vida só não quero levar flores, muito menos lágrimas, talvez leve conhecimento. 
Mas pra que conhecimento depois de morto, se de nada adiantará? De que adianta saber a causa da morte, se já estarei morto? E depois que isso acontecer não quero ser exposto a moscas e aos olhos dos outros, ainda mais trancado dentro de um caixão, prefiro ser cremado e jogado seja lá onde for conveniente. Também não vou querer flores, “quem é que quer flores depois de morto? Ninguém”. 
Só sei de uma coisa, essa é a nossa única chance, temos que agir agora, sem medo, com ousadia. Essa vida é muito curta, a gente tem que passar nela e deixar alguma coisa feita, porque depois a gente morre e ninguém deixa nada pra gente, a não ser as mesmas velhas flores...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Indignação...



CiDITADOR, respeite o professor! Voltamos ao tempo da ditadura em que as pessoas apanhavam pra garantir seus direitos? Chegamos no limite da sanidade, senhor governador? Professores têm que apanhar pra garantir seus direitos? Indignação é o mínimo que se pode ter após assistir cenas como estas contra nossos companheiros de classe. Mais indignação ainda é saber que os responsáveis por tal violência nada mais são do que funcionários públicos do estado do Ceará, ou seja, são funcionários do estado agredindo funcionários do estado, todos sofrendo sob as mesmas mãos pesadas e injustas de nosso governador. Falando nele, onde estava nosso governador nessa hora? Observando tudo do alto do seu trono? E nossos deputados que ainda aceitaram a proposta que divide a classe de professores? Só lembro que os políticos passam, mas a história fica aí para ser contada para sempre. Enfim, poucas palavras, as imagens nesse caso valem muito mais do que mil palavras. Dia 29 de setembro de 2011, um dia que já entrou para a história da luta trabalhista pela educação no estado do Ceará...

sábado, 17 de setembro de 2011

Caras...


Caras. Quem são estas caras? Quem são estes caras? De quem são estas caras? De quem são estes caras? De quem são as caras destes caras? Ora, as caras destes caras são destes caras, minha cara. As caras no espelho. Os caras do espelho. Os caras do espaço. As caras no espaço. Se as caras fossem todas iguais. Se eu fosse um cara diferente. A cara e a coragem. A cara e o coração. Os caras sem coragem. Os caras sem coração. De cara com o inimigo. O inimigo é o cara. Do cara sou amigo. A amizade é cara. Dar a cara à tapa. Dar uma tapa no cara. Dar uma tapa na cara do cara. De cara a cara com estas caras. De cara a cara com estes caras. Encara as caras destes caras, minha cara...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Madrugada alada...


Na madrugada alada que me leva para um lugar bem distante do senso comum. Na madrugada alada, na calada da noite, nas vozes da cidade, no silêncio total, alço vôo, vou pra cima, pro alto, muito além de qualquer céu, muito acima de qualquer estrela eu me encontro com meus delírios, meus espasmos, meus deslizes, minhas alucinações, minhas ilusões, minhas angústias, meu sentimento, minha insônia.
Longe do senso comum eu me sinto como na conquista do espaço, “lá do alto deve ser esquisito, aqui de cima até que é normal, minha cabeça pesa quase dois quilos, meu corpo flutua, peso nenhum”. Longe de qualquer pessoa eu me sinto como nos filmes de guerra e nas canções de amor, “preciso beber qualquer coisa, não me lembre que eu não bebo, o que só nós dois sabemos, nós sabemos que é segredo”.
Falando em nosso segredo, eu lembro que lá embaixo eu a deixei, mas isso não pode, ela precisa vir comigo, pois “você vai comigo aonde eu for, você vai bem se vem comigo, serei teu amigo e teu bem, fica bem, mas fica só comigo”. Nossa história não pode ficar perdida em algum lugar entre o era uma vez e o nunca mais. Acorda vai, vem passear comigo em algum lugar que não sabemos onde fica.
Sei que ninguém me entende, nem eu mesmo, é que “tenho muito mais dúvidas do que certezas” porque sigo o filósofo que lembra que “a dúvida é o preço da pureza”. É que eu faço tudo ao contrário para não demonstrar que eu estou certo, pois sei que estou sempre com a certeza mesmo demonstrando a dúvida. Digo talvez porque tenho medo de dizer não, mas se realmente fosse preciso eu diria sim. Ah dúvida! “Sem dúvida a dúvida é um fato”.
O senso comum nos leva a fazer tudo igual ao que todos fazem, “iguais aos poucos que ainda andam, iguais a tantos que andam loucos, iguais a loucos que ainda andam, iguais a santos que andam loucos de satisfação”. Não quero isso para mim, muito menos pra você, vamos fugir disso, vamos construir nosso próprio mundo, totalmente insano, deixar a madrugada nos levar céu adentro, mundo afora.
E se eu cito palavras alheias, é pela total falta de criatividade para tirar palavras bonitas dessa cabeça que anda meio louca. E se eu digito palavras virtuais, é pela total falta de estrutura para redigir à livre punho. Mas, afinal, pra quê tantas palavras? Elas servem apenas para complicar. Pena que sentimentos compliquem ainda mais.
“Quinze pras duas”, “duas e meia”, “já passa das três”, acorda vai, vamos em boa hora fazer parte da minha loucura, seguir viagem nessa madrugada alada, deixar ela nos levar para bem distante do comum, do igual, do racional, do concreto, do asfalto.
“Eu voava alto porque tinha um grande par de asas, até que um dia caí”...

Os anjos caídos (ou A construção do caos)



Os homens são anjos caídos que Deus mandou para Terra
Porque botaram defeito na criação do mundo.
Aqui, começaram a inventar coisas, a imitar Deus.
E Deus ficou zangado, mandou muita chuva e muito fogo.
Eu vi de perto a sua raiva sacra, pois foram sete dias de trabalho intenso.
Eu vi de perto, quando chegava uma noite escura.
Só meu candeeiro é quem velava o Seu sono santo.
Santo que é Seu nome e Seu sorriso raro,
Eu voava alto porque tinha um grande par de asas
Até que um dia caí.
E aqui estou nesse terreiro de samba,
Ouvindo o trabalho do Céu.
E aqui estou nesse terreiro de guerra,
Ouvindo o batalha do Céu.
Nesse terreiro de anjos caídos.
Cá na Terra trabalho é todo dia,
Levantar, quebrar parede,
Matar fome matar a sede,
Carregar na cabeça uma bacia
E esse fogo que a Sua boca envia
Pra nossa criação.
Deus,
Esse terreiro de anjos,
Esse errar que é sem fim,
Essa paixão tão gigante,
Esse amor que é só Seu,
Esperando Você chegar.
Os homens aprenderam com Deus a criar
E foi com os homens que Deus aprendeu a amar.

(Lirinha)

"Os anjos caídos" é uma música de uma banda chamada Cordel do Fogo Encantado, de Arcoverde/PE, que infelizmente findou em 2010. Essa música é tema do filme "Deus é brasileiro" e no vídeo é interpretada espetacularmente pelo grande poeta Lirinha...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Apenas jogo!... ou O meu time sou eu...

Não jogo pelo ouro, pela prata nem pelo bronze, apenas jogo! No meu time não jogam onze, nem sete, muito menos cinco, somos apenas um, o meu time sou eu, quem joga o jogo sou eu, apenas jogo! Não quero saber de jogar bonito ou feio, ganhar ou perder, só quero jogar, apenas jogo! Sem mandingas ou superstições, preces nem orações antes de entrar em campo, tanto faz se entro com o pé direito ou o esquerdo, eu tenho que jogar é com o corpo todo, apenas jogo! Não me importa a posição na qual devo jogar, no ataque ou na defesa, driblando ou marcando, apenas jogo! Nesse jogo o placar é o de menos, gols a favor, gols contra, gols feitos, gols perdidos, o certo é que aprenderei com todos eles, apenas jogo! Não me satisfazem os risos do campeão e muito menos as lágrimas do perdedor, prefiro a indiferença do empate, apenas jogo! Não preciso de câmeras pegando todos os detalhes do meu jogo e nem de torcida gritando pelo meu nome, não jogo defendendo camisa alguma, apenas jogo! Sou eu o dono da bola e faço questão de ser, mas não me interessa saber para qual lado devo chutá-la, chuto a bola, jogo a vida, apenas jogo! Jogo a vida, logo existo, apenas jogo! Mas o que é a vida senão infinitos jogos que jamais serão vencidos, no entanto, não desisto e sigo jogando, apenas jogo! E nesse jogo eu me acerto mesmo nos meus erros, nas quatro linhas de qualquer campo, entre as linhas do meu texto, nas entrelinhas do meu coração, apenas jogo!...