"Eu vi o tempo brincando ao redor do caminho daquele menino"...

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Sobre Sara

No cerebelo de Sara bela,
Com seus sentimentos sensacionais,
Saem memórias sensitivas
E também sensoriais.
 
Sara não é mais menina,
Sara não é mais mulher.
Sara agora vai ser
Tudo aquilo que ela quiser.
 
No seu sofisticado sofá,
Sentada, sossegada, está diferente.
Sara sente sono e sente sede,
Sara só não se sente contente.
 
Quer sarar do coração e da cabeça,
Sob seus sonhos surreais.
Sonhos de seres esquisitos,
Sonhos de mundos irreais.
 
Bela Sara serelepe,
Para sempre será bela.
Mas será que haverá alguém
Mais bonita do que ela?
 
Pergunte ao espelho sobre Sara,
Mas ele não saberá lhe responder.
Porque Sara sempre será secreta
Pra mim, pra ele ou pra você.

(Janderson Oliveira)

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Entre o sonho e o choro...

Hoje eu já sou mais velho do que o meu próprio pai. Não importa quanto tempo passa, com a sua lembrança a gente sempre cai. O tempo passa, mas a gente aprende com a dor. Meu ancestral divinizado que ainda chamo de senhor. Você morreu pra gente viver, você se foi pra gente crescer. Mas essa troca não foi boa, desde bem pequeno é choro o que ecoa.
Tem horas que parece que eu sou apenas uma criança, um menino chorando por aquele colo que nunca teve. Soluçando sem parar, derramando rios de lágrimas. É tão ruim, tão horrível, mas ao mesmo tempo é tão bom por ser tão ingênuo e bonito. É a hora que me leva de volta para mim mesmo, para a minha essência, para aquilo que ainda me faz sonhar. Sonhar sonhos grandes, dignos de grandes espetáculos.
Já foi o pai, o pai do pai, agora a mãe da mãe e, de repente, parece que o tempo vai simplesmente escorrendo pelos dedos, parece que não vai dar tempo para mais nada, parece que os sonhos nunca vão ser alcançados, mesmo que aquela criança retorne com o seu choro tão sincero. Já foram tantos choros, já foram tantas mortes em vida, mas o melhor de tudo é a catarse, a energia vinda de dentro se renovando, a vontade de só seguir em frente. Com choros, com sonhos, com o tempo que vai se esvaindo, se esvaindo, se esvaindo.
É incrível como eu só consigo escrever bem na hora da tristeza, se eu tivesse me aproveitado do meu choro, eu já teria entrado para a história. Mas ele serve só para me confortar sozinho mesmo, sem ninguém por perto, sem nem um colo para acalentar, sem nenhum olho para testemunhar. E se as minhas lágrimas tivessem se transformado em letras, será que meus sonhos já teriam se tornado realidade?...