"Eu vi o tempo brincando ao redor do caminho daquele menino"...

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Mate-me...

Mate-me, sentado à beira do mar, com fone alto aos ouvidos e brisa fria a bater em meu corpo, observando a minha mais bela paisagem: os verdes mares do meu querido Ceará. Mate-me, mas mate-me de verdade, para que não tenham chances de eu voltar e estragar tudo de novo. Mate-me, de um jeito que minha cabeça ainda possa ver meu corpo uma última vez ao cair, mas com um golpe rápido, seco e cruel, sem tempo para reagir, sem sentimentos para sentir, sem saber qual foi o último pensamento que raciocinei. Mate-me, numa noite nublada e triste de carnaval, em meio ao relento, sem testemunhas para me ver, sem lágrimas a cair, sem confetes para colorir, sem coveiros para me enterrar. Mate-me, deixe o mar me engolir, os peixes fazerem um banquete de mim e no outro dia o sol ressecar o que sobrou de pele, o que sobrou de couro, o que sobrou de meu ser, apenas mate-me...

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Agora é para sempre...

 

“Reverbera
No baque virado do maracatu
A força e energia dos nossos tambores
É mais uma estrela na noite azul”
(Reverbera - Gabriel Vasconcelos / Filipe Adan)
 
Agora é para sempre, até durar a força bruta da minha pele que bate no couro firme do meu tambor. Carne, couro, pele. Morre, nasce, ressuscita. Segue batendo, batendo, batendo e o som reverberando no baque pesado do meu maracatu, enquanto o desenho vai permanecendo firme no risco fino em minha pele.
Agora é para sempre, mais um ano completo e que não vejo a hora de encontrar minha alfaia e tocá-la com toda diversão, satisfação e emoção que ela me proporciona. Baquetas, madeira, couro. Ritmos, baques, sons. Ressoa, deixa fluir, encontra outros tambores, faz uma festa no meio do terreiro, celebra com alegria a vida de todos nós e dos nossos antepassados.
Agora é para sempre, levarei o que há de mais ancestral em mim riscado em meu couro, me lembrando que transcendo quando toco Ngoma, meu pai tambor. Caixa, alfaia, bumbo. Ferro, agogô, xequerê. Levarei o meu batuque até que cheguem meus últimos dias e meu som siga ressoando universo afora, na minha mente adentro...
 
“E anunciou que a criação não iria parar, que viessem crianças, mulheres e homens para escutar o Ngoma cantar, dançar e alegrar a vida. É por isso que os bacongos dizem que Ngoma, o tambor, será o pai de todos os que transgridam a dor em desafios de festa e liberdade. Sua benção, Ngoma, nosso pai tambor! Nós estamos no mundo para celebrá-lo!”
(Tambor, o Senhor da Alegria – Luiz Antônio Simas)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Forever loneliness

You continue saying that I'm just another one who turned his back on you. But and about you? What do you do to keep the people close to you? Screams, curses, threatens? On this way you will be alone in your forever loneliness...

"But my dreams
They aren't as empty
As my conscience seems to be
I have hours, only lonely
My love is vengeance
That's never free"
(Pete Townshend)

domingo, 9 de janeiro de 2022

Será que o ifá irá me responder?

 


Envolta em teus cabelos negros,
Quantos mistérios tens para guardar?
Será que serei eu,
O sortudo que irá te desvendar?
E até mesmo que eu queira,
Será que eu ainda vou te ter?
Mesmo distantes no tempo e no espaço,
Será que o ifá irá me responder?
 
Discreta, porém bonita,
Obscura talvez ela fosse.
Te liberta de ti mesma,
Mostra para todos o teu lado doce.
Vem com um brilho na pele,
Vem com um olhar radiante,
Vem como menina de um lugar incerto,
Vem como deusa de um lugar distante.
 
Traz estampada a cara da morte,
Mas ao mesmo tempo a beleza das flores.
Pode trazer tuas mágoas
Que eu vou te libertar das tuas dores.
Deixa-me entrar no teu espírito,
Te mostrar o meu valor.
Eu sou aquele que te cuida,
O que saberá te dar amor.

Me ama em todas as redes
E em todas as camas que tiverem também.
Me encosta nas paredes
E em qualquer lugar que te convém.
No sofá, na mesa, na escada,
Onde mais queres te satisfazer?
Me afoga em teus líquidos,
Coloca pra fora o teu prazer.
 
Não deixa de sentir os sólidos,
Aquece tuas mãos em minha carne quente.
Deixa-me escrever pelo teu corpo,
Feito tatuagem que muito se sente.
Se o lápis for a minha língua
E se o papel for a tua pele,
A gente passa horas nesse jogo,
Até que o gozo se expele.
 
Então a gente volta para casa,
Como na fria madrugada.
Então a gente esquece do que passou
E recomeça nossa caminhada.
Então a gente esquenta novamente,
Como num paraíso mitológico.
Então a gente sente o que sentia,
Mesmo sendo tudo tão ilógico.

(Janderson Oliveira)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

“O coração dos aflitos pipoca dentro do peito”...

O amor é bom, mas a paixão... Ah, a paixão maltrata!
Meu coração está em muitos lugares, talvez por causa disso que eu não viva sossegado, pois estou sempre apaixonado, me errando em tantos lares. Por causa disso eu vivo estando em vários lugares fantasiosos ao mesmo tempo, seja através de bons sonhos, seja em pensamentos irrealizáveis ou então em desejos que nunca acontecerão. Isso é um carma, mas nunca uma perfeição.
Meu coração viaja por tantos cantos, ele está na cicatriz daquele rosto, naquela face bonita que se foi de repente, na amizade que ficou e fez o sentimento bom continuar, na pequena de alma gigante que sempre me encanta, na voz distante que eu insisto em escutar, no sorriso de menina que sempre traz boas sensações, na loucura maravilhosa que insiste em permanecer, nos cabelos que o vento rapidamente soprou daqui, nas novidades semelhantes que acabam de chegar. Mas no final, ele está é aqui solitário a pipocar.
Um pedaço em todo lugar, mas o todo em lugar nenhum. Fragmentado, ele leva toda a culpa. Mas já é sabido que a confusão toda, na verdade, é provocada pelo sistema límbico.

“O sistema límbico é um conjunto de estruturas localizadas no cérebro, abaixo do córtex e responsável por todas as emoções e sentimentos. A grande função do sistema límbico nos seres humanos é coordenar as atividades sociais que possibilitam a manutenção da espécie através de sua vida em sociedade. Desenvolver relações que permitam uma vida em comunidade dependem da atividade dos neurônios localizados nessas estruturas”. 

Tá vendo? Pobre coração, sempre sai como bode expiatório. A vida tem dessas coisas, tudo sempre é contraditório.
“Coração bobo, coração bola, coração balão”. O meu coração é bobo, mas é bom. Ele é besta, mas ele presta. Ele voa, mas sempre volta. Onde ele vai achar moradia, afinal? Quem está com a chave certa para trancá-lo de vez? Ou seria abri-lo de vez? Quem está com o pote para reunir cada pedacinho espalhado por aí? Já está na hora dele buscar sua certeza ou é melhor ainda se deliciar pelas incertezas do caminho? É melhor ter um coração livre, espalhando carinho ou um coração preso a um único ser? Enquanto sigo a me perguntar, eu sigo sozinho a viver...

domingo, 21 de novembro de 2021

Só o amor não basta...


Se você veio ler esse texto esperando por algo romântico, que exalte o amor, pode parar por aqui, você se enganou. Este texto contém impureza e tudo que é bom para nós e sem noção para os outros.
No final, só o amor não basta. O que eles querem mesmo é o prazer, curtir a vida, ir para festas, usar drogas, transar bem muito e apalpar carnes novas. E, afinal, do meu corpo ele já usufruiu do jeito que queria e que não queria também, estava na hora dele ir atrás de outros corpos.
Posso falar pra vocês, já gritei muito sentando nele, ele já meteu bem gostoso o quanto eu quis e eu já fiz de tudo para fazê-lo gozar em mim. Sim, eu o obrigava a fazer coisas que somente eu queria, devo ser ninfomaníaca.
Perguntei para uma amiga o que eu faria agora que já não tenho mais ele para me satisfazer desse jeito, ela simplesmente disse “fode ele no teu pensamento”, mas mal sabe ela que eu já faço é muito isso. Preciso é de coisas novas também, acho que vou voltar ao Facebook para ver se tem alguma coisa boa por lá, se é que vocês me entendem.
[...]
“Oi, sumida!”, foi essa a primeira mensagem que apareceu cerca de 40 minutos depois que eu estava perambulando pelo Facebook. Eu já tinha rido de vários memes bestas que me fizeram passar o tempo, tinha visto alguns vídeos engraçados de animais e curtido fotos de gente que fazia tempo que eu nem via. Mas aí chegou essa mensagem, e vocês sabem o que significa essa mensagem, não é? É óbvio que depois de tanto tempo de chats e redes sociais, todos sabemos que ela pode ser substituída simplesmente por um: “quero te comer”, e era exatamente isso que eu queria naquela hora, precisava de alguém para me comer.
Era um velho colega que eu não tinha notícias há tempos, conversamos durante horas naquela madrugada, lembramos dos tempos de escola, das vontades recíprocas que tínhamos um pelo outro e também da vergonha que tivemos, o que nos levou a nunca ter exposto esse desejo. Mas vocês sabem, um desejo não resolvido permanece na gente por anos, só vai passar quando se realizar.
No entanto, naquele dia ficamos só de papinho mesmo na rede social, sexting a vontade, alguns nudes, é claro, e muita putaria boa em palavras impuras e maliciosas. Terminamos com o que temos de melhor dentro de nós, o nosso gozo. Naquele mesmo dia criamos um código para quando fôssemos nos ver, se eu chegasse rindo e ele também, saberíamos que os dois estariam querendo transar de verdade.
Numa terça-feira marcamos de almoçar juntos e conversar um pouco. Fiquei com aquilo na minha cabeça: “eu vou rir quando ver ele e ele já vai saber o motivo da minha risada”. Se ele risse de volta iria me confirmar isso, ele realmente queria me pegar. Pensei mais um pouco: “vou rir bem muito até esperar um convite para tudo se tornar real”. Enquanto pensava nisso, só sentia meus mamilos ficando rígidos, esperando pela boca dele, senti minha calcinha ficar encharcada, o que comprovei quando cheguei em casa e vi a situação que ela estava. Mas, infelizmente, naquele dia não deu certo, ele precisava voltar ao trabalho, mas poucos dias depois a vontade se tornou realidade.
Eram quase três horas da manhã de um sábado para domingo, chovia muito, mas mesmo assim ele pegou o carro e veio bater aqui em casa. Sim, fui eu que fiz o convite, pois precisava muito experimentar alguém diferente. Ele já chegou me perguntando o porquê de uma loucura dessas, numa hora dessas, eu só respondi: “porque gostei, porque achei boa a vibe, porque eu quero ser tipo uma puta para ti”.
Eu já estava com um shortinho bem tentador e uma blusa que só cobria meus seios, fiz questão de subir as escadas na frente dele, para ele ir apreciando o meu corpo. Fomos direto para o quarto e daí para a frente foi só felicidade para dois corpos que ansiavam por sexo. Peles, paixões, prazeres. Bocas, lábios, dois seres. Cabelos, unhas, mãos. Suspiro, arrepio, arranhão. Beijos, palavras, amor. Suor, clímax, calor. Cobiçamos um ao outro, só terminamos depois que eu me satisfiz bem muito e, no final, fiz ele gozar com a minha boca.
Não tem nada melhor depois de uma boa trepada do que ficar deitado ao lado do outro, rindo de besteiras aleatórias. Foi assim que acabou essa minha aventura sexual, entre conversas, risos e carinhos. Por um par de horas, ele me fez esquecer do meu menino, aquele menino que é uma lembrança tão linda, pena que hoje não significa mais nada.  Às vezes eu tenho a certeza de que o prazer vale muito mais do que o amor.
Lembrar isso tudo já me acendeu aqui de novo, acho que vou me aproveitar sozinha mesmo, espero que vocês já estejam fazendo o mesmo aí do outro lado da tela...

Por Sara Fernandes

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Sufoca...


Sufoca, mas depois para. Demora, mas depois sara. 
Nessa época em que vemos tantas máscaras, vou começar a revelar algumas das minhas. Já fui a puta que deu por dinheiro, já fui a lésbica que beijou a boca de outras mulheres, já fui a hétero que fodeu bem gostoso, já fui a menina que buscou caras mais velhos, já fui a madura que amou um menino. Mas sempre “fui minha, só minha e não de quem quiser”. Minto, se aquele menino me quiser, sempre serei só dele, pois “sou Deus, tua deusa, meu amor”.
Chega uma hora que uso tantas máscaras que já não sei mais qual estou revelando e nem para quem eu estou revelando, acabo enganando a mim mesma e, no final, me sinto sufocada demais com minhas próprias máscaras. Aliás, sufocamento é a palavra que traduz muitos dos meus últimos dias. É você lutar constantemente para dar certo, mas ao mesmo tempo se sentir sufocada por não conseguir fazer com que ele ficasse. No final, só o amor não bastava, a juventude merece muito mais que isso, “todos têm, todos têm suas próprias razões”.
“Minha terra tem a lua, tem estrelas e sempre terá”, era esse um dos versos que ele gostava de cantar para mim, nos nossos melhores momentos. Ouvindo essa música agora, voltei a uma das melhores lembranças que tenho da vida, algo que continua eterno em mim. Foram choros, saudades e abraços, mas foi um momento que marcou muito pelo forte carinho e afeto que eu senti e carrego todo ele até hoje. Passado e presente se encontrando num mesmo sentimento, mas eu sigo a sina da solidão com meus pensamentos. “I’ve been losing my mind in these sweet dreams of loneliness”.
Vocês mal sabem que eu agora mesmo não queria sufocamento de máscaras e muito menos sufocamento de sentimentos, eu queria mesmo era me sufocar de prazer, de tesão, de desejo. 22h42, essa era uma boa hora para nos satisfazermos, queria apenas as mãos dele no meu pescoço, movimentos frenéticos, suor pelo meu corpo, fluidos nas minhas partes e depois risadas de felicidade, era isso que ele me proporcionava. Mas agora, sabe-se lá onde eu irei encontrá-lo.
Parece que é sempre assim, chega uma hora que as pessoas cansam de mim, dão as costas e simplesmente vão embora. Eu não sou boa de cama, eu não sou boa de lábia, eu não presto pra nada. Ah, quer saber: Viva! Esqueça de mim! Faça as coisas por você!
E era sobre isso...

Por Sara Fernandes

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Catarse...

Sou fortaleza no que diz respeito a enfrentar batalhas mentais, já passei por tanta coisa que tenho certeza que poucas pessoas passariam. Inclusive, já presenciei algumas pessoas definhando devido à falta de força para lidar com esse tipo de batalhas. É mais comum do que a gente pensa, mas diversas pessoas desistem, enfraquecem e até mesmo morrem por não conseguirem enfrentar seus dramas e traumas.
Felizmente eu consigo vivenciar o luto, ele é essencial que seja vivido, porém por pouco tempo. Às vezes dura apenas um dia, quem sabe três, talvez a semana toda, mas o certo é que uma hora ele passa e a felicidade volta. Nessa metamorfose ambulante vital eu vou do inferno ao céu, da desistência à resiliência, da rigidez do asfalto às nuvens de algodão.
Nesse caminho de enfrentamentos eu sou, literalmente, guiado pelo meu pai. Apesar de ele estar tão distante, só eu sei o quanto ele esteve sempre por perto durante esse tempo todo. Logo eu que não sigo nenhuma religião, acabei fazendo dele o meu guia espiritual, o meu ponto de apoio, a minha paz interior.
Acho que foi por causa dele que eu nunca fui atrás de experimentar as pequenas falsas felicidades da vida como: beber, cheirar, fumar ou coisas do tipo, isso nunca me interessou. Talvez por causa dele eu sempre procurei seguir o rumo certo, mesmo sem ter ninguém presente para me orientar.
A verdadeira felicidade eu sinto em pequenas outras coisas do dia-a-dia como: sentir uma brisa de mar sentado na areia da praia, mergulhar na infinitude do mar, estar de chamego com alguém, praticar um esporte, jogar um vídeo game, assistir a um filme, batucar num tambor, tocar meu violão, ouvir uma boa música, escrever este texto, sorrir da brincadeira das crianças, ensinar meus alunos, aprender a andar de bicicleta aos 33, isso sim são momentos felizes.
E nisso tudo o que não me falta é esperança. Mas esperança de que? Nem eu sei, só esperança de que o dia de amanhã será melhor do que o dia que já passou. Esperança de que uma hora os momentos felizes serão mais frequentes do que os traumas. Esperança de que a minha fortaleza seguirá vencendo minhas batalhas mentais.
CATARSE...



quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Eu vou andar pela mata


Eu vou, eu vou
Eu vou andar pela mata
Eu vou, eu vou
Eu vou andar pela mata
 
Eu vou andar pela mata
Seguindo as pegadas de Exu
Eu vou andar pela mata
Com Caboclo Sete Flechas, Oxóssi, Omulu
 
Eu vou, eu vou
Eu vou andar pela mata
Eu vou, eu vou
Eu vou andar pela mata
 
Eu vou andar pela mata
Não importa se ela é fechada
Supero qualquer encruzilhada
Com Exu andando ao meu lado
Eu topo e enfrento toda parada
 
Eu vou, eu vou
Eu vou andar pela mata
Eu vou, eu vou
Eu vou andar pela mata
 
Eu vou andar pela mata
No passo dessa batucada
Eu sei que ela é sagrada
Com Sete Flechas andando ao meu lado
Eu vou na mandiga e soltando flechada
 
Eu vou, eu vou
Eu vou andar pela mata
Eu vou, eu vou
Eu vou andar pela mata
 
Eu vou andar pela mata
Sigo Oxóssi e vou na caçada
De manhã até de madrugada
Com Omulu andando ao meu lado
Eu venço a ferida, ela fica curada

(Janderson Oliveira)

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

A corda...

A gente começa com uma corda curta, que é capaz de deixar um bem coladinho ao outro, bem juntinho mesmo, um com o coração encostado no coração do outro. Aos poucos essa corda vai se esticando, o outro vai se afastando, mas você vai segurando cada vez mais forte para não desprender do outro. Independente de quão forte você segure essa corda, o que você mais quer na verdade é manter o controle sobre o outro. Toda a falta de coragem em soltar a corda deve estar associada ao medo de perder. Com isso, você continua ali segurando e observando até que ponto o outro é capaz de esticar a corda.
Ei, acorda! Olha, ele já vai bem longe, mas daqui acho que ele ainda está segurando a mesma corda. Ei, acorda! Vou lá ver como ele está, mas chego lá e vejo que há muito a corda já está solta no chão, só restaram as pegadas. Ei, acorda! À toa eu estava segurando a corda com a mesma força de quando ela era curta. Às vezes, segurar machuca mais que deixar ir...

sábado, 25 de setembro de 2021

Estamos todos por um fio...


Já estou cansado de ser um grande sonhador por toda a madrugada, mas me desfazer de todos os meus sonhos logo no primeiro fio de sol. Cansei de deixar para trás tudo aquilo que planejei, que imaginei, que sonhei em realizar. Já não suporto mais a minha autocrítica em não colocar as minhas ideias para frente, preciso fazê-las saírem dos meus pensamentos, torná-las realidade.

"Nunca mais eu vou sair de mim
Me deixando aqui tão só
Vulnerável, posso enlouquecer
Posso até me opor ao pôr do sol"
                   (Em frente - Netto Viana)

Do pó eu vim, ao pó eu vou, só não sei onde tudo isso vai dar. Mas quem sempre esteve por aí e sabe demais o seu caminho é o sol, que insiste em aparecer em todo raiar do dia. Ele já estava aqui bem antes de nós e continuará enviando sua energia vital mesmo depois que todos nós não estivermos mais habitando esse planeta. Por fim, daqui a alguns bilhões de anos esse mesmo sol explodirá e acabará com todo resquício de vida que ainda restará sobre esse fio de Terra. Aquilo que nos dá vida, pode ser o mesmo que nos mata.

"Tempo, quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir"
      (O sal da Terra - Beto Guedes)

Que pena não viver mais duzentos anos, infelizmente a vida se acaba bem antes disso. E falando nisso, quantas vidas se acabaram nesse último ano? Primeiro colocaram toda a culpa num vírus, mas estava claro, era óbvio que o vírus é o próprio ser humano.
Estamos todos por um fio. E enquanto todos estão por um fio, muitos se escondem atrás de filtros, fingindo esconder a realidade que os cerca. Pena que nem sempre esses filtros são apenas das redes sociais. Enquanto isso, a minha cabeça está nas nuvens, indo atrás do meu juízo que já está há muito tempo perdido por aí no universo. Fios no céu, filhos da terra, filtros pra quê? Cabeça nas nuvens, juízo no pé, realidade pra quê?

"Que pena ter que ter só 10.000 anos
Cara, falta tempo, sobram planos!
Já não sei mais nada que eu sabia
Cada vez que gira o ponteiro gira
Cada vez mais"
            (Segura a onda, DG - Humberto Gessinger)

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Libera os gatilhos - A canção


Aí eu abro a janela pra desopilar,
Mas aquilo que eu penso é difícil aceitar.
O mundo onde eu vivo nunca é igual,
Não importa quanto tempo eu viva aqui, afinal!
 
Então eu desisto e volto pra sala,
Mas quase sem crer eu ligo a TV.
Tem lixo que pensa que é mito
E eu no sufoco nem acredito.
 
Tem gente morrendo, tem vírus matando.
Tem outro gritando e um apanhando.
Tem um reclamando e outro apoiando.
 
Desligo a TV e volto à janela,
Só vejo silêncio, um sopro na tela.
Aí eu me lembro da cara dela,
Da mina, menina, moleca, bonita.
Pedindo: “me beije e abrace,
Só quero mesmo que tudo isso passe”.
 
E eu digo pra ela:
 
Libera os gatilhos, deixa fluir
E se precisar põe teu corpo em mim.
Encosta em meu ombro, descansa direito
E se precisar dorme em meu peito.
 
Aí vou pro quarto e me olho no espelho,
Então o que vejo?
O espelho é o mesmo, mas eu mudei tanto,
Só queria um colo pra cair no pranto.
 
Me torno menino como há um tempo atrás,
Implorando que essas dores acabem de vez
Que tragam de volta nossa sensatez.
 
Aí eu me lembro daquela menina
Tão linda, sapeca, moleca, bonita.
Pedindo: “agora, vem pra perto de mim,
Eu posso ser seu porto, se você permitir.
Esquece esse mundo que não tem mais jeito.
Vem pra cá descansar, aqui em meu peito”.
 
E ela diz pra mim:
 
Libera os gatilhos, deixa fluir
E se precisar põe teu corpo em mim.
Encosta em meu ombro, descansa direito  
E se precisar dorme em meu peito.

(Janderson Oliveira)

sábado, 27 de junho de 2020

Libera os gatilhos


Aí eu abro a janela só pra desopilar,
Mas aquilo que eu penso é difícil aceitar.
O mundo onde eu vivo nunca é igual,
Não importa quanto tempo eu viva aqui, afinal.
Vai ser sempre rico comendo pobre, vai ser pobre comendo lixo.
Enquanto um é tratado como lorde, o outro é tratado feito bicho.

Desisto e volto pra sala,
Mas quase sem crer eu ligo a TV.
Tem lixo que pensa que é mito e eu no sufoco nem acredito.
Tem gente morrendo, tem vírus matando.
Tem outro gritando e um apanhando.
Tem um reclamando e outro apoiando.

Desligo a TV e volto à janela,
Só vejo silêncio, um sopro na tela.
Aí eu me lembro da cara dela,
Da mina, menina, moleca, bonita.
Pedindo: “me beije e abrace,
Só quero mesmo que tudo isso passe”.

E eu digo pra ela:
Libera os gatilhos, deixa fluir
E se precisar põe teu corpo em mim.
Encosta em meu ombro,
Descansa direito
E se precisar dorme em meu peito. 

Aí vou pro quarto e me olho no espelho,
Então o que vejo?
Um rosto, um cabelo, uma barba e um desejo.
Esperando que tudo se acabe,
Que o passado volte trazendo lembranças
Do tempo tão bom de quando eu era criança.

O espelho é o mesmo,
Mas eu mudei tanto,
Só queria um colo pra cair no pranto.
Me torno menino como há um tempo atrás,
Imploro que essas dores acabem de vez
Que tragam de volta nossa sensatez.

Aí eu me lembro daquela menina
Tão linda, sapeca, moleca, bonita.
Pedindo: “agora, vem pra perto de mim,
Eu posso ser seu porto, se você permitir.
Esquece esse mundo que não tem mais jeito.
Vem pra cá descansar, aqui em meu peito”.

E ela diz pra mim:
Libera os gatilhos, deixa fluir
E se precisar põe teu corpo em mim.
Encosta em meu ombro,
Descansa direito
E se precisar dorme em meu peito.

(Janderson Oliveira) 

domingo, 14 de junho de 2020

Devaneios²...

Tento fugir, mas não consigo esquecer dos momentos que passei ao lado do meu homem, ou melhor, do meu menino. Já se passaram vários dias e várias noites sem nada de notícias dele. Tento buscar explicação em pensamentos ilógicos e em bebidas amargas que ardem na minha boca, "pensando bobagens, bebendo besteiras", sem ninguém ao lado para conversar, sem novidades para contar, sem datas para comemorar, sem risos para sorrir.
Já faz quase um ano dessa minha agonia. Ele partiu sem me avisar e nem deixou recados. Desde então eu mudei, vivo sozinha e fico me perguntando sobre os porquês desta vida que é tão cruel. Amores, desencontros, desesperos. Fico aflita comigo mesma, sem saber para onde ir.
E quando eu saio, em todos os rostos ele está, mas quando chego à noite nenhum daqueles rostos está comigo. Aquele rosto de menino eu nunca mais vi, aquele jeito atrapalhado nunca mais me fez sorrir. Sem ter com quem falar, sem ter com quem amar, a noite chega e eu fico encharcada com goles de uma bebida que não reconheço o sabor.
Mas a noite é triste, a solidão sempre me persegue. No rádio rola "você se foi, você partiu, você partiu o meu coração" e não consigo não pensar nele nesse exato momento. A minha boca seca pede o seu sabor, deliro em pensamentos sem lógica. O meu corpo frio espera o seu toque, viajo por lugares nunca antes explorados. Quando volto à realidade, percebo que estou sozinha novamente e a dor da sua perda aumenta ainda mais minha agonia.
Meu coração está em pedaços, o meu corpo também, me sinto velha, feia e sem mais vontade de viver. Vivo porque é meu dever, a ideia do suicídio me aflige, mas a esperança de revê-lo é maior. Garrafas pelo chão, fumaça no ar. Meus alimentos são meus pensamentos, minhas lembranças, lembranças dos tempos bons que vivemos juntos. Mas agora você se foi e eu fico a me perguntar: será que pra sempre?
Antes tudo era comédia, agora, com a sua ausência, a tragédia é algo frequente na minha vida. As lágrimas escorrem pelo rosto nesse instante e delírios acontecem na cabeça de uma amante que perdeu o seu amor. Abandonada e arrasada eu sigo a levar a vida, e o pior, ela segue a me levar. O meu desespero só aumenta a cada dia, sigo minha vida sem razão e sem prazer. Os dias passam, as angústias ficam.
Foi um sonho bom que eu não consegui tornar realidade, foi um livro interessante que eu não pude terminar de ler, foi um vento frio que soprou e eu não me deixei levar. Como tudo e todos nesta vida, eu deixei ele passar, mesmo sem ter sido apenas um passatempo para mim. A única coisa que eu quero nessa vida é poder beijá-lo novamente.
Me pego a imaginar como os mesmos acontecimentos podem marcar para sempre a vida de uma pessoa e serem totalmente insignificantes para outra. Quando o excepcional se torna tão banal, perde-se toda a graça. Mas a sua excepcionalidade se foi sem dar notícias, fiquei apenas com minha pobre banalidade. Fiquei na sarjeta, sem sonho, sem paz, sem harmonia, sem fé, sem força, sem ele, com agonia.
Mulheres cultas e sérias como eu não deveriam escrever esse tipo de coisa, desprezando-se, humilhando-se, mas fazer o quê, este é meu carma, minha vassalagem, minha escravidão emocional, ter que estar sempre lembrando alguém que nunca mais voltará.
E para aqueles que não me conhecem e não entendem os meus vãos motivos de choramingar por um homem, muito prazer, meu nome é Sara! Curada no nome, ferida no coração. Uma princesa sem seu príncipe, uma amante sem seu amor...

Por Sara Fernandes

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Vamos de mãos dadas?


Sou um exímio observador dessa gente que ronda por aí nesse momento. Abro a janela e consigo observá-los, que bom que agora eles podem andar de mãos dadas! Eles seguem como antes, cada um com sua função, cada qual com seu lamento, parecem até formiguinhas. Enquanto as operárias constroem, as rainhas vão lá e destroem, pelo visto nada mudou. Seguimos todos na mesma nave que já se decompõe, quem terá coragem de salvá-la? Se os passageiros se unirem e deixarem de se ferir, o resto da viagem será segura e a nave terá sua cura. Tudo aquilo acabou e agora eu estou aqui com um sorriso no rosto e de braços abertos, acreditando que ainda temos chance, pronto para acolher quantos seres humanos eu for capaz de cativar. Fechei a janela, vou lá descer para vê-los mais de perto, vamos de mãos dadas?

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Pra quem gosta de música...


“Se o artista conhece o folclore da cultura dele,
toca as músicas com paixão.”
(Wynton Marsalis)

E, apesar dessa citação ser de um músico estrangeiro, posso afirmar que não preciso tanto daquelas músicas que vêm de fora, as da minha terra já me satisfazem, as do meu país Nordeste, então? Essas talvez sejam as melhores músicas de todas. A música feita no meu país, no meu terreiro, já me envolve por completo e cada vez que eu me aprofundo mais nela, eu fico ainda mais fascinado. A música me salva, ela é a minha religião.
Sempre viajei em letras, em histórias contadas, em palavras bem escritas, era isso que me fascinava desde cedo, que me digam aquele cara que “usava óculos escuros e previa que a Terra iria parar” ou aquele outro que falava do “tal João de Santo Cristo” ou ainda aquele que exaltava a “festa da música tupiniquim”.
Durante muitos anos eles estão comigo, parece até que alguns já são amigos íntimos. E tudo começou ainda na infância, quando me trancava a tarde toda num quarto e lá estavam tantos e tantos discos que me fizeram formar essa base musical sólida.
“O dia em que a Terra parou”, “Que país é este?”, “Por onde andará Stephen Fry?”, “Quebra-cabeça”, “Da lama ao caos”, “O Grande Encontro”, “Acervo Especial Engenheiros do Hawaii”, “Cássia Eller Acústico”, “Titãs Acústico”, “Djavan Ao Vivo” são exemplos de discos que hoje eu sei que fazem parte da nossa rica música brasileira e me orgulho de já ouvi-los desde pequeno. São os meus velhos heróis de guerra, mas uma guerra sempre boa, uma guerra sempre do bem.
Tudo meu, ainda hoje, é muito musical. Eu escuto música, eu faço música, eu vivo música. Eu crio pensando música, eu escrevo pensando música, eu faço associações pensando música. E ultimamente isso está cada vez mais aflorado.
Lá estão eles, como sempre presos na parede, mas também presos nos meus ouvidos e até mesmo no meu coração. Na parede eu os exponho como uma forma de beleza, nos ouvidos embelezam através das ondas sonoras que invadem e chegam ao meu coração. Com o tempo tentei fazer do meu próprio jeito, mas nunca fui tão bom nisso, sempre fui apenas um eterno admirador e viciado por essa arte, nunca um grande executor dela.
Só depois de muito tempo que comecei a perceber além das histórias e passei a me encantar também por arranjos, por preenchimentos, por sons que sempre estiveram ali e eu nunca percebia. Essa nova "visão" da música veio, claro, por causa da paixão que surgiu pela percussão. AH, A PERCUSSÃO! Foram esses mais barulhentos que fizeram eu entender melhor como funciona todo o processo de criação, pois os graúdos de cordas sem àqueles miúdos não são muita coisa. 

“Antes dos mouros o som
O som de tudo que passou por lá
O som de tudo que passou aqui
O som que vem quem viver verá”
(Antes dos Mouros – Cordel do Fogo Encantado)

É através do estudo da percussão que a gente faz uma regressão e vê que tudo começou com o toque do tambor. AH, O TAMBOR! O pop, o rock, o blues, o funk, o rap, o forró, todos são filhos da batida do tambor. E foi através dele que eu voltei aos nossos ancestrais, às nossas origens.
A gente começa ouvindo as músicas pop, as bandas de rock e vai começando a gostar disso tudo. Depois vai amadurecendo e percorrendo os grandes nomes da MPB e vai tendo noção do processo. Mas é só quando você volta aos cantos e toques dos povos primitivos que você realmente entende tudo e descobre que a magia toda começa lá.
Aí eu retorno para a citação lá de cima, só quando me aproprio do meu folclore que passo a me sentir mais pertencente às culturas primitivas que me formaram, através disso que toco as músicas com muito mais paixão.
Quem me vê tocando um tambor sabe do que eu estou falando. Eu realmente saio desse plano físico, eu transcendo e com certeza consigo fazer uma ligação entre o couro do tambor e alguma coisa além disso tudo aqui. É tudo muito lindo, encantador, emocionante.
Provavelmente eu entro em sintonia com Deus quando estou a apreciar o som de todos os instrumentos juntos, viajando em letras e em histórias contadas e cantadas. E se me perguntam se eu realmente creio em Deus? Não sei, mas talvez Ele esteja em pleno desfile de carnaval, em um sábado de chuva, pulsando através do couro de um tambor que reverbera bem no meio do coração de um batuqueiro. Afinal, Ele está onde a gente quiser...

Desfile de Carnaval do Maracatu Solar (Sábado – 22/02/2020)
Foto de Aurélio Alves (Instagram: @_aurelioalves). Jornal O Povo.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Fortaleza do Maracatu


Ilustração de Luana Florentino (Instagram: @luanaflorentinoc)

Chegaram todos à Pindorama,
Terra rica de tantos seres.
Juntaram-se com novos povos
Num amálgama de saberes.

No princípio foram cativos,
Mas não esqueceram seus antepassados.
Por isso seguiram vivos,
Revivendo o seu passado.

Do adro do Rosário nasceu a beleza.
Do toque dos tambores fez vibrar a natureza.
Do rei e da rainha a nossa realeza.
Do canto dos cantores veio a fortaleza.

Fortaleza do maracatu,
Eu sempre vou voltar pra tu.

Oh, Az de Ouro,
Eu vou voltar pra tu.
Ancestral e transcendental,
Esse é meu maracatu.

Com a Boca Aberta
E o coração também,
Eu vou te revivendo
Nesse batuque que me convém.

Sim, o maracatu venceu!
Deixou o preconceito de lado,
No tempo e no espaço
Ele se fortaleceu.

Hoje eu canto suas histórias,
Hoje eu resgato meus antepassados,
Hoje eu invento novas memórias,
Mas nunca esquecendo do meu passado.

(Janderson Oliveira)

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Reflexões sobre o antes, o agora e o depois...


Retiro o que eu disse. Não, não é verdade, eu até já me desanimei. Pensava que voltaríamos melhores depois disso tudo, mas talvez voltemos é piores. Desde criança sabemos que existe uma lista de animais em extinção, talvez os próximos seremos nós mesmos. E a culpa da nossa extinção será nossa, acredita?
São tantos exemplos de desumanidade nesses tempos de pandemia, começando pelo canalha do nosso presidente, que nos faz ter a certeza de que as coisas não irão melhorar. É só olhar para trás, quantas pandemias já tivemos? A última faz pouco mais de um século, mas a história só mostra o estado onde nós chegamos depois dela. Ninguém melhorou por ter sofrido em pandemias, pelo contrário, só o que tem é gente lucrando com isso. Somos seres consumidos pelo egoísmo e consumidores do capitalismo, não temos mais para onde fugir.
Mas olhando novamente para o retrovisor da história, se pensarmos em experiências “comunistas” pelo mundo, veremos que elas não deram muito certo também. Seja a URSS de Stalin, a China de Mao Tsé, a Cuba de Fidel, a Venezuela de Chávez, a Coreia do Norte de Kim Jong-un ou até mesmo o Brasil de Lula, quase todas foram experiências extremistas, tirando o Brasil, os seus governantes viraram ditadores. O conceito, a teoria, a ideologia pregados pelo comunismo/socialismo/marxismo/leninismo era uma coisa e os caras distorceram tudo na prática.
A única certeza em meio a isso tudo é que esse governo atual do Brasil é o pior que eu já vivi nos meus pouco mais de 30 anos. Um presidente totalmente despreparado e sem noção, o pior é que todo mundo já sabia disso e mesmo assim ele chegou onde queria. Pior ainda é ter tanta gente que segue apoiando as loucuras dele, caminhando lado a lado com o extremismo de direita, beirando ao fascismo. Eu usei muitas vezes a palavra "pior" nesse parágrafo, então é porque a coisa tá ruim mesmo.
No final é tudo política e o povo que se exploda. Chego ao consenso que direita e esquerda não nos levam a lugar nenhum. Putz, o centrão chega a ser ainda pior! (Risos). Já diria Djonga: “esquerda de lá, direita de cá e o povo segue firme tomando no centro”.
O problema todo é social e econômico, uns têm demais e outros têm de menos. Não temos saúde, segurança e educação de qualidade para todos, apenas para aqueles que conseguem pagar. No entanto, é difícil ter uma solução para resolver isso agora, o máximo que podemos ter são paliativos para fingir soluções. O problema todo está é lá no início da história, onde tudo já começou desigual, umas famílias ricas demais e outras sendo escravizadas. Não tinha como isso dar certo no final e talvez esse final seja agora, nesses tempos em que estamos vivendo.
Ou talvez possamos reaprender com as sociedades primitivas e tentar nos dar uma sobrevida diante de tantos males. Há muito tempo esses povos sabem que a mãe Terra clama por socorro, eles sabem que ela reclama dessa nossa exploração desenfreada pela matéria prima. Tanto que a coisa mais essencial hoje em dia não é nem mais a política e nem a economia, mas o meio ambiente. Deveríamos parar e ouvir o que essas sociedades primitivas têm para nos dizer, os nossos índios já habitavam isso aqui bem antes de todos nós, precisamos sentar e assistir às suas aulas. Falando nisso, vale a pena essa aula do líder indígena Ailton Krenak: “fomos, durante muito tempo, embalados com a história de que somos a humanidade e nos alienamos desse organismo de que somos parte, a Terra, passando a pensar que ele é uma coisa e nós, outra: a Terra e a humanidade. Eu não percebo que exista algo que não seja natureza. Tudo é natureza. O cosmos é natureza. Tudo em que eu consigo pensar é natureza”.
A história da humanidade é feita de ciclos e renovações, desde a Antiguidade, passando pelo período da Idade Média, depois as Grandes Navegações, o Renascimento e a Revolução Industrial até chegarmos aos tempos atuais onde reinam o capitalismo e a globalização. Estamos na história, fazendo parte dela e as coisas que vemos não são das melhores. Apesar desse tempo ser riquíssimo em termos de ciência e tecnologia, ainda assim estamos passando pelas piores crises sanitária, econômica e ambiental. Um dia esse ciclo se acaba, renovações surgem e talvez até a nossa espécie melhore, mas é uma pena que não estaremos mais aqui para ver.
Esquece tudo o que eu disse, eu sou bem contraditório mesmo. De noite eu sou bem inventivo, de dia eu já não gosto de quase nada do que eu inventei.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Um lunático na janela...


Um lunático.
Um lunático na janela.
Um lunático na janela esperando.
Um lunático na janela esperando alguma coisa.
Um lunático na janela esperando alguma coisa cair do céu.
Caiu, choveu, molhou! Como eu previa, começou a chover e a ventar forte. Ela está aqui bem pertinho de mim, iluminada por uma luz artificial de poste, ela não cai reta, cai em diagonal, com um vento vindo do leste e com a força de quem inundará muitos lugares.
Eu realmente sou um lunático ao observar tão de perto essas coisas, mas um lunático sem lua. Infelizmente hoje ela não apareceu, têm nuvens escuras demais cobrindo todo o céu da minha cidade. Não sei se ela já nasceu ao leste, se está se pondo a oeste ou se está bem em cima de mim no zênite. Ah, não sei, fica para outra ocasião a sua observação, no momento eu observo a chuva.
Os céus são incríveis, nos privam de uma deusa, mas nos mandam uma princesa. A chuva me faz refletir, me deixa mais abobalhado do que eu já sou, ainda mais nesses dias de isolamento. Sei lá, parece tudo tão irreal e ilusório. Quando a gente vai sair disso aqui? Parecemos moscas perambulando de lá pra cá dentro da nossa própria casa, dentro de nós mesmos. E o que a gente faz com as moscas?
Junto com a chuva vem o frio e junto com o frio vem a vontade de chorar, mesmo sem ter nenhum motivo aparente para isso, chorar mesmo só por causa da condição humana. Ah, esquece! Vocês ainda não estão preparados para isso. São apenas as vãs filosofias, os textos não lidos e os gritos no silêncio de um lunático, e o pior, um lunático na janela vendo a chuva cair...