"Eu vi o tempo brincando ao redor do caminho daquele menino"...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Entre risos e lágrimas...

Entre risos e lágrimas, entre devaneios de hoje e deveres de amanhã, entre a lua e o sol, entre o céu e o inferno. "Esse é o nosso mundo, o que é demais nunca é o bastante". Essa é a nossa vida, cheia de opostos e contradições. E como os opostos me atraem, como eu sou fascinado pelo contrário, pela dualidade, pelo paradoxo, pelo fora da ordem.
Só risos não são pra sempre, também precisamos dos momentos de tristeza, de lágrimas como estas que sempre insistem em correr pelo meu rosto. Sorrisos aparecem durante o dia para encobrirem as lágrimas que aparecem durante a noite. Mas como é constante e cruel essa alternância entre alegria e tristeza, quando se pensa que o bem-estar vai vencer, o mal-estar aparece como uma força bruta. E aquele sorriso marcante, grande e bonito fascina muita gente, fascina toda a gente. Mas por trás esconde lágrimas confusas de uma mente em constante ebulição.
Eu fico aqui transitando mentalmente entre aquele sorriso e aquelas lágrimas, vale a pena se entregar todo dia e toda hora para vivenciar ambas sensações. No entanto, busco entender, mas sem vontade de acreditar no que eu já previa. O que mais entristece é saber que nunca vou conseguir entender tal sorriso bonito e não descobrirei porque ele não é capaz de superar as lágrimas confusas de outrora.
Motivos são tantos, razões também. "Todos têm, todos têm suas próprias razões". A única solução é a aceitação de como cada um é. Cada um é um mundo e cada qual com seu mundo. Só nos resta respeitar o mundo de cada um, entre opostos e contradições, entre risos e lágrimas...

"Eu me entrego a você como uma cidade derruba os muros
Mostrando a realidade da nossa dupla solidão
Eu me dei conta de mim mesmo
E quando vejo sua foto parece que você tá falando comigo
Quem vai carregar esse crucifixo?
Bem que eu queria te ver, mas não posso
Porque meus olhos estão encharcados
Eu não consigo te ver 
Pelo menos por enquanto
Eu não queria partir, mas você me convenceu."
(Despedida - Selvagens à Procura de Lei)


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Mas querer não é poder


Quero meu corpo bem colado ao teu
Me sentir seguro no teu abraço
O aconchego do teu corpo é onde busco meu abrigo
Quero teu corpo, poder beijá-lo todo dia
Te encher de arrepios, te matar de carícias
Quero te morder, fazer você gemer 
Meus pelos na tua pele e já me sinto bem
Teus pelos sentem o contato e já te sentes bem
Pelos e peles em pleno arrepio
Tu e eu em plena harmonia
Só quero isso todos os dias

(Janderson Oliveira)

domingo, 24 de julho de 2016

Pleno de agora, sem planos pra depois...

A cabeça não é comum como a de qualquer um, é como diria o outro: são "várias variáveis", "variações sobre um mesmo tema". Sem muita lógica no meu sistema, mas com várias conexões e associações, pena que não levam a lugar nenhum.
E quantos pronomes indefinidos no parágrafo anterior, mais indefinido ainda é o meu juízo. Mas é que nem tudo tem explicação, existe muito mistério em quase tudo, desde o surgimento do universo até o nascimento de você que me lê agora. "O que não tem explicação, ninguém precisa explicar".
É tudo como era antigamente, só que agora diferente, dá pra entender? Um novo recomeço, um novo ciclo, no entanto, uma velha história. Dessa vez com uma década de experiência, que no fim parece não adiantar muito, pois seguem as mesmas falhas. Eu não me perco, eu peco, eu não sou egoísta, sou ego, eu não me controlo, eu colo, eu não sou independente, sou gente.
Até a madrugada insone é a mesma de dez anos atrás, segue tudo igual, tentando inventar palavras desconexas e ilógicas para serem jogadas na tela em branco, ouvindo músicas aleatórias para trazer a inspiração. Escrevendo para ninguém ler, gritando para ninguém ouvir.
Sigo "pagando pelos erros que eu nem sei se eu cometi", criando expectativas e ilusões que acabam iludindo a mim mesmo. Mais uma vez querendo avançar no tempo, apertar o botão FF>>, e descobrir logo o que vai acontecer lá na frente, mas, ao mesmo tempo, vivendo o presente, sem pensar muito no futuro. Pleno de agora, sem planos pra depois.
O que não passa é a esperança de que tudo vai acabar bem, o coração de menino segue cheio de esperança. Mesmo com o peso do tempo, a pose da criança segue intacta, talvez o maior erro, com certeza a maior virtude. 
Opostos e contradições no mesmo ser, essa segue sendo a sina do velho menino que ainda sente a água escorrer pelo rosto e o vento soprar pela janela. E o resto da história "a gente inventa e só não diz que não tentou"...

quarta-feira, 25 de maio de 2016

O dente-de-leão...


Descobri que um dente-de-leão não pode ficar assim preso na mão, ele se despedaça e perde toda a sua graça. Ele precisa é do céu para voar, lá que é o seu lugar. 
Desde sempre ele cruza o meu caminho e me deixa maravilhado com toda sua leveza, suavidade, liberdade que jamais deve ser aprisionada, pois senão ele se desfaz. Correntes de ar batem e levam o dente-de-leão para qualquer direção, sem rumo certo, mas com muita beleza. Ele é bem mais belo do que sacolas plásticas que tentam imitar tais movimentos libertários, mas estas causam poluição e são feias, aquele só traz momentos de sonho e paz, pelo menos na minha cabeça.
Como um peixe que salta do aquário, como móveis que saem de uma casa já construída, como um pássaro que se liberta da gaiola, assim é o dente-de-leão, buscando o equilíbrio entre o ficar e o ir embora, o equilíbrio entre a prisão e a liberdade.
Mas o peixe morrerá pela ausência da água, mesmo que talvez considere que teve mínimos momentos de liberdade, de se fazer o que queria. Os móveis podem ocupar outros ambientes melhores que o anterior e talvez ficarão protegidos até o fim dos seus dias. O pássaro voará para onde quiser, mas talvez seguirá cantando para ninguém ouvir. O dente-de-leão, este não, ele precisará de maior e total liberdade de tudo aquilo que o prende, é impossível que ele fique preso, pois acaba desaparecendo. É bom ficar e admirar, melhor ainda é deixar ir.


Carl Sagan diria que ele pode servir como uma nave da imaginação e nos levar aos confins do cosmos. E Sagan assim o fez, transformou o dente-de-leão em sua Voyager e hoje ela desbrava o espaço interestelar, levando notícias aqui deste lugar para possíveis criaturas alienígenas.


E assim acredito que são algumas pessoas, são como o dente-de-leão, precisam de todo o espaço para se movimentarem, para se expressarem, para viverem. Ficar preso a qualquer mão, ou até a ela mesma, só vai despedaçar a pobre pessoa. 
Não o prenda, deixe-o ir. Alguns infinitos são maiores que outros assim como alguns "pra sempre" são menores que outros. Algumas coisas devem ficar presas pra sempre assim como algumas devem ser infinitamente livres... 

quarta-feira, 23 de março de 2016

Em qual nível de humanidade chegamos?...

Em qual nível de humanidade chegamos? A banalização da violência está no ápice? Sorrir enquanto se observa um assassinato já é algo tão comum entre nós? Torcer pela morte já se tornou tão banal?
Alguns podem dizer que esse elo com a violência sempre existiu, afinal, nós seres humanos sempre precisamos nos matar para conseguir a sobrevivência, nos degladiamos para fazer o povo sorrir, enfrentamos inimigos que nem conhecemos em diversas guerras, rimos ao sufocar milhões em câmaras de gás, degolamos nossos iguais por pensarem diferente, explodimos prédios e a nós mesmos para causar o terror, achamos certo amarrar o ladrão no poste e esperar ele ir a óbito. 

"Querem sangue, querem lama, 
querem à força o beijo na lona e querem ao vivo."
(Freud Flinstone - Engenheiros do Hawaii)

Como se já não bastasse toda a violência e o descaso que levamos ao lugar onde vivemos, as explorações e os abusos que causamos ao local onde estamos, os desperdícios e os prejuízos que causamos à mãe Terra. Ainda não temos outro lugar para ir viver e mesmo assim não cansamos de abusar disso aqui que é nosso. Não há lado de fora nessa história, ou nos resolvemos com nós mesmos e com nosso planeta ou invariavelmente chegaremos a nossa extinção por nós mesmos e não por causas naturais.

"O mundo oferece tudo para o bem,
Porém, eles só procuram o mal,
O mundo é fabuloso,
Ser humano que não é legal."
(O único problema do mundo - Janderson Oliveira)

Os abraços entre os desconhecidos, os sorrisos sem razão para os iguais, os cumprimentos em silêncio com a cabeça, o aperto de mão fraterno, o olhar de ajuda para quem precisa, o amor recíproco entre nós, onde estão todas estas coisas? Ainda existe amor no mundo? Ainda existe amor entre nós seres humanos?
E qual será o futuro das crianças que já nascem em meio a toda essa violência e intolerância? Quantas mais delas terão que ter lágrimas escorrendo pelo rosto ou morrerão à beira mar por causa das loucuras de seus antecessores? Elas serão a mudança ou a continuação do caos? Serão o futuro ou o fim da nossa espécie?... 

"Ontem um menino que brincava me falou: 
'hoje é semente do amanhã, 
para não ter medo que este tempo vai passar, 
não se desespere e nem pare de sonhar'."
(Nunca pare de sonhar - Gonzaguinha)


domingo, 21 de fevereiro de 2016

Ciclos


Ritos de passagem
Rasgos de papel
Pra que ficar se lamentando
Se eu sei que não vou pro céu

Noites de insônia
Dias de pouca sorte
Como esquecer de vez
Quem ainda me faz forte

Músicas acalmam
Pensamentos delirantes
Por que querer agora
O que eu nunca tive antes

Armadilha desarmada
Prisão aberta aqui
Pra que eu vou ficar
Se já posso é fugir

Sonhos não realizados
Desejos reprimidos
Como deixar pra trás
Sentimentos não vividos

Elos separados
Ciclos diferentes
Por que viver o passado
Se a vida é o presente
                    (Janderson Oliveira)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Troquei a certeza do agora pela dúvida do amanhã...

    "Posso ouvir o vento passar, assistir à onda bater, 
mas o estrago que faz, a vida é curta pra ver.
Eu pensei que quando eu morrer, vou acordar para o tempo 
e para o tempo parar.
[...]
O vento vai dizer lento o que virá 
e se chover demais, a gente vai saber claro de um trovão. 
Se alguém depois sorrir em paz
só de encontrar."
(O Vento - Los Hermanos)

Troquei a certeza do agora pela dúvida do amanhã e neste momento estou aqui sozinho na solidão da noite, vendo nuvens escuras, sentindo o vento passar ao cheiro da chuva, ao canto dos grilos, ao gosto do vinho que nunca tomei, esperando o que o vento lento, o tempo e a vida vão dizer sobre o que virá. Sem great expectations, sem grandes rumos a trilhar, só vivendo cada dia de cada vez.
Só sei que já cansei de me lamentar pelos obstáculos que aparecem no dia-a-dia, agora tenho certeza de que tenho que aproveitar cada detalhe da vida antes que ela passe e eu não tenha feito nada, antes que ela entre no esquecimento. Sim, algum dia todos nós entraremos no esquecimento, não terá mais nada nem ninguém para contar a grande história da humanidade, imagine para contar a minha e a sua que me lê agora.
E se acredita que eu penso que, devido a tal esquecimento, a grande história de todos nós terá sido inútil, em vão, eu digo que penso é justamente o contrário. E é exatamente por isso que devemos aproveitar cada detalhe da vida, para quando chegar no fim, termos a certeza de que tudo isso aqui valeu a pena. Já disse uma vez e volto a repetir: "nos detalhes, é lá que se esconde o que chamam de felicidade".
A realidade não são as ideias daquilo que você pensa em fazer, não são os seus sonhos ou desejos, a realidade é a concretização dessas ideias, desses sonhos, desses desejos. E a felicidade está na realização de cada uma destas coisas que um dia estiveram na sua mente e foram postas em prática. E como diria Alexander Supertramp: "a felicidade só é verdadeira quando compartilhada", por isso, tenha ideias, sonhos e desejos que contemplem e tornem o maior número de pessoas felizes junto com você.
Valeu a pena acreditar nas pessoas, acertar nas escolhas ou abandonar o navio. Valeu a pena errar o caminho, enganar-se consigo mesmo ou bater com a cara no muro. Valeu a pena insistir nas tentativas, inventar novos rumos ou criar novas expectativas. Valeu a pena opinar para os outros, optar pela incerteza ou deixar os erros aparecerem. Valeu a pena usufruir da sorte, unificar os opostos ou estar preso aos enganos para chegar aos acertos. Valerá a pena quando chegar lá no fim, nos momentos finais, no seu leito de morte, pensar que conseguiu realizar, conseguiu fazer acontecer tudo isso e muito mais que você queria. E com suas conquistas, somadas às conquistas de todos os demais seres humanos, o último indivíduo da nossa espécie vai poder dizer com toda certeza que realmente valeu a pena a grande história da espécie humana da qual ele será o último exemplar.
Se o que quer conquistar te faz feliz, te faz bem, te dá prazer e não machuca ninguém, então é porque está querendo conquistar a coisa certa. Se o que quer conquistar machuca alguém, então é só parar, analisar, refletir e pensar uma nova forma para ser feliz, afinal, existem tantos modos de se chegar à felicidade e eles são tão fáceis de serem realizados, basta ter coragem e seguir em frente. Além disso, lembra que é melhor fazer aquilo que se quer do que ficar arrependido por não ter feito. 
O covarde, o fraco, aquele que não toma atitude, provavelmente ficará fadado ao fracasso, ao insucesso, à infelicidade, e o pior, levará esses maus sentimentos aos outros. Não haverá outra chance para tentarmos algo de diferente, sem segundas chances para sermos felizes, a não ser agora. Ninguém nunca voltou para tentar de novo e nem nunca voltará. Investindo na certeza do agora ou acreditando na dúvida do amanhã, apenas "faz o que tu queres, há de ser tudo da lei"...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Gritos ao léu

Se já não posso falar o que quero,
Então é melhor mandar fechar a boca do mudo,
Tapar os ouvidos do surdo,
Cobrir os olhos do cego,
Porque vai ser em vão, um absurdo.

Se já não posso te dizer o que quero,
Vou fazer do meu jeito concreto,
Vou te mandar o papo reto,
Vou ser cada vez mais esperto,
Não vai ser mais nada secreto.

Porque aqui neste canto
Vou deixar é escapar segredo,
Pois não vou viver nessa vida com medo,
Vou é dançar fora do enredo,
Foi o que eu aprendi desde cedo.

Porque aqui neste lugar
Todo louco que se preze,
Precisa saber de cabeça uma prece,
Ter um santo para quem se reze
E fazer da sua vida uma tese.

Mas se não deixarem gritar para ti,
Vou cuidar mais é de mim,
Ver a vida passar por aqui,
Esperar o dia chegar bem assim,
Pra ver tão bonito o que vem lá no fim.

Porque se tudo é mesmo imperfeito,
Então o melhor é ser ladrão,
Para roubar o teu coração,
Ainda te amar lá no chão,
Sem depois precisar pedir o perdão.
                                         (Janderson Oliveira)

LEIA GRITANDO, se não o fez, volte lá e faça do modo correto. Texto escrito há alguns meses, mas que esperou a hora certa para ser publicado. Incrível como as coisas se encaixam nos momentos certos da vida, do "Tempo, Tempo, Tempo, Tempo, quando o tempo for propício"...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Se eu tivesse apenas mais um ano para viver...

A vida é um enorme presente que temos de desfrutar por um curto período de tempo. Por isso, devemos aproveitar ao máximo as coisas boas que ela oferece, fazendo um belo passeio com amigos, lendo um bom livro, ouvindo e cantando nossas músicas favoritas ou até mesmo fotografando os flamboyants e os ipês de nosso caminho.
No entanto, essa mesma curta vida às vezes nos surpreende com seus medos, com suas dores: a perda de um ente querido, uma lágrima que escorre no rosto, uma doença constatada no corpo ou uma angústia que toma conta de nós. Infelizmente, esses são os empecilhos que também devemos enfrentar.
E se, entre tais empecilhos, descobríssemos que teríamos somente mais um ano de vida? Acho que seria o momento exato para realmente fazermos valer a pena tudo o que a vida nos oferece, seria a hora de estarmos mais próximos daquelas pessoas que amamos, seria o momento de levarmos as coisas menos a sério e desfrutarmos mais dos risos e brincadeiras que ainda daria tempo de fazer.
No fim, levaríamos na memória da alma somente boas lembranças do que fizemos. Talvez, algum dia, retiraríamos do baú essas lembranças e voltaríamos a vivê-las em outro plano com as mesmas pessoas que nesta vida decidimos chamar de amigos...

Baseado no texto "Os flamboyants" de Rubem Alves e na música "Ypê" de Belchior.

* Proposta de produção textual da professora Alexsandra Vasconcelos no Semestre II da Casa de Cultura Portuguesa da UFC.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Sobre fraqueza e fortaleza... ou Sobre meus pensamentos loucos da madrugada... ou ainda Sobre o que você quiser entender...

Então deixo a serenidade invadir um pouco o meu pensamento neste instante, mais tarde volto à minha loucura habitual do cotidiano.
E estando assim, penso na incrível normalidade da vida, é essa normalidade do cotidiano mesmo, onde fazemos tudo de forma automática, sem pensar muito, e de repente tal normalidade é quebrada por diversas reviravoltas que aparecem no caminho.
"A vida não é um jogo de palavras cruzadas onde tudo se encaixa", talvez ela possa ser um jogo de quebra-cabeça com algumas peças perdidas ou um livro com algumas páginas rasgadas, quem sabe um dia eu encontre aquelas ou leia algumas destas?
Mas então temos que superar tais reviravoltas da vida, um lugar novo para ir se morar, uma meta nova que precisa ser alcançada, uma pessoa nova que vai chegar, outra que se foi, e o pior, que se foi pra sempre. Aí lembro da ideia do poeta de que o "pra sempre" realmente "sempre acaba".
Certa vez li em algum lugar um texto de uma pessoa se exibindo, dizendo que nunca morreu nesta vida, mas que bobagem, quem nunca morreu mesmo estando vivo? Quem nunca fraquejou pelo menos uma vez e depois pediu desculpas? Eu confesso que já morri algumas vezes sim e isso foi bom, é bom voltar à vida e criar novos objetivos para se alcançar. Deve ser o que a mitologia grega conta na história da fênix, ressurgir das cinzas e ainda mais forte, deve ser o que os psicanalistas explicam como catarse, vivenciar/contemplar seus medos para conseguir purificar o espírito e fazer do drama a sua libertação. Eu só acho que superei estas minhas "mortes em vida" transformando o luto em poesia, fazendo graça da desgraça, nada melhor que aprender e aceitar as reviravoltas da vida do jeito que elas são, aprender que a vida é dinâmica e temos pouco tempo para ficarmos nos lamentando.
Apesar de não tão velho, sei que já vivi um bom tempo e que posso e devo analisar este tempo que passou, é quando a serenidade toma conta e faz refletir sobre os percalços da vida, nisso vejo que já aprendi com muitas lágrimas a superar as perdas, já aprendi com muitos choros a superar as tragédias, hoje respeito o luto, a perda, a tragédia, mas não quero viver neles, seja quais forem. "Não sofro mais, agora eu sei o que nos faz sobreviver".
Apesar disso, entre os devaneios da madrugada e os meus deveres do raiar do dia, sei que me encontro entre minha fraqueza e minha fortaleza.
Sou fraco quando na calada da noite, enquanto todos dormem, ainda me deixo cair em pensamentos loucos de um "futuro em flashback", planos/metas que não se concretizam e talvez nunca se concretizarão, isto é o que tenho de pior. No entanto, sou forte ao acordar, deixar o sol bater na cara e ir tentar mudar alguns mundos por aí, este é meu maior objetivo e o que tenho de melhor. Mas quantos mundos querem ser mudados e quantos querem seguir como estão?
E nessas idas e vindas de fraqueza e fortaleza da vida, quantos e quantos pensamentos já se passaram, alguns foram desenvolvidos e outros já morreram na praia. Quantas e quantas pessoas já passaram, algumas ficaram e outras também morreram na praia, estas últimas são os piores casos, é onde ainda resta um último resquício do luto/perda/tragédia que é a vontade de querer dar um abraço em silêncio, pois todas as palavras e sentimentos caberiam dentro dele.
E o para sempre insistiu em acabar e a loucura começa a reinvadir meu pensamento a serenidade está se esvaindo, sinto-me bêbado mesmo sem ter ingerido uma gota de álcool em toda minha vida, sendo assim, preservo-me ao direito de não dizer nada mais...

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Ode ao Sol


O Sol que queima nossas cabeças
É o mesmo para todos,
Mas a água que mata a sede
É privilégio para poucos.

Queima a cara,
Racha a cuca,
Envelhece a pele
E desfigura.

Mas é um ser primordial
Que fez crescer vida neste local.
Mas é um deus fundamental,
Responsável por cada planta e cada animal.

Supremo Senhor Sol
Que um dia foi Hélio e Apolo,
Por mais que queime a cara,
Eu ainda te adoro.
 
Deixa o Sol arder na cara
E sente toda a energia,
Pois ele é a fonte de vida
Que aquece e contagia.

Ele vai jogar sua luz em nós
Como se fôssemos seu espelho.
Não importa a cor que apareça
Seja laranja, amarelo ou vermelho.

Na beleza do amanhecer
Ou no cair da tarde,
Siga sempre brilhando
Com a sua intensidade.

Sol Senhor Supremo,
Eu que sou imperfeita criação,
Seguirei a cada dia contemplando
Toda a sua imensa perfeição.
                                       (Janderson Oliveira)

domingo, 5 de outubro de 2014

Minha Casa...


A mesma e única casa, era uma casa muito engraçada, pois tinha teto e tudo que mais nela precisava, além disso, todos podiam entrar nela sim, pois era feita com muito esmero, na rua da igreja, número 14. Não era "A Casa" famosa como de Natércia Campos, mas era a casa da qual guardo muitas lembranças afetivas. 
É a casa do vô e da vó, aquela que escolheram ficar definitivamente depois de terem vindo do interior, a mesma com tantas boas e más histórias, onde um dia já morou toda a família e por onde passou tanta gente. Legal pensar que meu pai também morou lá com todos seus irmãos e irmãs, a mesma casa onde cresci, vivi e vi passarem tantos primos e amigos. 
A mesma casa onde descobri segredos de meu corpo e do corpo de outra pessoa, a casa onde derramei tantas lágrimas e criei tantos risos. A casa que ficou lotada na perda de meu pai e de minha bisavó é a mesma casa que já ficou lotada em tantos aniversários e outras festas. A casa onde hoje vemos meu avô definhar é a mesma casa onde já vimos nascer tantos entes da família. A casa onde já passei uma virada de ano sozinho é a mesma casa onde já celebramos os meus diversos aniversários, as minhas aprovações, a minha formatura, o meu casamento.
Ainda tenho lembranças de como era a casa antigamente, antes da grande reforma, com um portão grande à frente e uma antessala, depois da reforma o portão ficou ainda maior, a casa cresceu também para cima e por causa daquela escada giratória hoje tenho panturrilhas bem definidas. Também posso dizer que ajudei na reforma da casa carregando cimento e tijolos para onde fosse preciso.
A casa onde morei por mais de 20 anos e sei que sempre posso voltar, por mais que eu tenha saído há algum tempo, eu sei que é "a mesma e única casa, a casa onde eu sempre morei"...

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Universo Particular

No meu universo tão particular
Eu não penso como a maioria
Eu não sou como você queria
No meu universo tão particular
Eu tenho tanto a te falar
No meu mundo tão singular
Eu tenho tanto a te perguntar

O que é mais importante?
O livro sagrado de qualquer religião
Ou a poesia do meu refrão?
Será a força da bomba atômica
Ou será a tolice da minha crônica?

O que é mais contraditório?
A guerra pela paz a cada dia
Ou a luta pelo pão de cada dia?
Será a alegria no silêncio
Ou será a voz que canta o que penso?

O que é mais enigmático?
O sorriso de Da Vinci
Ou a orelha de Van Gogh?
Serão os dois olhos de Picasso
Ou será o meu próprio fracasso?

O que é mais importante?
A Divina Comédia de Dante
Ou a poesia de Cervantes?
Será o que ainda virá adiante
Ou será tudo aquilo que eu fiz antes?

Enquanto tudo isso passa eu penso
Que toda madrugada eu acordo
E vejo as luzes que brilham lá fora
Enquanto tudo está escuro aqui dentro
No vazio do meu apartamento
No meu universo tão particular
Eu observo toda cidade
Mas ninguém traz minha felicidade

terça-feira, 29 de julho de 2014

3650 dias

Há 3650 dias
Eu tinha 16 e ela 15 anos
E foi num momento assim, de repente,
Que nós dois nos beijamos.
Desde aquele dia a gente insistiu em ficar
E até hoje nós ainda ficamos.
Entre tangos e tragédias,
Entre dramas e comédias,
Nós seguimos com nossa interação,
Ou melhor, com nossa amável contradição.
Onde nosso caso não tem solução,
Pois eu sou sentimento e você é razão.
Entre risos e lágrimas,
Entre vitórias e lástimas,
Desde o começo vou traduzindo sentimentos em palavras,
Descobrindo desenho em nuvens,
Te contando meus pesadelos
E até minhas coisas fúteis.
Mas nosso amor já amadureceu
E eu posso para todo mundo gritar
Que todos os caminhos me levam ao mesmo lugar.
É o meu esconderijo, o meu altar,
Sempre volto para casa, para o meu lar.
E agora já posso com todas palavras dizer,
Depois de tanto tempo, eu só tenho você.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sobre a Copa e muchas otras cositas más...

"Pois com Copa ou sem a Copa o Brasil é a mesma merda e o problema é que a gente não muda e além da Copa a culpa é nossa que só cobra na última hora quando percebe que o país tá na fossa. E depois que acabar a Copa qual será a sua atitude, vai votar em qualquer um novamente e torcer pra que de repente o país mude?"


Faz mais de 20 anos que esperava muito por duas coisas no meu país, a primeira era a Copa do Mundo de futebol, a outra era uma "revolta popular" contra nossos governantes e todos os males que eles geram.
Estava a pensar o porquê que gosto tanto de esportes, apesar de nunca ter sido nenhum grande atleta, e tive um "jogo da memória" que me fez relembrar os momentos mais distantes onde me emocionei com o esporte em minha vida. Com certeza o mais antigo remonta às Olimpíadas de 1992, em Barcelona, quando no jogo final de voleibol masculino o Brasil venceu a Holanda, ganhando sua primeira medalha de ouro após um ace de Marcelo Negão, são lembranças pouco nítidas, mas bem emocionantes. A lembrança seguinte é da vitória de Ayrton Senna, ainda hoje o exemplo de atleta que mais me emociona, na corrida de Interlagos em 1993 quando no final a torcida invadiu a pista e lhe consagrou. O ano de 1994 também me marcou no esporte, primeiro pela trágica curva que levou Senna à morte, mas também pelo sofrimento daqueles pênaltis da final da Copa entre Brasil e Itália que nos levou ao TETRA.
E a partir daí o gosto por esse tal de futebol só fez crescer, com certeza muito influenciado pela mídia, como a maioria das pessoas, mas também por algo inexplicável que esse esporte proporciona, talvez um sentimento primitivo que remonta às guerras? Sim, não só o futebol, mas a maior parte dos esportes são alegorias da guerra, onde torcemos por um exército que nos representa. Ainda bem que agora são guerras regulamentadas, onde esquemas táticos avançam o campo adversário com o intuito de bombardear a meta do inimigo, talvez esse seja o sentimento que nos liga tanto ao esporte, ao futebol, não podemos ir à guerra, mas torcemos para quem se arrisca a ir. Pena que as guerras de verdade ainda existam por aí, russos x ucranianos, palestinos x israelenses, torcida x torcida, seres humanos x seres humanos. E lembro de Renato Russo que pedia em vão: "não deixe a guerra começar".
Por outro lado, desde 1992 esperava uma pressão social para cima de nossos políticos, lembro alguma coisa daqueles chamados Caras Pintadas que levaram nosso "querido" Fernando Collor ao impeachment. Depois disso veio o Itamar Franco tentando melhorar a inflação até chegar FHC para nos dar esperança com o Plano Real (ainda me admiro que um dia R$ 1 valeu igual a US$1), mas que em pouco tempo desmorou tudo de novo e lascou ainda mais quando vendeu nossa segunda maior empresa estatal, a Vale do Rio Doce. Após essas coisas eu vibrei com a eleição de Lula (ah como eu vibrei), enfim a esquerda chegava ao poder, era a hora da virada no país, viva o Fome Zero, viva o Bolsa Família, mas percebi que tudo não passou de assistencialismo paternalista que segue agora com a "ex-revolucionária" Dilma que tenta diminuir o atraso com a população negra, menos abastecida, através de cotas e bolsas de estudo, mas isso tudo são só meus devaneios de mais de 20 anos.
Desde aquele tempo só fui percebendo que nossa política é horrível, realmente cheia de corruptos que acabam influenciando inconscientemente a todos nós, nos tornarmos pequenos corruptos do dia-a-dia. Somos todos hipócritas e corruptos, brasileiros oportunistas que só cobram quando bem nos convém. Desde aquele tempo esperava por manifestações populares e elas vieram de forma linda ano passado, era o povo pedindo melhoras em todas as áreas, era o povo invadindo novamente o Congresso Nacional, era o povo mostrando sua cara, mas só até os vândalos aparecerem com mais força e, na minha opinião, acabarem com a legitimidade dos protestos. Acredito que eles levaram o gigante a dormir novamente, tanto que nesse ano pouquíssimas pessoas voltaram às ruas para protestarem.

"Do lado do campo está o Sistema jogando contra o time do Povo que tem um atacante chamado Gigante que já se cansou e foi pro banco de novo"...

E depois de tudo isso eu fui participar de quê? Fui para a Copa levando meu protesto através de frases em camisas, era um protesto calado mas que acredito que tenha sido mais legítimo do que os de muitos que foram às ruas. Via sempre olhos buscando o que tinha escrito na minha camisa, algumas pessoas até me pediram para eu parar e elas lerem minhas frases.
Mas agora a Copa já acabou, nosso time decepcionou, mas acredito que valeu a pena ter participado do evento, não acho que tenha sido a "Copa das Copas" como a mídia insiste em chamar, mas foi um grande evento nem mesmo por conta da infraestrutura criada, nem mesmo por causa dos bons jogos, mas por causa sim da receptividade e hospitalidade do nosso povo que insiste em fazer festa em tudo e acabou contagiando aqueles que vieram de fora. O povo que se corrompe é o mesmo que fez o evento se tornar tão grandioso aos olhos de quem vê de fora.
Acredito que a falta de uma boa educação não é culpa da Copa, mas culpa de maus gestores que nós mesmos escolhemos. A Copa custou (R$ 25,8 bilhões) o equivalente a um mês do que é investido em educação por ano (R$ 280 bilhões), ou seja, existe o dinheiro para a educação, mas onde ele vai parar? Por quais mãos passa esse dinheiro que não chega na escola onde eu trabalho? Por quê cobriram 12 estádios de forma sensacional, mas não cobrem uma pequena quadra onde leciono sob o sol arrasador do Ceará, se a educação recebe bem mais dinheiro do que aquele investido na Copa? Não, a culpa não é da Copa, mas de políticos corruptos que seguem enfiando dinheiro em bolsas, malas, cuecas, contas multimilionárias que não sabemos onde estão abertas.
E não acredito que começaremos uma nova era ou que faremos uma mudança a partir de outubro, nas urnas, até porque não acredito que tenhamos candidatos honestos para fazerem diferente daquilo que foi feito nos últimos 20 anos. A mudança não começa neles, mas sim em cada um de nós...

quinta-feira, 1 de maio de 2014

20 anos sem Ayrton Senna...



Poucos de vocês devem ter visto alguma corrida de Ayrton Senna, para mim ele não foi só o melhor piloto de Fórmula 1 que eu já vi, mas o melhor esportista brasileiro. Posso dizer que para mim ele é o verdadeiro e único ídolo do esporte que eu tive, por causa dele essa minha paixão por esportes nasceu desde criança e me levou a ser o que eu sou hoje.
Um piloto que sempre buscava a perfeição e quase sempre conseguia, numa época em que os carros de F-1 dependiam muito mais do braço do piloto, sem tantos automatismos dos dias de hoje. Numa época difícil em minha vida, eram nas manhãs de domingo que Senna me trazia muitas emoções, manhãs que eu saía correndo da igreja para poder assistir a largada das corridas. E no final a vitória era dele, Ayrton Senna do Brasil e vinha aquela musiquinha e um fiscal lhe dava a bandeira do Brasil para ele dar uma última volta mostrando para todos de onde ele tinha vindo.
Até que há exatos 20 anos veio a batida fatal, numa reta de um circuito na Itália o meu ídolo iria embora para sempre e o meu café da manhã de domingo ficaria lá no prato sem ser comido, a comoção foi instantânea e mais uma grande perda aconteceu em pouco tempo...

sábado, 29 de março de 2014

Ganhamos as luzes, perdemos as estrelas...

Há muitos e muitos anos as dúvidas, as questões, os problemas de nossa espécie eram puramente naturais, as perguntas estavam nas coisas da natureza e cabia a nós observarmos, estudarmos e resolvermos tais problemas. 
As estrelas estão paradas no céu? Nosso planeta gira ao redor do sol? Somos feitos de quê? Qual a menor partícula que nos compõe? Estas são perguntas que foram e seguem sendo respondidas, no entanto, outros tipos de questões assumiram o "poder". Hoje em dia tiramos a natureza do centro de tudo e colocamos nós mesmos, nos preocupamos muito mais com perguntas e problemas pessoais referentes ao trabalho. Nossa maior preocupação hoje é o estresse que nos consome, que pena, perdemos o dom de olhar a natureza e divagarmos em dúvidas que depois nos levariam à certeza.
Hoje a ânsia pela produção, pelo prazo, por entregar as coisas em dia, nos fez esquecer de apreciar o céu, por exemplo. Antigamente era comum as pessoas por si só entenderem coisas básicas como identificar as constelações, os movimentos dos planetas, as estações do ano, atualmente não conseguimos nem saber onde vai estar a lua que é o astro mais próximo de nós.
Incrível a capacidade de nós seres humanos evoluirmos e transformarmos tudo ao nosso redor, mexer em tudo que nos cerca. Nossa evolução nos trouxe ganhos incríveis, mas nos fez esquecer o básico, apagou da nossa mente o essencial, o continuar nos perguntando de onde viemos. Com nossa evolução vieram as luzes das cidades e as estrelas se apagaram, em uma grande cidade, com dificuldade, ainda podemos ver apenas aquelas estrelas mais brilhantes que estão sempre lá para nos mostrar o quão fortes e enérgicas elas são e nos fazer lembrar que apesar de tão magnífico, nosso sol não passa de um anão em meio há tantos outros astros que estão perdidos por aí no céu.
Talvez as 40000 humanidades que nos antecederam foram mais felizes em descobrirem por eles mesmos diversos segredos do universo, tiveram a oportunidade de apreciar o seu meio, o seu lar nada mais era do que toda a Terra, com um imenso céu noturno cheio de estrelas que lhes serviam como cobertor. 
Com a Revolução Industrial e a nossa consequente evolução passamos a nos ater cada vez mais em livros, em ambientes fechados, sem acesso à natureza natural. Nossa natureza agora é artificial, criada por nós mesmos, com fogueiras modernas que chamamos de TV, mas que insistimos em deixá-la ligada por muito tempo sem nem dar a mínima importância pelo que está passando nela. Ficamos cada vez mais preguiçosos e esperando que os outros descubram as coisas por nós, depois apenas damos um "google it" e temos lá facilmente toda a informação que nós mesmos poderíamos ter produzido. Antigamente era comum uma única pessoa entender sobre diversos assuntos como poesia, teatro, música, física, astronomia, atualmente nos tornamos tão especializados que se buscarmos informações em áreas que não atuamos nos criticam logo perguntando: "pra quê tu quer saber disso aí?". Talvez esse seja o preço a se pagar por tudo de bom que se veio com tal Revolução, uma evolução que nem sempre leva para coisas boas.
E se transformarmos esse imenso período de tempo de tudo que existe, pegarmos os 13,8 bilhões de anos de surgimento do universo e jogar em um ano cósmico, nós como seres humanos só teríamos nascido nos últimos segundos do dia 31 de dezembro deste ano, e mesmo assim, toda a história de nossos antepassados, das pessoas que viveram na Idade da Pedra, dos exploradores da natureza, dos observadores de céus limpos, ainda será muito maior do que a história que veio após toda a Revolução que ainda estamos vivendo até hoje. 
Nascemos há pouco tempo e só estamos começando a engatinhar para conseguir entender todo cosmos e tudo que nele existe. No entanto, tantos e tantos mistérios ainda existem, talvez lá habite o cara que muitos insistem em chamar de Deus. Enquanto isso eu sigo a me perguntar, conseguiremos algum dia revelar todo mistério e apertar a mão de Deus?...

terça-feira, 11 de março de 2014

George e o Segredo do Universo...


"- Sabem - prosseguiu George -, eu tive realmente muita sorte. Encontrei uma chave secreta que abriu o universo para mim. Com essa chave secreta eu pude descobrir tudo sobre o universo que nos rodeia. E portanto eu gostaria de compartilhar com vocês um pouco desses conhecimentos. Eles dizem respeito à nossa origem: o que nos formou, o que formou o nosso planeta, o nosso Sistema Solar, a nossa galáxia, o nosso universo, e também dizem respeito ao nosso futuro. Para onde vamos? E o que precisamos fazer para sobreviver séculos no futuro? Quero falar sobre isso porque a ciência é realmente importante. Sem ela não compreendemos coisa alguma, e, assim, como poderemos agir certo e tomar boas decisões? Algumas pessoas acham que a ciência é maçante, outras acham que é perigosa, mas, se não nos interessarmos pela ciência, se não a aprendermos nem a usarmos corretamente, talvez então ela seja tudo isso. Porém se tentarmos compreendê-la, veremos que é fascinante e que diz respeito a nós e ao futuro do nosso planeta.
[...]
- Há bilhões de anos havia nuvens de gás e poeira vagueando pelo espaço cósmico. De início essas nuvens eram muito dispersas e espalhadas. Mas, com o passar do tempo e com a ajuda da gravidade, elas começaram a encolher e a se tornar cada vez mais densas...
George prosseguiu:
- E então vocês podem perguntar: e daí? O que uma nuvem de poeira tem a ver conosco? Por que nos importarmos com o que aconteceu há bilhões de anos no espaço cósmico? Por que precisamos saber isso? Nos interessa? Bem, interessam, sim, porque aquela nuvem de poeira é a razão de estarmos hoje aqui. Agora sabemos que as estrelas são formadas de gigantescas nuvens de gás no espaço cósmico. Algumas dessas estrelas terminam as suas vidas se transformando em buracos negros que lentamente, muito lentamente, deixam escapar objetos, até desaparecerem numa enorme explosão. Outras estrelas explodem antes de se tornarem buracos negros e enviam ao espaço toda a matéria que têm no interior. Sabemos que todos os elementos de que somos formados foram criados no ventre dessas estrelas que explodiram há muito tempo. As pessoas da Terra, os animais, as plantas, as pedras, o ar e os oceanos são formados de elementos forjados dentro das estrelas. Independentemente das nossas crenças, somos todos filhos das estrelas. E a Natureza demorou bilhões e bilhões de anos para nos formar a partir desses elementos. 
George fez um segundo de pausa.
- Portanto, como vêem, demorou um tempo incrivelmente longo para nos formar e formar o nosso planeta. E o nosso planeta não é como qualquer outro planeta do Sistema Solar. Há uns maiores e mais impressionantes, porém nenhum nos serve de lar. Vênus, por exemplo, é quente demais. Em Mercúrio um dia dura cinqüenta e nove dos nossos dias aqui na Terra. Imaginem só se um dia na escola durasse cinqüenta e nove! Seria horrível.
[...]
- O nosso planeta é admirável, e é nosso - resumiu. - Pertencemos a ele, e todos nós somos feitos das mesmas substâncias que o próprio planeta. Precisamos, de fato, cuidar dele. Há anos o meu pai vem dizendo isso, e eu apenas me sentia envergonhado. Só percebia que ele era muito diferente dos outros pais. Mas agora não me sinto mais assim: ele está certo em dizer que nós devemos parar de maltratar a Terra. E está certo em dizer que todos nós podemos nos esforçar um pouco mais. Agora eu me sinto orgulhoso por ele querer proteger algo tão único e belo como a Terra. Porém todos nós precisamos nos unir, ou nada disso funcionará e o nosso adorável planeta será destruído. Naturalmente, também podemos nos esforçar para descobrir outro planeta para vivermos, mas não vai ser fácil. Sabemos que não existe nenhum perto de nós. Portanto, se existe outra Terra lá no espaço, e pode existir, está muito, muito longe. É excitante tentar descobrir novos planetas e novos mundos no universo. Mas não quer dizer que a nossa casa não seja o lugar para onde queremos voltar. Precisamos ter certeza de que daqui a cem anos ainda poderemos retornar à Terra. E então vocês devem estar querendo saber como aprendi tudo isso. Bem, a outra coisa que eu queria lhes dizer é que para descobrirem o universo e ajudarem a Terra vocês não precisam encontrar uma chave secreta de verdade, como me aconteceu. Existe uma que todos podem usar, se aprenderem. Chama-se Física. Basta isso para entendermos o universo à nossa volta. Obrigado!"...
(George e o Segredo do Universo - Lucy & Stephen Hawking)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O céu do dia em que eu nasci...


Eram vinte e uma horas e quarenta e cinco minutos do dia vinte de fevereiro de mil novecentos e oitenta e oito, o céu do dia em que eu nasci estava com o formoso Sol brilhando na constelação de Aquário e com a Lua nova quase que beijando Vênus na constelação de Peixes, todos sendo observados pelo imponente Júpiter. Mais além, Mercúrio observava um fato curioso, Marte, Saturno e Urano andavam de mãos dadas pelas bandas da constelação de Sagitário, pareciam três amigos se divertindo num parque em um dia de sábado. Netuno estava também por aqueles lados procurando se juntar aos amigos e lá distante o solitário Plutão (que ainda era considerado um planeta) só observava toda essa maquinaria universal se movendo.
Enquanto isso, um bebê nascia aqui na nossa amada mãe Terra e olhava pela janela da maternidade para o lado do nascente, mas, infelizmente, todos esses astros que foram citados já estavam dormindo, pois já era noite, ele só conseguiu ver um formoso Leão que já estava alto no céu. Mas não teve problema, aquele bebê teria toda uma vida para observar e aprender sobre todos os astros que a partir de um momento de sua vida ele passou a amar e admirar cada vez mais.
E o que toda essa maquinaria universal tem a ver com o que eu sou hoje? Nada, nada, nada. Acredito que os astros não dizem nada sobre a personalidade de ninguém, mas dizem tudo sobre a criação e origem de todos nós, afinal, viemos todos lá de cima. Astrologia X Astronomia, isso tudo é uma outra história.
E o bebê cresceu e há cinco anos escrevia aqui no blog um texto chamado "Cheguei aos 21..." e falava sobre o terceiro passo dado na sua vida, me referia a adultez que chegava de vez. Incrível como o tempo de cinco anos hoje é totalmente diferente do tempo de cinco anos de quando éramos crianças, naquele tempo demorava séculos para se passar cinco anos, hoje em dia cinco anos foram apenas um piscar de olhos.
Pisquei os olhos, me olhei no espelho e percebi um rosto mais marcado com rugas, mais castigado pelo sol, com mais espaços vazios entre os cabelos, mas se pensa que vou me lamentar por isso, pelo contrário, me sinto orgulhoso pelo tempo e experiência que ele me deu. Como é bom se ter experiência, como é bom cometer erros para aprender com eles e até mesmo continuar errando com eles, toda uma vida se passa e se evolui. E evolução de forma alguma quer dizer melhora, evolução significa se transformar, aprender mais sobre si mesmo com o tempo.
Apesar do tempo ter passado, das experiências terem aparecido, ainda me sinto com a cabeça de um adolescente, com poucas pitadas de adulto. Porque como é chato ser adulto, como adultos são chatos. Seus problemas viram causas impossíveis, prefiro ficar com o eterno sonho adolescente de que a vida vai ser do jeito que eu quero, e ela vai ser mesmo. E que venham os cabelos brancos, mas continue o espírito jovem.
E há cinco anos eu também escrevia sobre "Quando eu crescer...", que falava sobre possíveis profissões que eu queria ter. A profissão atual que me sustenta é realmente a de professor de Educação Física, que me faz feliz, mas que não penso muito sobre ela, sobre como eu atuo. É aquela coisa, quando se passa a fazer algo todos os dias, a coisa passa a ficar automática, você esquece de pensar sobre ela. Com isso, me deixei levar por tantas outras coisas que muito me interessam e podem até virar uma "profissão oficial" no futuro.
Hoje, por exemplo, já me sinto mais um músico do que há cinco anos atrás, ainda não sou um violonista exemplar, mas dá pras pessoas me ouvirem sem problema e já fiz algumas apresentações e até um show que foi uma das melhores coisas que já fiz na vida. Também me deixo levar pela escrita, poesia e filosofia, tá tudo interligado, uma coisa puxa outra, tudo se encaixa, minha ânsia por escrever, por demonstrar meus pensamentos em palavras escritas continua, mesmo sendo tudo isso uma eterna vã filosofia. E mais recentemente me achei definitivamente não como astronauta, mas como astrônomo, e com isso me completo em minhas questões, descubro que Deus na verdade é o próprio cosmos e tudo que nele existe ou como dizem Os Mutantes, eu posso até mesmo "pensar que Deus sou eu".
Enfim, hoje/ontem cheguei aos 26 e já se foi metade deste terceiro passo da minha vida. Que venham mais anos para eu continuar aprendendo com os outros, comigo mesmo, com os detalhes da vida. E como dizem os astrônomos numa forma de saudação e de coisas boas "céus limpos para vocês!"...

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O Fascínio do Universo...


"Não somos nem o ápice nem o final da evolução, somos apenas uma espécie transitória. 
[...] 
Daqui a cinco bilhões de ano, o Sol inchará em forma de gigante vermelha, expelindo uma bela nebulosa planetária enquanto seu cadáver se contrai numa bola escura, milhões de vezes mais densa que o ferro. Impulsionado pela energia escura, o universo continuará expandindo-se de forma acelerada, ficando cada vez mais rarefeito, frio e escuro.
Neste universo em que os próprios astros são transitórios, a humanidade não é mais que um brevíssimo capítulo. Embora microscópica no tempo e no espaço, é ela quem conta essa grande história."
(O Fascínio do Universo, organizado por Augusto Damineli e João Steiner)

E cada vez que leio mais sobre Astronomia, cada vez mais me afasto das crenças e valores religiosos, cada vez mais tenho fé na ciência. É o momento em que diversas questões da minha vã filosofia passam a ser respondidas, questões estas não só minhas, mas de toda a humanidade, durante toda a sua história.
Quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos? Na encruzilhada que separa a filosofia da ciência e a ciência da religião, é lá que eu me encontro, me respondo tais questões. E está tudo lá no alto, no infinito, viemos das estrelas e nossa principal estrela num futuro distante nos levará.
E cada vez mais acredito no inusitado acaso que formou tudo que existe, a Grande Explosão que deu origem a tudo, cada vez mais nos vejo quão pequenos e passageiros somos todos nós de nossa espécie, cada vez mais vejo que somos apenas um acaso da evolução.
Até agora somos apenas 200 mil anos de uma breve história que valeu a pena de ser vivida, contada e, principalmente, de ter descoberto tudo isso de que conhecemos hoje, são o passado e o futuro presentes em nós mesmos. E quantas mais questões filosóficas, científicas ou religiosas serão levantadas? Que venham todas para que a gente consiga respondê-las. Mas até quando? Até mais 5 bilhões de anos talvez.
E "quando o segundo sol chegar para realinhar as órbitas dos planetas, derrubando com assombro exemplar o que os astrônomos diriam se tratar de um outro cometa", infelizmente, acredito que não terá havido tempo para outro sol, pois já terá ocorrido "o fim da aventura humana na Terra"...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Duo

Eu tô tão estranho
Que nem sei mais se seus olhos são castanhos.
Eu tô tão irado
Que já me sinto muito cansado.

Eu tô me afastando para poder ficar mais perto.
Eu tô fazendo o errado para depois fazer o certo.
Eu tô bem de baixo para poder subir.
Eu tô te explicando para te confundir.

Eu tô lá em cima para poder te ver.
Eu tô te confundindo para te esclarecer.
Eu tô imitando o seu tom.
Eu tô tentando saber o que é bom.

Por isso eu vou me perder por aí no escuro,
Visitar as luas de Júpiter e os anéis de Saturno.
Por isso eu vou viajar por aí na escuridão,
Puxar as barbas de Netuno e também as de Plutão.

E eu vou andando de mãos dadas com a sorte,
Sendo feliz com a vida e tendo pena da morte.
E eu vou fugindo para o alto das colinas,
Esperando um menino nascer ou talvez uma menina.

Mas nessa vida, ninguém sabe o que vai acontecer
Até que aquilo aconteça.
Às vezes é tarde demais
Para que a felicidade floresça.

Mas nessa vida, quem você acha que vai ficar só um instante
Acaba ficando para a vida inteira.
E quem você acha que vai ficar para sempre,
Já se foi há muito tempo sem dar bandeira.

(Janderson Oliveira)

"Eu tô te explicando pra te confundir. Eu tô te confundindo pra te esclarecer", e o seu Tom Zé sempre inspirando as minhas loucuras...

domingo, 26 de janeiro de 2014

O homem

Vi ontem um homem
Na imensidão do planeta
Derrubando árvores e matando gente.

Quando achava algo que o superasse,
Não examinava nem pensava:
Destruía com voracidade.

O homem não queria a paz,
Não queria o bem,
Não queria o amor.

O homem, meu Deus, era um bicho.


(Janderson Oliveira)

*Paráfrase do poema "O bicho" de Manuel Bandeira...

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Humano demais, divino de menos...

"Vou subir o monte, o Monte Olímpia, 
a morada dos deuses, a morada dos loucos."
(O Monte Olímpia - Zé Ramalho)

Busquei a grandeza de Eros, mas caí nas terríveis garras de Thanatos. Busquei a doçura de Perséfone, mas fui levado ao submundo por Hades. Poderia ser heróico como Hércules, mas doze trabalhos foram demais para mim. Poderia ter a braveza de Perseu, mas me admirei com os olhos da Medusa. Queria ter a força de Heitor, mas me deixei levar pela beleza de Helena. Queria ter a coragem de Aquiles, mas deixamos o calcanhar exposto. 
Descobri que Hera não era minha mãe, Zeus não era meu pai. Apolo e Atena não eram meus irmãos, Poseidon não era meu tio. Hermes não me anunciou, Pégaso não me levou a lugar nenhum. Me descobri na minha "Divina Comédia Humana onde nada é eterno", nada de perfeição, nada de divino, não sou semideus, muito menos um deus, somente um mero mortal. 
Pelo menos posso observar muitos deles hoje à noite, lá em cima no firmamento, disfarçados em constelações. Pelo menos posso lembrar que agora tenho um pedacinho deles em mim, pois um dia já fui estrela que caiu feito lágrima e hoje me tornei humano demais, divino de menos...

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Humano, demasiado humano...


Humano, demasiado humano é ser tão bom para uns, mas ao mesmo tempo ser tão ruim para outros. A mão que afaga é a mesma que apedreja. E dizer palavras que podem levar um pouco de alegria para uma pessoa, mas ver que são as mesmas que levam total tristeza para outra. Dois pesos, duas medidas. 
Humano, demasiado humano é procurar fazer o bem ao próximo, mas esquecer que isso leva o mal para outros. Uma faca de dois gumes. E dizer palavras para fortificar alguém, mas não perceber o sofrimento de outro alguém. "Ascensão e queda são dois lados da mesma moeda".
Humano, demasiado humano é tentar ser altruísta ao máximo, mas descobrir o seu imenso egoísmo exacerbado. "Ver além da máscara". E dizer palavras aconselhadoras para quem está distante, mas não lembrar de dizer palavras de amor para quem está perto. O preço que se paga.
Humano, demasiado humano é passar toda uma tarde refletindo, sem querer ver e nem falar com ninguém, esperando o sol se pôr para ter coragem de olhar para si mesmo e aceitar a verdade. É cair aos prantos até a última lágrima e passar pela experiência incrível de sentir o corpo todo adormecer e quase desabar em um enorme vazio.
Humano, demasiado humano é tentar entender sua própria cabeça, seu próprio intelecto, sua própria razão e não conseguir. É ter alguém amável/admirável para te trazer as palavras certas que você queria dizer e descobrir que é esse alguém que te conhece de verdade e está disposto a te ajudar.
Humano, demasiado humano é seguir buscando equilibrar suas ações para não deixar mais ninguém sofrer. É descobrir que não se vai longe sem ter outros humanos ao lado para te auxiliar nessa longa estrada que insistem em chamar de vida...
  

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Sobre a felicidade...

A noite mais linda do mundo (A felicidade)

Vamos fazer dessa noite
A noite mais linda do mundo!
Vamos viver nesta noite
A vida inteira num segundo.

Felicidade não existe
O que existe na vida são momentos felizes.

Vamos fazer dessa noite
A noite mais linda do mundo!
Vamos viver nesta noite
A vida inteira num segundo.

Felicidade não existe
O que existe na vida são momentos felizes.

A gente pode ser feliz,
Viver a vida sem sofrer, é não pensar no que vai ser.
Não me pergunte se amanhã o nosso amor vai existir
Não me pergunte, pois não sei!

(Odair José)

"Felicidade não existe, o que existe na vida são momentos felizes" é o que diz uma antiga canção que eu pensava ser somente mais um brega desses tantos que existem, mas que recentemente me peguei pensando na sabedoria que traz na sua letra.
Realmente esse negócio chamado de felicidade não existe, o que temos que buscar são momentos felizes em cada atitude do dia-a-dia, seja numa brincadeira com seu afilhado, numa conversa com seu namorado, numa música cantada com sua mãe, numa despedida de um amigo, numa observação do céu noturno, numa leitura de livro com sua irmã, numa queda na esquina do bairro, numa derrota do seu time favorito, num passeio para outra cidade, numa discussão com seu marido, ou seja, é transformar cada instante do dia em um momento feliz, é rir e tornar até mesmo os momentos mais difíceis em alegria, é rir e fazer quem está próximo a você rir também e aí já não terá somente uma pessoa feliz, mas várias. 
E nada traz tanta felicidade quanto ser feliz com alguém e melhor ainda é quando se pode dizer palavras sinceras para as pessoas, dizer o que você realmente sente por elas, isso deve ser o suprassumo da busca pela felicidade. Enfim, devemos buscar momentos felizes em cada momento da vida e deixar que isso se torne rotina, não é possível que assim não se encontre essa tal felicidade...

A Teoria do Amor...

Chega fim de ano e mais uma vez todos desejam a todos as mesmas velhas palavras que lembram velhos sentimentos: paz, saúde, felicidade, amor. Amor? Amor? Amor? Palavras são só palavras e tão difíceis de se entenderem, mais difíceis ainda são esses sentimentos que todos desejam a todos.
Amor? Amor? Amor? Mas o que é isso? Hoje em dia é tão fácil dizer "eu te amo" que eu não sei a que ponto a pessoa que diz sabe realmente o que isso quer dizer, e pior deve ser pra quem recebe essa frase, será que também entende tal sentimento?
Depois de muito pensar resolvi fazer uma Teoria do Amor e descobri que esse tal sentimento pode ser dividido em quatro tipos, são eles:
O Amor Tesão que deve ser aquele sentimento em que você quer ficar com uma pessoa por pura atração física, querer ter bons momentos íntimos com ela, isso é excelente, mas só momentâneo. É o "eu te amo", mas por pouco tempo.
Amor Paixão que deve ser o que acontece entre as pessoas quando elas se conhecem pela primeira vez e acham que pode rolar uma "química" entre elas. É magnífico, você não para de pensar em querer ficar com a outra pessoa, mas se não existe uma recíproca então vem a dor, o sofrimento. É o "eu te amo" loucamente e faria tudo para ficar com você, mas eu posso sofrer por causa disso.
Amor Fraterno que deve ser aquele que a gente sente pelos nossos familiares e pelos nossos amigos, este sim é grandioso. É a vontade de estar sempre disposto a ajudar os outros sem querer nada em troca, sem precisar ficar se exibindo por causa disso. É o "eu te amo" e pode contar comigo pro que for preciso.
Amor Amor que deve ser o tal amor sublime, aquele que une todos os anteriores, aquele em que duas pessoas são capazes de superar todas as adversidades e continuarem se amando. É quando o sentimento torna-se um comportamento e você passa a viver aquilo cada dia. É o "eu te amo" para sempre e vou estar contigo o tempo que for, nos momentos ruins e bons.
Amor? Amor? Amor? No entanto, estas categorias não são estanques, ou seja, você pode variar os tipos de amor com uma mesma pessoa, pode sentir tesão por ela, mas depois se transformar em fraternidade, pode se apaixonar e depois tornar aquilo em verdadeiro amor. E tudo isso é tão insensível, ter que explicar qual tipo de amor você sente por uma pessoa. Mas também tudo isso deve ter acontecido por conta de nós mesmos termos "coisificado" esse sentimento e não conseguir mais diferenciar o que realmente sentimos pelos outros. 
E acho tão feio, tão cruel, tão insensato ter que desejar tantos sentimentos em apenas um dia do ano, por que não fazemos isso sempre? Tem que esperar chegar o fim do ano para desejar bons sentimentos para o próximo ano, qual a lógica desse sistema?
Paz, saúde, felicidade, amor, no final eu desejo só sorte para as pessoas continuarem buscando seus verdadeiros desejos e sentimentos. É, na vida se deve ter muita sorte para se conseguir tudo que quiser e que com a sorte venha a coragem para sair da inércia e ir atrás dos seus sonhos, porque permanecendo parado ninguém consegue nada...

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Do caos ao cosmos...


Instintivamente estou de volta, assim como já fui antigamente, nada sereno quanto a deusa Selene que me mostra em seu sorriso amarelo que devo seguir em frente. E lá em cima no zênite, quando é quarto crescente, em meio a tantas estrelas dissonantes, me lembro do meu coração pulsante e sigo meu caminho adiante.
Integralmente volto a ser, assim como já quiseram me ver, nada brilhante quanto o deus Hélio que me revela todo mistério do ido, doído, do vindo. E lá no alto do céu radiante, me lembro de como era antes na minha pobre mente sã, devo amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
Mas percebo que o futuro já não é mesmo como era antigamente, pois o mundo não é mesmo parecido com o que vejo. As plantas, as pessoas, os animais, tudo bombardeado por explosões atômicas e oníricas, transformando cada ser vivo em uma nova espécie vinda lá do alto, do infinito, da estrela mais distante, da galáxia mais distante. E tanto aqui quanto lá estão presentes os mesmos elementos de carbono e oxigênio, de ferro e hidrogênio, que se combinam para viver ou para matar, para dar vida ou para tirar. E infelizmente, nesse jogo de quebra-cabeça atômico, os seres ditos mais inteligentes são aqueles mais deprimentes, a única espécie que levará à sua própria extinção.
Do caos ao cosmos, do cosmos ao caos, vou lembrando de todos e de tudo que já me fizeram mal. Lembro que tudo e todos são tão insignificantes a nível universal, no entanto, decisivos demais a nível mundial. Mas seguem sem carisma, sem carinho, sem conselhos, com conflitos. Por isso seguem sendo aflitos, tendo apuros, sendo atores, sem amores.
Atores numa vida real de riso ou de dor, desvendando as belezas que há no céu e os males que há na terra, seguem todos esperando por uma nova era. Era do caos que virá na explosão solar ou era da esperança perdida no cosmos do lado escuro lunar?
Esqueço tudo isso e observo as estrelas começarem a cair como lágrimas no meu rosto. Aquelas brilham, brilham, brilham, até que cansam e se apagam para sempre. Estas escorrem, escorrem, escorrem, até que cansam e se guardam para sempre. E no meio de tudo estou eu, tentando secar as lágrimas e repor as estrelas em seus devidos lugares, buscando a serenidade de Selene e o brilhantismo de Hélio. E no meio de tudo estou eu, tentando juntar os insignificantes para lhes dar carisma, carinho, conselhos, amores, sem serem aflitos, sem conflitos, sem apuros, sendo atores. Atores de sua própria novela, protagonistas de sua própria vida, buscando e entendendo seus lugares no cosmos, esquecendo um pouco do caos que os move...

terça-feira, 12 de novembro de 2013

"Muito orgulho, meu pai"...

"Quando eu crescesse eu queria ser que nem você
Agora eu já cresci e ainda quero ser
Eu tenho a cara do pai e tenho cada vez mais
Eu tenho os olhos do pai e o coração
Quando eu crescesse eu queria ser que nem você
Agora eu já cresci e ainda quero ser
Eu tenho orgulho do pai e tenho cada vez mais
É muito orgulho, meu pai e gratidão"
                                                            (Gabriel, o Pensador)


É eu cresci, mas sem o pai. Mas eu não estou aqui para me lamentar de qualquer coisa, para me lamentar de uma peça que a vida (ou seria a morte?) nos pregou, estou aqui somente para lembrar. Não lembrar que já se foi toda uma vida sem um pai, sim, já são 20 anos, já posso dizer que foi uma vida toda. 
Mas não estou aqui para lembrar que ele não tava ao meu lado quando tive que tomar a decisão de mudar de escola, ou quando recebi meu prêmio por aluno exemplar, ou quando passei numa excelente escola de ensino médio, ou quando passei no vestibular. Mas não estou aqui para lembrar que ele não tava ao meu lado quando conheci uma menina, ou para me dizer o que eu devia falar pra ela, ou quando precisei pedi-la em noivado, ou quando nos casamos. Mas não estou aqui para lembrar que ele não tava ao meu lado quando fui aprovado num concurso público, ou para me aconselhar quando tive que ir viver em outra cidade, ou para me ajudar na volta para casa. Mas não estou aqui para lembrar que ele não tava ao meu lado quando sua primeira neta nasceu, ou quando sua próxima vai nascer, ou agora aqui para enxugar minhas lágrimas. 
Devo estar enganado, ele tava sim presente em todos esses momentos, incrível como sempre me lembrei dele em cada um desses momentos e me emocionei em todos. Era o futuro chegando, as alegrias e tristezas aparecendo, mas sempre o lugar à mesa faltando. 
Mesmo com tudo que vivi, ninguém nunca pôde se colocar no lugar que seria dele, ainda bem, foi bem melhor assim. Me virei sozinho e hoje estou aqui para lembrarem que tenho a cara do pai e o coração também, e lembrar que quero seguir em frente deixando em outros rostos e em outros corações a nossa essência, permitindo que alguém me chame de pai também. 
Antes não levava muito em consideração o que as pessoas diziam sobre nossas coincidências e aparências, talvez por não entender direito o peso desse negócio, mas hoje posso dizer que tenho "muito orgulho, meu pai" de ser que nem você, mesmo tendo passado pouco tempo juntos, vou te levar pra sempre na cara e no coração...

domingo, 4 de agosto de 2013

Voyager...


“Nossas atitudes, nossa pretensa importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, em meio a toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos.”
(Pálido Ponto Azul - Carl Sagan)

Somos fracos frutos do acaso, um descaso do destino. Somos pobres viajantes paridos pelo caos, meros espectadores do universo. Somos imperfeições que deram certo, mutações da natureza. Somos sérios seres insignificantes, uma raridade em forma de vida. Somos poeira das estrelas, uma disparidade dos céus. Somos acidentes de percurso, perdidos no curso do tempo e do espaço sideral. Somos um conjunto de átomos, como tantos presentes por toda parte. Somos detalhes de uma irradiação fóssil, dilapidados só como se fôsseis. Somos náufragos da nau à deriva, passageiros de um pálido ponto azul.
Nada de divino entre nós, apenas somos a evolução de outros animais. Nada de diferente dos outros, somos todos iguais. Nada de holofotes sobre nós, apenas somos um filete de luz no escuro. Nada de astrônomos ou astronautas, na verdade, nada mais somos do que astrólogos tentando desvendar o futuro. Nada de superioridade, não estamos no centro, somos a periferia do universo, o giro que chegará ao fim.
Enquanto isso eu estou aqui, no limite do que era infinito até anos atrás, na beira do espaço profundo, saindo do Sistema Solar depois de uma longa viagem pela escuridão até chegar ao espaço interestelar.  Eu estou aqui apenas observando-os girar, girar e girar em torno de uma estrela que um dia se apagará. Até quando, meu Deus, até quando?...

terça-feira, 23 de julho de 2013

Intertextualidade²...

"— Quantas pessoas acha que morreram?
— Tipo, quantas personagens fictícias morreram neste filme fictício? Não o suficiente — ele brincou.
— Não, quer dizer, tipo, desde sempre. Tipo, quantas pessoas você acha que já morreram até hoje?
— Por acaso, eu sei a resposta para essa pergunta — ele disse. — Há sete bilhões de pessoas vivas no mundo, e mais ou menos noventa e oito bilhões de mortos.
— Ah — falei.
Eu achava que porque o crescimento populacional tinha sido muito acelerado, houvesse mais pessoas vivas do que todos os mortos juntos.
— Há cerca de quatorze pessoas mortas para cada vivo — ele disse.
[...]
— Pesquisei isso uns anos atrás — o Augustus continuou. — Eu estava me perguntando se todo mundo poderia ser lembrado. Tipo, se nós nos organizássemos, e designássemos uma determinada quantidade de cadáveres para cada vivo, será que haveria pessoas vivas o suficiente para se lembrar de todos os mortos?
— E há?
— Claro. Qualquer um pode listar quatorze mortos. Mas nós somos uns pranteadores muito desorganizados, por isso acaba que muitas pessoas se lembram de Shakespeare e ninguém nem pensa na pessoa para quem ele escreveu o soneto cinquenta e cinco.
— É — falei."

(A Culpa é das Estrelas - John Green)


Esta passagem do "A Culpa é das Estrelas" trata-se de um diálogo entre Hazel Grace e Augustus Waters (página 140), onde após eles assitirem um filme ela pergunta: "Quantas pessoas acha que morreram?". Assim que li me lembrei logo de um dos primeiros posts que publiquei aqui no blog, trata-se do "Quantos mortos têm no mundo?...", no qual também me questiono sobre a quantidade de mortos que pode existir na Terra. Pensava que era somente eu que pensava sobre essas coisas. É legal duas partes deste livro me fazerem lembrar de coisas que já escrevi sobre e que, coincidentemente, falam do mesmo tema, a morte. Por que será isso hein?...

domingo, 14 de julho de 2013

Intertextualidade...

"Vai chegar um dia [...] em que todos vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de você. Tudo o que fizemos, construímos, escrevemos, pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui [...] vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do Sol, não vamos viver para sempre. Houve um tempo antes do surgimento da consciência nos organismos vivos, e vai haver outro depois. E se a inevitabilidade do esquecimento humano preocupa você, sugiro que deixe esse assunto para lá. Deus sabe que é isso o que todo mundo faz."

(A Culpa é das Estrelas - John Green)

Carpe diem
                                                        
Nem todo dia é dia de sol.
Nem sempre o melhor vai vencer.
Nem sempre as lágrimas são de tristeza.
Nem todo ser livre tem liberdade.
Nem sempre você conhece a si mesmo.
Nem sempre as palavras dizem algo.
Nem todo coração bate feliz.

Haverá um dia que não existirá mais dia.
Nunca mais haverá o melhor.
Nunca mais uma lágrima escorrerá pelo seu rosto.
Haverá um dia que não existirá liberdade.
Nunca mais alguém vai lhe conhecer.
Nunca mais você precisará das palavras.
Haverá um dia que seu coração não vai bater.

(Janderson Oliveira) 

Nos últimos dias eu li um livro chamado "A Culpa é das Estrelas", de John Green, e enquanto estava lendo a página 19, me deparei com uma fala da personagem principal, Hazel Grace, afirmando o que coloquei na citação acima. Logo que li, me lembrei de um poema, "Carpe diem", que escrevi há alguns anos atrás (talvez em 2008) e fiquei impressionado como aquela passagem do livro explicava exatamente o meu sentimento ao escrever o poema, este sentimento de "esquecimento", onde no final, lá no final mesmo, o fim de tudo, ninguém vai ser lembrado. Por isso o nome do poema é este que significa "aproveite o dia", por isso sigo insistindo em aproveitar tudo isso aqui, cada dia de sol e de chuva também, cada vitória e cada derrota, cada lágrima de tristeza ou de felicidade, enfim, temos que aproveitar a vida, pois como já disse várias vezes aqui nesse mesmo blog, temos apenas UMA para ser vivida...

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Pós-modernidade

Conceito de moderno? Sei mais nem o que é isso.
Eu vivo é no pós-moderno rebuliço.
O moderno já está ultrapassado,
A onda agora é o pós-moderno acelerado.
Ninguém lembra mais das fábricas da Revolução,
O bom agora é o poder da comunicação.
O mundo todo cabe na palma da mão,
Com câmera, som, celular, internet e televisão.
Se dá algum problema, junta tudo e joga fora,
Já tem outro prontinho na hora.
Você não precisa mais nem visitar um amigo,
Não importa a distância, ele está sempre contigo.
Não necessita mais de um beijo, de um toque ou de um abração,
É só ver a cara dele naquele bicho de terceira geração.
O negócio agora não é mais micro, é nano.
Não é mais física clássica, é quântica.
Não é mais poesia no papel, é digital.
Não é mais beijo de língua, é virtual.
A pós-modernidade pôs a humanidade em xeque,
Não precisa mais nem preencher o cheque.
Deixa que a máquina faz isso pra você.
Na pós-modernidade até a água tem sabor,
Ela não é mais insípida, inodora e nem incolor.
Vamos acasalar com o robô ginóide
E esperar pra ver o que nasce.
Vamos dar de comer pro cachorro mecânico
E esperar que ele se engasgue.
Vamos batalhar pelo super computador,
Pode ser que só assim diminua a dor.   
Vamos construir mais neologismos internéticos
E continuar vivendo nesse ritmo frenético.
E assim caminha a humanidade,
Aproveitando a pós-modernidade.
Mas quanto vale um quantum?
Quanto vale um chip?
Quanto vale um software?
Quando o respeito não existe mais.
Quando o povo não vive mais em paz.
E o amor vale quanto?
Põe na minha conta que eu pago.


(Janderson Oliveira)