"Eu vi o tempo brincando ao redor do caminho daquele menino"...

sábado, 4 de janeiro de 2025

Os meus ídolos...

Fotos de Leticia Ramalho (@letiramalhofoto)

Ainda bem que eu nasci no Nordeste. Este fato me leva ao entendimento que meus ídolos são outros, eles não estão no mainstream, mas ainda assim estão no ápice do que há de melhor na nossa cultura. 
Os meus ídolos agora são outros, eles estão espalhados pelas ruas do Bairro do Benfica, nas ladeiras do Bairro João Cabral e de Olinda. Eles estão no Alto do Cruzeiro, na Comunidade dos Souza e na Cachoeira da Onça. Estão ainda na Praia de Almofala, na cidade do Crato e nas históricas Igarassu e Ilha de Itamaracá.
Os meus ídolos são um mestre que vive o reisado na Bela Vista, os palhaços Mateu de Juazeiro, os irmãos que cantam e encantam em seu terreiro, uma mestra que se fez mestra tão cedo e um mestre que anda com seu bacamarte só pregando a paz. 
Os meus ídolos são toda uma família que samba coco em Arcoverde, uma preta velha que balança o ganzá em Custódia, uns caboclos que balançam suas plumas e jogam suas lanças em Araçoiaba.
Os meus ídolos são um gênio que balança maraca em Ibicuitaba, uma líder quilombola que bate pandeiro e canta coco no Sítio Vassourinhas, um jovem mestre de batuque com a voz rouca, um pai de santo com um sorriso contagiante, um mestre que veio de outras terras para formar caravana por aqui em Fortaleza.
Os meus ídolos são um rabequeiro que faz sua rabeca falar pelo Nordeste, uma macumbeira de São Luís do Maranhão, um mestre que mata e ressuscita o seu boi na Barra do Ceará, uma sertaneja que canta forró pelo interior afora.
Os meus ídolos são um encantado que foi cantar lá no céu, uma rainha cirandeira da beira da praia, uma senhora frágil que ainda canta coco com toda sua força, um mestre que entoa o baque forte do maracatu e um parceiro imponente que há anos toca sua alfaia aqui ao meu lado. 
Os meus ídolos são pais que cantam, filhos que dançam e netos que dormem no colo dançante de suas mães. Os meus ídolos calçam tamancos, pintam a cara de negro, usam saias rodadas, carregam suas espadas, batem seus tambores.
Eles não precisam de holofotes, fazem a festa e perpetuam a cultura ali mesmo, no seu cantinho, no seu espaço. Os meus ídolos são gente comum que não faz arte por dinheiro, mas que brinca com alegria e festeja na sua comunidade...

domingo, 22 de setembro de 2024

Tá bonito pra chover...

Açude Lima Campos (Icó)

“Tá bonito pra chover” é uma das expressões mais belas e gostosas de se falar por essas bandas do Ceará. Se em outros lugares o fato de chover não é tão bom assim, aqui a chuva é a nossa alegria, a nossa felicidade. É quando começa a se formar o tempo, tudo vai escurecendo, as nuvens ficando pesadas, é o céu lindo, cinzento, com clarão entoando o seu refrão, um prenúncio que vem trazendo alento da chegada das chuvas no sertão.
“Tá bonito pra chover” é a chuva que vai molhar a terra seca e fazer voltar a folhagem para os pé-de-pau, é o chão rachado que vai desaparecer, é a plantação que vai voltar a aparecer. São os pássaros começando a se esconder entre as folhas das árvores, são os bichos tudo se escondendo para não se molhar e as pessoas indo buscar seus abrigos debaixo da laje.
“Tá bonito pra chover” é o limiar entre o calor que vai embora e o toró que já vai cair, é o inverno grande chegando para o ano, são os açudes tudo sangrando, é a lata na cabeça para ir buscar água no cacimbão cheio, é aquela água que vai matar muita sede, é aquele sorriso que vai voltar ao rosto do cearense.
“Tá bonito pra chover” é o diminuir da quentura, o aproveitar da frieza, é o verde espalhado pelo sertão, é a fartura que vai chegar, são as crianças correndo atrás de uma bica d’água pra se meter embaixo, é o banho de felicidade escorrendo pelo corpo e pela alma, é o renascer da esperança para o povo do Siará Grande...

quinta-feira, 27 de junho de 2024

O romance de Orión e Selene


Orión era um caba destemido, corajoso e forte.
Mas no amor, o póbi tinha era pouca sorte.
Foi se apaixonar logo por quem? Selene, a deusa lua,
Que vivia passeando pelo céu, a bichinha toda nua.
Mas tu quer saber como se deu esse romance de amor e traição?
Te assenta aí e acompanha comigo essa esculhambação.
Orión era caçador dos bons, zanzava pela Grécia Antiga,
Andava com seu cão Sirius e vivia assobiando sua cantiga.
Orión pela irmã de Apolo acabou se enrabichando
Disse para a Grécia toda que Selene ele estava amando.
Selene é a mesma deusa Artêmis, a irmã gêmea de Apolo,
Aquele que só queria ser as prega, chega nem pisava no solo.
Selene soube da história e pelo caçador se encantou,
Caiu nas suas lábia e por Orión se apaixonou.
Mas Apolo inventou que era deus, do sol e também da caça
E foi por causa disso aí que começou toda a desgraça.
Tu acredita que ele pegou nojo do coitado do Orión?
Saiu até se gabando só por ter matado uma cobra das píton.
Apolo tinha ciúmes da irmã e ficou puto com essa notícia
Mandou caçar Orión desde a Grécia até a Fenícia.
Ele mandou um Escorpião gigante para picar o caçador
E nem com toda as manha o Orión escapou.
Foi atacado e picado pelo bicho peçonhento,
Tudo culpa de Apolo, aquele fela lazarento.
Hoje em dia Orión e Escorpião são duas constelações lá no céu
Vivem andando em lados opostos, cada um cumprindo seu papel.
Já Selene, a deusa lua, chora esperando o seu amado
Sem saber se está vivo ou morto o póbi do coitado.
Mas eu acredito que Orión jamais vai desistir de sua caçada,
Vai rodar pelo céu inteiro até encontrar a sua amada. 

(Janderson Oliveira)

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Floreou


 Será que é chegada a hora?
Vem cá florear a minha vida
Trazer arte aos meus dias
E sorrisos à minha boca

Vem olhar em meus olhos 
Cachear em meu peito
Cantar em meu ouvido
Descansar em minha pele

Só vem
Traz pra mim esse sorriso
Esse olhar de menina
Esse sentimento bom que nós sabemos

Será energia pra mover os próximos dias
Quiçá os próximos anos
Quem me dera se forem muitos
Até o mais tardar de nossas vidas

Preciso desse teu sorriso
Um nova cor pro meu jardim
Será vapor crescendo no peso do meu coração
E será todo dia especial

Espere por mim, morena
Eu chego já, já
A estrada é longa
Mas o que a gente sente é maior

E no final
Será melhor errar amando 
Do que acertar chorando

(Janderson Oliveira)

terça-feira, 28 de maio de 2024

Um terreno...


Um terreno que lembra um espaço no tempo. Um tempo que traz memórias antigas, muito antigas, memórias que já faz décadas. Um espaço bonito e pueril, cheio de alegrias bobas, de brincadeiras de crianças, de aventuras que ficaram lá atrás. Caminhos inteiros para percorrer até o rio, uma corrente de água para pescar, arames farpados para superar, árvores com frutas para colher, bichos cantando para nos envolver. Mistura de férias com amizades, mistura de liberdade com medos. Vontade de correr por lá, de desbravar tanta terra, de encontrar coisas novas. Isso tudo é o terreno, o terreno do vô, o terreno da vó, o mesmo terreno por onde passou o pai, os filhos e as netas. Nós passaremos, o terreno continuará lá...

domingo, 16 de abril de 2023

Antes de tudo... Fortaleza


Três borboletas brancas
Cruzaram o meu caminho
E me fizeram lembrar
Como é bom estar sozinho
 
Andando e desbravando
Esse mundo de meu Deus
Mesmo sem esquecer
Onde eu deixei os meus
 
Tanta gente que passa
E ajuda um caminheiro
É tanta coisa boa
Que não se paga com dinheiro
 
É um sorriso na cara
É uma palavra amiga
É um abraço apertado
Que manda pra longe a fadiga
 
Do alto daquele morro
Lá onde tem um cruzeiro
Se canta um samba de coco
Me faz sentir brasileiro
 
Do alto daquele monte
Se vê o nascer e o pôr do sol
É tanta gente que aplaude
Ao final do lindo arrebol
 
São duas semanas andando
Esbarrando em tanta beleza
Mas na cabeça só se pensa
Antes de tudo... Fortaleza

(Janderson Oliveira)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

O meu corpo baila...

Foto: Bruna Marques (@brunamarques.photo)

O meu corpo baila
Ao som de tambores
Agogôs, maracás e agbês
 
O meu corpo baila
Ele anseia pelo toque
Pelo som, pelo ritmo
 
Toque pra Iansã
Toque pra Oxum
Toque pra Nanã
Toque pra Ogum
 
Toque, toca, me toca
Me envolve, me completa
Me liberta
 
O meu corpo baila...

(Janderson Oliveira)

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Tuas mãos...


O que é que tu tens nessas mãos?
É um toque sutil e delicado que a gente gosta.
É um toque suave e calmo, mas que fervilha o corpo da gente em arrepios.
Tuas mãos parecem até que tacam fogo no nosso corpo.
Na ponta dos teus dedos parece haver um gatilho que acende todo o calor que temos por dentro e faz ouriçar todos os pelos do nosso corpo.
E eu que tinha medo até das tuas mãos, agora acho que o teu poder de dominar é tentador.
Agora eu anseio pelos teus dedos, aperreio pelo teu toque, aprovo pelo teu beijo, apoio pela tua pele.
Apelo pelos teus pelos, apaixono pelo teu corpo, amo pela tua cama, afago pelo teu abraço. 
Acabo-me em tuas mãos. E repito: acabo-me em tuas mãos...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Repleto de gente

Foto: Bruna Marques (@brunamarques.photo)

O meu corpo carregado de gente
Não deixa que eu consiga andar sozinho
O meu corpo lotado de gente
Me impossibilita que eu ande sozinho
O meu corpo repleto de gente
Me impede de andar sozinho
 
Não é espírito, não é assombração
Não é fantasma e nem visagem
É o meu corpo carregado de gente
Que me ajuda a continuar nessa viagem
 
É o meu corpo carregado de gente
Que faz com que histórias sejam levadas em frente
É o meu corpo lotado de gente
Que faz surgir memórias em minha mente
É o meu corpo repleto de gente
Que não me deixa entender o que o coração sente
 
Não é espanto, não é maldade
Não é o medo, não é o mal
É o meu corpo lotado de gente
É o axé, é o tambor, é o carnaval
 
Com o meu corpo carregado de gente
Eu consigo andar em todos os atalhos
Com o meu corpo lotado de gente
Eu sigo bailando por todos os lados
Com o meu corpo repleto de gente
Eu vou seguindo pagando os pecados
 
Eu não sou só um
Eu sou carregado de gente
Eu sou vários
Eu sou lotado de gente
Eu sou milhão
Eu sou repleto de gente

(Janderson Oliveira)

domingo, 9 de outubro de 2022

Low profile

Low profile
No profile
Sem perfil
Sem caráter
Sem ética
E nem moral
Um simples cidadão comum
Desses que morrem no final...

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Nossa essência...

Se o essencial é invisível aos olhos, a essência está escondida dentro de cada um de nós. Mas ela pode ser revelada entre dois seres que sabem que existe um lugar, algum lugar que só nós conhecemos.
A essência pode ser revelada em conversas filosóficas que duram madrugada adentro, ela pode ser revelada numa constelação distante que insiste em aparecer no céu noturno, ela pode ser revelada em diversos versos de músicas que sempre foram ouvidas ou até mesmo em um pensamento longínquo que volta na cabeça desse menino.
E o que foi esperar uma hora em pé numa fila pra quem já conseguiu esperar por dez anos por um beijo dessa menina mulher? Foi aos gritos de toda uma legião, foi no show do Biquini Cavadão, que se confirmou a certeza daquela antiga paixão. Foram tantos momentos de desejos em pensamentos que terminaram em desejos carnais, às cinco da manhã, deitados em um sofá onde uma nova temporada da nossa história começou.
Parece que a ficha não cai, o encantamento permanece presente dentro do meu ser. Foi tanto tempo de espera, mas que tinha sempre uma certeza que tudo ia se encontrar, pois era naquele abraço que eu sempre quis estar, era naquela boca que eu sempre quis beijar, era naquele corpo que eu sempre quis me acalmar.
 
“Querendo te encontrar
Só pra falar de amor
Frases que nunca falei
Carinhos que nunca fiz
Beijos que nunca te dei
O amor que te neguei
Agora quero te dar
E te fazer feliz”
(Dominguinhos)
 
Ela toda organizada e planejada e eu todo desleixado e sem planos. Enquanto o tempo passa correndo pra você, ele caminha a passos lentos para mim. Mas afinal o que é o tempo, que há tanto tempo nos separa? Mas afinal o que é o tempo, que está o tempo todo aí para vivermos?
E pra que ir com calma, se eu posso ser exagerado? E pra que poupar esforços, se ela quer sempre é 101%? Que eu possa seguir te levando a leveza em meio à tanta preocupação, que eu possa seguir te trazendo a essência em meio à tanta obrigação e que eu possa ser verdade em meio à tanta ilusão...
 
“E nossa história não estará pelo avesso assim
Sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos
O mundo começa agora
Apenas começamos”
(Legião Urbana)
 
P.S.: Mas cá estou eu novamente, sozinho, como há 10 anos, em madrugadas insones, fones aos ouvidos e letras embaralhadas numa tela branca, formando palavras que não dizem nada, para olhos que nunca irão ler...

terça-feira, 12 de julho de 2022

O maior problema do mundo


O maior problema do mundo
É a mercadoria,
Mas toda hora a gente consome,
Seja noite ou seja dia.
 
Com os ouvidos, com os olhos
Ou com a boca.
Ela nos invade a todo instante,
Mesmo a gente pagando grande montante.
 
Mesmo deixando a mente oca,
Ela faz parte do dia-a-dia.
Não importa quanto reclamem,
Cada um quer a sua fatia.
 
O capital
É aquele que nunca morreu.
Ele sai do meu bolso
E também sai do seu.
 
Vai tudo cair
Direto no bolso do patrão,
Enquanto o menino de rua
Segue sem comer pedaço de pão.
 
O homem é primata,
O capitalismo é selvagem.
O homem é que mata
Nessa traiçoeira viagem.
 
Mata por dinheiro,
Mata por covardia.
Mata até mesmo de fome,
Negando o pão de cada dia.
 
O lucro é que comanda
Esse mundo sem futuro.
A mercadoria é que manda,
Seja claro ou seja escuro.
 
Consumir, comprar,
Jogar fora.
A mercadoria sempre presente,
Não importa qual for a hora.
 
Tem muitos na base
E poucos na ponta.
E no final disso tudo,
Quem vai pagar essa conta?
 
(Janderson Oliveira)
 
"Vender, comprar, vedar os olhos
Jogar a rede contra a parede
Querem te deixar com sede
Não querem te deixar pensar"
(3ª do Plural - Humberto Gessinger)

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Mate-me...

Mate-me, sentado à beira do mar, com fone alto aos ouvidos e brisa fria a bater em meu corpo, observando a minha mais bela paisagem: os verdes mares do meu querido Ceará. Mate-me, mas mate-me de verdade, para que não tenham chances de eu voltar e estragar tudo de novo. Mate-me, de um jeito que minha cabeça ainda possa ver meu corpo uma última vez ao cair, mas com um golpe rápido, seco e cruel, sem tempo para reagir, sem sentimentos para sentir, sem saber qual foi o último pensamento que raciocinei. Mate-me, numa noite nublada e triste de carnaval, em meio ao relento, sem testemunhas para me ver, sem lágrimas a cair, sem confetes para colorir, sem coveiros para me enterrar. Mate-me, deixe o mar me engolir, os peixes fazerem um banquete de mim e no outro dia o sol ressecar o que sobrou de pele, o que sobrou de couro, o que sobrou de meu ser, apenas mate-me...

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Agora é para sempre...

 

“Reverbera
No baque virado do maracatu
A força e energia dos nossos tambores
É mais uma estrela na noite azul”
(Reverbera - Gabriel Vasconcelos / Filipe Adan)
 
Agora é para sempre, até durar a força bruta da minha pele que bate no couro firme do meu tambor. Carne, couro, pele. Morre, nasce, ressuscita. Segue batendo, batendo, batendo e o som reverberando no baque pesado do meu maracatu, enquanto o desenho vai permanecendo firme no risco fino em minha pele.
Agora é para sempre, mais um ano completo e que não vejo a hora de encontrar minha alfaia e tocá-la com toda diversão, satisfação e emoção que ela me proporciona. Baquetas, madeira, couro. Ritmos, baques, sons. Ressoa, deixa fluir, encontra outros tambores, faz uma festa no meio do terreiro, celebra com alegria a vida de todos nós e dos nossos antepassados.
Agora é para sempre, levarei o que há de mais ancestral em mim riscado em meu couro, me lembrando que transcendo quando toco Ngoma, meu pai tambor. Caixa, alfaia, bumbo. Ferro, agogô, xequerê. Levarei o meu batuque até que cheguem meus últimos dias e meu som siga ressoando universo afora, na minha mente adentro...
 
“E anunciou que a criação não iria parar, que viessem crianças, mulheres e homens para escutar o Ngoma cantar, dançar e alegrar a vida. É por isso que os bacongos dizem que Ngoma, o tambor, será o pai de todos os que transgridam a dor em desafios de festa e liberdade. Sua benção, Ngoma, nosso pai tambor! Nós estamos no mundo para celebrá-lo!”
(Tambor, o Senhor da Alegria – Luiz Antônio Simas)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Forever loneliness

You continue saying that I'm just another one who turned his back on you. But and about you? What do you do to keep the people close to you? Screams, curses, threatens? On this way you will be alone in your forever loneliness...

"But my dreams
They aren't as empty
As my conscience seems to be
I have hours, only lonely
My love is vengeance
That's never free"
(Pete Townshend)